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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Quando o futebol feminino precisa, onde estão as suas jogadoras?

Talvez eu nem devesse escrever sobre isso aqui, mas chega uma hora que cansa.

Hoje mais um capítulo da história do submisso futebol feminino se escreveu.

A demissão da treinadora Emily Lima e sua comissão, algo que ficou evidente que não ocorreu pelos resultados, aconteceu na manhã de hoje. Qualquer justificativa que fale em desempenho não cola uma vez que se houver comparações veremos que treinadores homens se mantém na seleção mesmo com fracassos e fracos desempenhos no período de dois anos.

Eu, por saber que as atletas conversaram com o então coordenador de futebol feminino, Marco Aurélio Cunha, ainda na Austrália pedindo a permanência da comissão e do trabalho, por saber que enviaram carta ao presidente da CBF, Sr. Marco Polo Del Nero e por não concordarem com a demissão da treinadora, esperei, PELA PRIMEIRA VEZ EM ANOS, uma postura efetiva das atletas.

Esse seria o momento mais importante da história recente da sofrida modalidade para que elas se posicionassem não só pela treinadora ou pelo trabalho, mas pelo futebol feminino brasileiro. Pelo futuro e crescimento da modalidade.

Mas, como de costume, acho que o posicionamento não virá, afinal é mais fácil chorar na frente das câmeras de TV, de quatro em quatro anos, dizendo que a modalidade precisa de mais apoio.

Nós, os DESPRESTIGIADOS, blogueiros, jornalistas e amantes do futebol feminino cremos que o problema da modalidade não é falta de apoio e sim FALTA DE POSICIONAMENTO DAS ATLETAS.

Não é o choro nas câmeras que vai resolver nada, mas uma postura de cobrança, o questionamento, o esclarecimento à imprensa e ao público sobre o que acontece e como acontece. Sobre o que atletas querem e o que de fato recebem em troca.

Ouso afirmar que apesar de estarmos em pleno século 21, o futebol feminino parece ainda viver na ditadura tamanho o medo de quem está no meio.

Atletas tem medo de se posicionar pensando no que podem sofrer de retaliações e como podem ser prejudicadas em relação aos seus futuros e suas carreira por correrem o risco de ficar fora da seleção caso expressem o que realmente pensam.

O risco é real! Isso existe! Mas continuarão então aceitando tudo e deixando que tantas outras meninas passem pelos mesmos problemas no futuro?

Entendo a posição das atletas porque aprendi a me colocar no lugar e analisar o que poderia acontecer se fosse eu naquela situação, mas falando por mim, serei sincero em afirmar não concordo nem um pouco com a omissão para com a modalidade!

Pergunto:  Até quando? 

Eu estou cansado de omissão! Estou cansado de submissão! Estou cansado de tudo!

Vemos pessoas que diariamente, por anos, defendem, brigam e lutam pela modalidade, cada um a seu jeito. Os famosos DESPRESTIGIADOS blogs, jornalistas e sites independentes do futebol feminino brasileiro que parecem lutar em vão por ninguém. A causa não é justa?

E sabem o que mais me surpreende? 

Pensem comigo: temos Marta, a melhor jogadora do mundo, imagem e nome de peso, mas onde estaria ela nos momentos em que a modalidade precisa? 

Exceto em choros pós Copa e Olimpíadas, não me recordo de nenhum momento em que, de forma efetiva, clara e sem rodeios, Marta usou seu peso em prol da modalidade.

E isso não é exclusivo de Marta... onde estão as demais no momento em que posicionamento e atitude podem fazer muita diferença para a modalidade? 

Entendam que com o peso de Marta, uma declaração poderia facilmente mudar tudo. Ela não pode sofrer retaliações, ser barrada ou não convocada porque ela é A MARTA. E qualquer coisa que for feita contra ela ganha peso muito maior e se ela falar sobre o que pode vir a sofrer, a coisa fica muito mais feia pro lado de quem tentar barrá-la!

Quem dera se eu, Eduardo, tivesse somente 10% da força que a imagem dela tem! 

Cadê o posicionamento e postura? Sabiam que foi a postura das atletas dos EUA, a união e desejo de um futuro melhor por elas e pela modalidade que tornou a SELEÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS o que ela é hoje?

Acho que as atletas deveriam pensar em tudo que passaram, todas as dificuldades e barreiras que viveram e ainda vivem e, se tivessem que começar do zero, tudo de novo, se gostariam de ter que passar por toda esse sofrimento e desgaste. 

Caso nossas atletas precisassem voltar no tempo e recomeçar do zero, que então tivessem algo melhor, mais estruturado e mais digno para então sofrer menos e ter muito mais alegrias? 

É isso que muitas meninas que hoje se espelham em nossas atletas, "ícones" e "referências" de seleção e futebol, terão que viver no futuro porque ninguém foi capaz de fazer nada por elas. Terão que remar tudo de novo, com a mesma ou ainda mais dificuldade porque aquelas pessoas que poderiam sim fazer algo de forma efetiva (as atletas) nada fizeram quando tiveram oportunidades.

Enfim, concluo com muita tristeza que: "A César, o que é de César!". 

No final das contas, o futebol feminino no Brasil só tem de retorno exatamente aquilo que vem sendo plantado. Colhemos exatamente o que plantamos e isso explica muito da situação do futebol feminino brasileiro.

Talvez esteja chegando  ou já tenha passado da hora de jogar a toalha e desistir de uma luta que é em vão...

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Marco Aurélio Cunha seria à favor do SPFC mas contra a Seleção Feminina e Emily Lima?

A internet está fervendo com rumores sobre o futuro da Seleção Brasileira Feminina de Futebol e da treinadora Emily Lima.

Após a derrota para a Austrália começaram especulações e notícias cheias de suposições onde se afirmava que o Coordenador de Futebol Feminino da CBF, Marco Aurélio Cunha, havia levado à Marco Polo Del Nero, o nome de Vadão como solução para substituir a atual treinadora da Seleção.

Como sempre, a internet não perde tempo em especular!

Vamos ao meu ponto de vista!

Primeiramente, acho essa matéria onde surge o nome do Vadão muito estranha. Não parece algo natural e sim algo com cara de matéria "plantada" de jornal.

Reprodução o twitter.
Segundo que, vi essa postagem (aqui ao lado) na conta do Twitter do atual coordenadora da Seleção defendendo o São Paulo Futebol Clube, instituição da qual ele é conselheiro vitalício, demonstrando que resultados e fases ruins acontecem e que é preciso ser compreensivo.

Baseado nesta postagem seria no mínimo muito estranho que o coordenador de Futebol que, entende que futebol é difícil é que é preciso apoiar, independente dos resultados, agora virasse as costas para a Seleção e para Emily.

Ficaria parecendo algum outro problema que não é o dos resultados,  o que soaria muito estranho.

Por que motivo se traria novamente Vadão, que acabou de sair da Seleção e sobre quem há muitos questionamentos nos bastidores referente ao seu trabalho com a Seleção Feminina?

Se o Vadão teve 2 anos de trabalho apesar dos questionamentos, por qual motivo deveria Emily cair com apenas 9 meses de trabalho?

Seria curioso agora não deixar Emily trabalhar com tranquilidade.  Pra que essa "suposta" pressão sobre seu trabalho?

Seja lá essa história toda verdade ou equívoco da internet, espero que façam como com a comissão anterior. Deem tempo para trabalhar, parem de dar ouvidos aos questionamentos externos assim como se fez com Vadão e aguardemos os resultados do trabalho que está sendo realizado.

Acho até que tirar Emily Lima poderia soar agora como que a CBF estava apenas querendo cumprir "pressões" da FIFA e o clamor popular por ter uma mulher no comando e só.

O trabalho dela é bom e sua comissão tem muitas referências do mercado da bola e das comandadas por eles.

Eu, como amante do Futebol Feminino há tantos anos, prefiro derrotas na preparação do trabalho do que chegar em um mundial e mais uma vez chorar porque o resultado não veio.

Mas como sempre, só acho.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Futebol Feminino é muito ruim

É muito comum ouvirmos:
Que as goleiras nem sabem sair na bola
Que as meninas erram demais
Que só dão bicuda
Que deveriam estar lavando louça, arrumando a casa ou brincando de bonecas.

O que os muitos homens e até mulheres que falam esse tipo de coisa são incapazes de raciocinar é que toda essa dificuldade tem diversos motivos.

As mulheres são, por inúmeras vezes, privadas de brincar livremente no meio dos meninos ou de realizar brincadeiras consideradas "masculinas" e isso prejudica sim seu desenvolvimento motor.

Não existem brincadeiras mais masculinas ou femininas. Para crianças existem apenas brincadeiras que ajudam com que meninos e meninas desenvolvam e descubram melhor seu corpo, aperfeiçoando métodos de corrida, movimentações e giros para ambos os lados, impulsão, equilíbrio, força, explosão, frenagem e mudança de direção, entre tantas outras coisas.

Enquanto aos 7 anos meninos estão na quadra, na rua ou no campo de bola brincando dos mais variados piques as meninas ainda estão sendo proibidas de brincar de "coisas de homem", ganhando bonecas, jogo de cozinha de brinquedo, aprendendo a cozinhar, varrer a casa e tirar o pó.

Muitas meninas só começam a brincar e jogar aos 12, 13 anos e isso tira delas anos de desenvolvimento,aprendizado e ajustes de suas capacidades motoras.

Logo é extremamente natural que meninas de 14 anos tenham muitas deficiências em relação a meninos da mesma idade

Em teoria e na "conta de padeiro" as meninas tem cerca de 5 a 7 anos de prejuízo no seu desenvolvimento em relação aos meninos da mesma idade.

E aí você que enche a boca pra falar que futebol feminino é ruim, em momento algum para pra pensar que no país onde a mulher busca ainda condições iguais no mercado de trabalho e o respeito e direito de andar nas ruas sem receber cantadas, julgada por como se veste ou pela maquiagem que usa, também faltam escolinhas e professores capazes e dispostos a trabalhar duro e pacientemente para corrigir e refinar gestos motores de meninas que tem boa parte da infância e desenvolvimento motor perdidos porque MENINAS NÃO PODEM BRINCAR OU SE MISTURAR COM MENINOS, JOGAR FUTEBOL OU PIQUES PORQUE PODE VIRAR MACHO OU PUTA.

Você que abre a boca para criticar o futebol feminino não tem a capacidade nem o conhecimento para poder afirmar que o jogo é ruim por A, B ou X coisa.

Muitos times modestos encontram em meninas de 16 anos e com desenvolvimento motor atrasado por construções culturais que tentam dizer o que a mulher pode e deve, ou não, fazer, suas atletas.

Com trabalhos feitos de forma amadora, muitas vezes totalmente no amor e dedicação não remunerada pegam essas meninas e vão disputar estaduais ou competições nacionais adultas com meninas que dividem a vida de aspirante a jogadora de futebol entre os cuidados da casa, dos irmãos e do trabalho.

E aí você vem querer dizer que meninas que se esforçam e lutam contra toda uma sociedade e cultura são ruins porque querem?

Não falem e julguem sem saber.

Claro que algumas meninas, ou melhor, algumas mulheres de clubes "de melhor estrutura" e que já caminham há algum tempo dentro da modalidade erram muito e essas devem ser cobradas porque já deveriam ser capazes de identificar e corrigir seus erros que estão se tornando tão comuns sejam eles técnicos ou táticos.

Claro que devemos cobrar os profissionais de clubes maiores e que já trabalham dentro do futebol feminino há bons e longos anos que façam um trabalho melhor, cobrem mais e tirem dessas atletas o melhor que elas podem oferecer todo dia.

Mas mesmo assim, releve mais e analise mais todo o contexto.

Afinal, em uma sociedade onde a mulher ainda briga por respeito e por direitos é inevitável que a mulher no esporte ainda sofra com muitas coisas e precise lutar muito para também ter respeito dentro das 4 linhas, EM TODO E QUALQUER ESPORTE.

E isso aqui poderia ser apenas a introdução de um livro recheado de capítulos longos para tentar descrever o que é ser mulher é tentar viver do esporte no país do futebol dos homens.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Futebol Feminino: De que adianta a presença equipes de camisa do masculino?

Desde que começou a se falar em reformular o futebol feminino sempre colocaram como fator necessário ao crescimento da modalidade a presença dos tradicionais clubes de camisa do futebol masculino.

A ideia veio sempre acompanhada do argumento de que times de camisa atraem torcida para a modalidade e ajudam a cativar um público que pode passar a ser consumidor do futebol feminino.

Sinceramente discordo e sempre disse que a preferência deve ser dada aos clubes que já fazem futebol feminino há anos.

O QUE OS TIMES DE CAMISA TROUXERAM AO FUTEBOL FEMININO ATÉ AGORA?

Na minha opinião a única coisa que os times de camisa trouxeram para a modalidade foram suas camisas e olhe lá.

Defendo piamente que esses ditos times de camisa tenham que investir e apresentar projetos de médio a longo prazo, tanto no feminino adulto quanto em no mínimo uma categoria de base feminina.

Clubes deveriam no mínimo primeiramente disputar o seu respectivo campeonato estadual para depois ter o direito se tentar pleitear a vaga para o Brasileirão Feminino, sendo que cada ano de atuação, títulos e manutenção de projetos de base valesse um peso diferencial,  logo a prioridade seria sempre das equipes tradicionais femininas que obviamente tem mais tempo de atividade na modalidade.

Enfim, muito poderia ser feito e pensado a esse respeito.

No fundo o que temos hoje são  times que utilizam apenas a camisa cedida pelos clubes do masculino e nada mais. Não há investimento em estrutura, pagamentos de atletas, manutenção de equipes, centros de treinamento ou atividades médicas.

Nem mesmo a torcida tem se aproximado do futebol feminino porque não depende apenas da camisa em campo, mas principalmente da qualidade não só do jogo apresentado pelas equipes mas pela experiência diferenciada que pode ser assistir um jogo de futebol feminino.

O brasileirão feminino está indo para sua  quinta edição e até hoje não alcançou o objetivo que é conquistar e fidelizar novos expectadores e a mídia e isso independe da cor da camisa ou escudo utilizado.

O problema do futebol feminino está muito além e não é colocando times de camisa sem cobrar nenhuma responsabilidade e sem nenhuma fiscalização que a coisa vai se resolver.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

DE QUATRO EM QUATRO ANOS

De quatro em quatro anos aparecem pessoas que acreditam estar aptas a julgar e criticar o futebol feminino. São aquelas pessoas que só acompanham a modalidade nos grandes eventos. 

Quem não conhece a precariedade de estrutura do futebol feminino, o quanto meninas e país de meninas pagam de seus bolsos (mesmo sem ter) para que elas possam treinar ou fazer uma peneira acreditando que poderão ir além. Aqueles que não sabem o tamanho da dificuldade em quebrar barreiras e preconceitos da família e amigos, muito menos a dificuldade de chegar a um clube e conseguir realizar o sonho de jogar futebol, NÃO TEM DIREITO DE FALAR NADA de nossas meninas. 

Só elas sabem o quão duro foi o caminho até a disputa de um bronze olímpico! 

Ao invés de querer falar o que não sabem de futebol feminino procurem valorizar suas esposas, observar como tratam suas filhas e avaliar se estão criando filhos homens ou apenas filhos tão manés quanto vocês pais, que acham que lugar de mulher não é no esporte, na engenharia, na física ou na presidência de empresas ou em qualquer outro lugar de destaque.

Vocês falam tanta besteira e reproduzem o machismo perpetuado pelas instituições sociais (família, escola, estado e igreja) são tão pouco esclarecidos que não percebem a incapacidade de pensar sozinhos e concluir coisas óbvias. Não sabem o porquê de nada, só sabem que aprenderam assim então é certo! 

Você lava louça em casa? Ajuda sua mulher a limpar a casa? Ajuda a cuidar dos filhos? Ou senta a bunda no sofá pra ver TV enquanto sua mulher se esforça pra fazer a janta ou almoço? Não fazer isso também é machismo... é achar que função doméstica é apenas da mulher! Vocês perpetuam preconceitos sem nem se dar conta. 

Deixem as mulheres ser o que quiserem e não venham falar pensando que de alguma forma entendem ou compreendem o que passa o futebol feminino e as meninas e mulheres inseridas nele. 

Bom dia!