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O Primeiro Passo Foi Dado: I Encontro de Futebol Feminino do Brasil

No último sábado, dia 26 de março, o Brasil começou a caminhada por uma melhor organização e fortalecimento do Futebol Feminino.

            Organizado pelo C.R. Vasco da Gama e pela Marinha do Brasil foi realizado no Rio de Janeiro o 1° Encontro de Futebol Feminino do Brasil reunindo cerca de 100 representantes de clubes amadores e profissionais de diversos estados como Amazonas, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

            O evento teve como proposta debater com os participantes o desenvolvimento do Futebol Feminino e também as dificuldades enfrentadas pela modalidade no país.

Mesa composta pelos representantes do Vasco, Marinha do Brasil e
também organizadores dos Jogos Mundiais Militares

             De inicio foi abordada a parceria Vasco/Marinha, um exemplo de gestão em prol do futebol feminino e seguiu-se abordando temas como gestão esportiva, ética, moral, valores positivos, linhas de planejamento estratégico, a importância das divisões de base para a manutenção de equipes profissionais, criação de calendários adaptados, campeonatos alternativos e formação de um grupo unido para debater junto à federação do Rio de Janeiro abatimentos e reduções de taxas para que mais equipes possam disputar o campeonato estadual da federação e assim dar mais oportunidades à modalidade.

            A falta de gestão e organização esportiva, logo a falta de gestores capacitados no mercado brasileiro foram disparados apontados como responsáveis pela atual situação do Futebol Feminino. A necessidade de organização e união por parte das equipes também foi amplamente abordada.

            Uma das grandes idéias do dia foi apresentada pela blogueira e twitteira Mariellen Romero, autora do blog Da Arquibancada e do twitter @DaArquibancada que propôs a reunião com representantes de blogs e sites sobre o assunto visando a divulgação da modalidade e a transmissão de jogos de futebol feminino em tempo real via Video Streaming.

            O encontro foi muito importante para identificar as necessidades do futebol femininino e definir a realização de novos encontros periódicos sobre o tema para unir e fortalecer o esporte e planejar projetos à favor da modalidade.

            Neste dia 29/03 será realizada reunião arbitral na Federação de Futebol do Rio de Janeiro e o II Encontro de Futebol Feminino já tem data para ocorrer. Será no dia 14/05.


A Participação do Representante da CBF no debate
           

            No segundo momento de debates que se iniciou às 14:30h, o Coronel Ronaldo, representante da CBF, enviado para acompanhar e ‘espionar’ o encontro, começou sua participação dando infelizes declarações como: “Me desculpem mas eu não estou aqui para enganar ninguém. É impossível querer comparar a grandeza do futebol masculino com a pequeneza do futebol feminino.” e ainda “O futebol feminino nunca irá alcançar o nível do futebol masculino...” e “A Seleção Brasileira Feminina de Futebol somente sobrevive graças ao dinheiro do futebol masculino, que é de onde a CBF tira o dinheiro para arcar com diárias, viagens e outros...”.

            Deste ponto em diante houve grande questionamento no papel da CBF na ajuda ao futebol feminino, mas segundo as palavras do representante da entidade no evento “a CBF não pode fazer nada pelo futebol feminino no Brasil e quem deve ser cobrada são as Federações”.

            Em seguida Leonardo Allevato (@leoallevato), um dos responsáveis pela organização do evento e renomado profissional de educação física lhe fez um questionamento sobre ética no futebol (um dos temas abordados no encontro) comparando o futebol masculino ao feminino quanto a atitude dos técnicos da Seleção masculina abrirem mão de treinar outras equipes em paralelo, enquanto na Seleção feminina Kleiton Lima acumula o cargo de técnico da Seleção Brasileira e também do Flamengo.

            Coronel Ronaldo ‘pecou’ no uso de suas palavras demonstrando certo machismo da CBF dando a entender que o futebol masculino é diferente do feminino, e ser ético no masculino é diferente de ser ético no feminino, mesmo quando sabemos que ser ética é um princípio básico da sociedade e que tem um único sentido.

            Em questionamento feito pelo Comentando no Esporte (@Edu_Pontes)  indagando qual o papel e quais projetos que a CBF, entidade que não colocou em seu site nenhuma menção/mensagem e agradecimento ao Dia Internacional da Mulher, possui para a disseminação/melhorias do futebol feminino no Brasil, o representante apenas se esquivou dizendo que o dia internacional da mulher não foi mencionado porque era carnaval e não havia expediente. Quanto aos projetos, se limitou a dizer que quem deve ser cobradas são as federações.

            Esperamos que estes encontros ajudem a dar uma nova visão à CBF e às Federações para que haja uma maior valorização e mais projetos voltados para o futebol feminino. - Comentando no Esporte.


Comentários

  1. O problema do esporte brasileiro é apenas um: gestão. No momento em que tivermos profissionais sérios e capazes, comprometidos com o desenvolvimento do esporte e o país através do esporte, então teremos o Brasil como uma verdadeira potência esportiva. De resto, é coisa pra inglês ver e encher o bolso de quem se diz ético e comprometido.

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  2. Ao que parece, os dirigentes do futebol masculino tem medo que o feminino crie uma concorrência maior na busca por captação de recursos.

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