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Marta se torna maior atleta da história do futebol, mas título não significa nada no Brasil

Os Problemas do Futebol Feminino


No Brasil clubes e gestores tem a ideia errada de que o futebol feminino gera pouco retorno financeiro.

Essa crença se dá por conta da falta de especialização e, na maioria das vezes, falta de visão destes que se dizem “conhecedores” da gestão e marketing esportivo.

Os clubes podem fazer uma série de parcerias e fechar pequenos patrocínios com empresas de pequeno e médio porte e garantir assim não só a manutenção de um projeto como a fidelização destas empresas que tendo uma boa visibilidade (fato que tem 99% de chances de acontecer) irão investir valores maiores na próxima temporada.

Empresas com este perfil e que querem investir existem aos montes e o clube pode também fechar com uma grande empresa que queira investir um valor considerado pequeno.

Marcas dispostas a investir ou para as quais os clubes podem apresentar propostas
existem aos montes, basta os clubes serem menos gananciosos que tudo acontece!


Nossos vulgos gestores precisam aprender que em um mundo globalizado o pouco pode significar muito.

Outra coisa que ainda precisa ser trabalhada na mente dos nossos jurássicos administradores esportivos é que planejar não é o simples ato de montar uma equipe e colocar em uma planilha o seguinte termo: conquistar o titulo!

Muitos clubes montam equipes de futebol feminino com total descaso e acham que sem organização e pequenas metas que se completam no planejamento, o clube não alcançará objetivos maiores.

Planejar significa investir, dar condições, pensar e avaliar até onde se pode chegar com o investimento que o clube está fazendo. É criar organogramas, fluxogramas, ter uma pessoa responsável por cada tarefa fundamental para o andamento do projeto e para que as metas possam ser alcançadas.

No futebol feminino brasileiro o que temos atualmente são gestores que não tem visão do esporte como negócio, são profissionais mais preocupados mais em tomar o lugar do outro ou de fazer seu nome ao invés de estarem preocupados com o futebol feminino e o andamento do projeto em que estão trabalhando.

Um fator que influencia isto é que as atletas, muitas vezes, recebem “esmola” e se contentam ou submetem a isto. O clube atrasa pagamento, paga pouco ou não dá a estrutura que prometeu e as jogadoras continuam pensando pequeno, como jogadoras de pelada e não como atletas que querem mesmo um dia dizer que são profissionais: “Ai, tá ruim, mas pelo menos o clube está dando algo. Então nem vou reclamar!”.

Jogadora de futebol não pode pensar assim! Jogadora de futebol não pode pensar só em si, mas esta barreira é uma que talvez seja a mais difícil de ser quebrada, não pela necessidade e realidade social da qual estas atletas vem, mas pela incapacidade de muitas jogadoras em acreditar que unidas elas podem transformar muitas coisas a favor do desporto.

Os problemas do futebol feminino são muitos. Alguns maiores, outros mais fáceis de lidar, mas todos eles se resumem a uma coisa: a vontade de fazer com que o futebol feminino dê certo!

Quando tivermos pessoas, gestores, atletas e outros profissionais com esta real vontade, tudo será muito mais simples!

Comentários

  1. E isso ai Eduardo Pontes eu acho que o Futebol Feminino deveria ser mais valorizado aqui no Brasil, pessoas que pense como você que quer ver o futebol feminino com uma categoria mais elevada, acho que os clubes brasileiros deveriam valorizar mais, investir mais. Eu sou aqui de Brasilia e posso falar a estrutura para o Futebol feminino e muito ruim, hoje eu sei jogar futebol gosto de futebol , mais como continuar sendo que nós não temos apoio nenhum , não temos apoio do governo não temos apoio da sociedade, a sociedade ela julga a mulher que jogo futebol, então eu acho que tudo deve mudar o pensamento deve mudar. Que tal investir no Futebol Feminino, acreditar nos nossos sonhos...

    Luene Hilário
    @LueneHiilario

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  2. Sim , falta visão a longo prazo mesmo. Mas essa questão das 'esmolas" é uma complicada e com ou sem planejamento tem que se louvar quem abre as portas , ainda que temporariamente e investe por mais pouco que se invista.
    A gente cita a Formiga que está sem time e temos hoje uma boa parte da seleção americana, incluindo Ícones como Solo e Wambach sem saber para onde vai ano que vem, porque o time delas deixou de existir.
    Aliás a realidade que o ff no mundo é extremamente insipiente. Basta ver que os EUA que tem cultura de FF, um publico potencial na teoria espetacular e sua liga , a WPS, vive cambaleando e nem sabe se vai ter o quarto ano de existencia porque só tem Cinco times(franquias) e as regulamentações lá exigem no mínimo seis.
    Em quatro anos só dois times conseguiram sobreviver desde o início da liga, outros 5 fecharam suas portas. E olhe que eles tem metas bem mais modestas que a falida WUSA, pagam salários modestos para o padrão do atleta americano. Sabe quanto ganha uma Wambach? 84 mil dolares POR TEMPORADA, tem atleta lá ganhando 200 dolares por jogo.
    E dentro dessas metas está ter uma média de 5 mil de publico e não conseguem. Olhe que eles, os americanos, são considerados os papas do Mkt esportivo. Mas eles não conseguem transformar milhares de praticantes da modalidade do high School ao College em publico consumidor.
    Aliás eu tenho um ponto de divergência forte quanto ao público alvo do FF, que ao meu ver é o erro de estratégia dos americanos . Eu tenho a ideia de que o FF só vai decolar no mundo inteiro se ele atingir uma parcela considerável do público masculino.Não desprezo o público feminino, acho que ele precisa ser angariado, mas noto uma confusão entre consumir produtos esportivos e consumir esportes. Quer queira ou não quem movimenta a maquina esportiva é o público masculino e entenda-se aí como "consumir esportes" desde comprar ingresso, pacotes televisivos a ficar realmente de frente para a TV. Isso se você verificar em quase todos os esportes, tipo um exemplo meio nada a ver, mas tênis feminino é o que é porque o esporte acima de tudo é vendido para o público masculino, adaptado a este, tipo ter rede menor, ter um tempo de duração mais curto o que torna palatável ao publico masculino. Essa é uma coisa para se discutir no macro.
    Onde quero chegar com isso tudo é que apesar de não ser o que a gente desejaria, queriamos projetos mais estruturados , na pratica temos que louvar mesmo as iniciativas venham onde vier. Temos que fazer esse bolo crescer, DÁ OPORTUNIDADE e aí se lançar um pontapé inicial. Tá Botafogo tá com um projeto teoricamente inconsistente, sabe lá o que será do Vitória de St Antão e do Foz, mas quer quiram ou não pode mais na frente iniciar um processo maior DENTRO DO QUE É POSSIVEL.
    Porque quer queira ou não qualquer OPORTUNIDADE é válida hoje. Aliás prefiro essa palavra a apoio, que parecem sinônimos, mas não são. Temos que aparar essas arestas para que a situação se torne proximo do que desejamos.

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