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FALTA QUALIFICAÇÃO NA GESTÃO DO #FUTEBOLFEMININO – NÃO ME REFIRO A ESTUDO, FALO DE ÉTICA E BOM SENSO!

(texto publicado no site www.wingedgk.com na última quinta-feira, 22/04 )

Olá amigos e amigas do WingedGK, goleiros, goleiras, atletas, admiradores e amantes do esporte! Mais uma quinta-feira e eu, Edu Pontes, estou aqui para falar de futebol feminino!

Tem sido comum vermos erros grotescos no futebol feminino que refletem a falta de organização e conduta dos envolvidos.

Diretores que rejeitam patrocínio por orgulho, clubes que fazem uma peneira e depois dispensam aprovadas por conta de contar com times alugados e fechados pra jogar com a camisa da equipe, clubes dispensando jogadoras porque acha que a jogadora é baixa e não avalia sua técnica, e por ai vai.

Eu poderia escrever páginas e páginas de coisas que “Só acontecem no futebol feminino” como um jogo oficial sem súmula, e com certeza meus amigos e amigas poderiam me citar mais milhares de problemas, mas já deu pra exemplificar.

Isso tudo me levou a pensar muito durante a semana e escrevi em meu twitter (@Edu_Pontes) a seguinte frase: “As vezes no futebol feminino o feeling é mais importante que o diploma”.
Sabemos da importância do estudo. De uma graduação, de um curso de especialização e afins, pelo conhecimento teórico adquirido para a função que você irá exercer, mas gostar do que você faz, sua ética pessoal e o bom senso, muitas vezes são mais importante do que carregar um diploma.

Muitos dirigentes de clubes, federações e confederações podem até ser diplomados, graduados, pós-graduados, ter título de mestre ou doutor, mas muitas vezes não nasceram para trabalhar com o futebol feminino. Para muitos deles faltam duas coisas fundamentais: ética e bom senso!

Vamos dar uma olhadinha no dicionário:

ética
(latim ethica, -ae)
s. f.
1. Parte da Filosofia que estuda os fundamentos da moral.
2. Conjunto de regras de conduta.

senso
(latim sensus, -us, sentido, órgão do sentido, faculdade de sentir, sensação, pensamento)
s. m.

1. Juízo claro. = PRUDÊNCIA, SISO
2. Capacidade para sentir. = SENTIDO
3. Capacidade de pensar. = JUÍZO, PENSAMENTO, RACIOCÍNIO
4. Direção, rumo.
bom senso: equilíbrio nas decisões ou nos julgamentos em cada situação que se apresenta.

Quando falamos em falta de profissionais qualificados não estamos nos referindo às pessoas “sem estudo”. Na maioria das vezes essa falta de qualificação é ética, moral, é falta de senso crítico (apreciar e julgar com ponderação e inteligência).
Você pode pegar uma pessoa que não tenha feito curso ou graduação em gestão de pessoas, mas provavelmente essa pessoa poderia assumir um clube e saber cuidar desta parte com muito mais qualidade do que alguém que estudou e se gaba de estar naquela posição.

Não estou afirmando que o estudo não seja importante. Ele é importante sim, mas de nada adianta tê-lo se você não souber tomar e analisar situações que acabam indo além dos aspectos teóricos que você adquiriu na faculdade, cursinho ou na sua especialização.

Para trabalhar com futebol feminino é preciso ter feeling (sentir a situação, ter percepção para entender, perceber coisas que outros não percebem, e saber tomar a melhor atitude para tal situação).

Aplico isso ao futebol feminino, mas isso se enquadra em muitas outras modalidades esportivas, empresas e no relacionamento diário, na vida de cada um!

Onde está o bom senso de diretores que recusam patrocínio por não gostar da pessoa que foi oferecer R$80mil por mês ao clube ou por “achar pouco”? Onde está a ética de escalar atletas por amizade e não por mérito do esforço do treinamento diário? Onde está o senso crítico de um profissional que dispensa uma jogadora de 13 anos por achar que ela, com 1,64m, têm baixa estatura?

Onde está o feeling dos profissionais de federações e da confederação em perceber que as coisas não estão caminhando como deveriam, associada ao bom sensoe a ética de que é preciso fazer muito mais ao invés de se preocupar apenas em ganhar aquele dinheiro mensal?

Sabemos que existe uma série de fatores que precisam mudar no futebol feminino brasileiro, mas provavelmente a qualidade (ou falta de) dos profissionais que ocupam altos cargos na modalidade seja o fator determinante entre a evolução e a mesmice em que a modalidade vive há décadas.

Ser gestor vai além do conhecimento! Muitas vezes passa pelo bom senso, ética, gostar do que faz e saber “ler” e entender as pessoas!

Comentários

  1. Parabens Edu, vc como poucos tem uma visão exemplar e fiel do que acontece com o futebol feminino, esse seu artigo, e a mais pura realidade do que acontece com o futebol feminino e sendo assim o real motivo dessa categoria não decolar além de outro item muito importante que é a falta de união das atletas que hoje só penam em si.Falo com conhecimento de causa, pois minha filha passa por todas as situações aqui colocadas por vc.
    Mais uma vez parabens e continue assim.

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