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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

Gestão e Planejamento no Futebol Feminino: O Desporto visto como negócio



Boa quinta-feira a todos! Como muitos já sabem me chamo Eduardo Pontes e estou aqui toda quinta falando sobre futebol feminino.
Hoje irei abordar alguns aspectos da gestão e planejamento no futebol feminino e vamos começar tocando em na questão do trabalho do técnico de Seleção. Darei também exemplos de planejamento e de ações de marketing.
Técnico da Seleção deve ser técnico apenas da Seleção?
Na era Kleiton Lima houve grande questionamento pelo fato do técnico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino acumular a função de técnico pelo clube em que trabalhava paralelamente com o cargo de técnico da Seleção. Enquanto isso, no futebol masculino, este acúmulo de funções não acontecia.
O técnico da Seleção masculina, ao aceitar o cargo da CBF, abria mão do trabalho em seu clube e se focava no planejamento e trabalho com a camisa canarinho.
E o que é certo?Vou expor aqui minha visão global como gestor esportivo e em cima dessa questão, aos poucos, entrarei na gestão e planejamento da modalidade e a necessidade de ver o esporte como negócio.
Quando o técnico é convidado a se tornar o técnico da Seleção de seu país cabe a ele fazer duas escolhas: Aceitar ou declinar do convite.
Caso aceite o correto é abrir mão de um trabalho paralelo como técnico. Assim o profissional poderá fazer um planejamento e discuti-lo com a CBF. Traçar metas e objetivos, cronograma de trabalho e ainda dedicar-se à avaliação de atletas em equipes por todo território nacional e até fora dele.
O COMPROMETIMENTO é peça FUNDAMENTAL para que o trabalho seja bem conduzido e os resultados esperados, traçados durante o planejamento junto à confederação, sejam alcançados. Para que resultados sejam alcançados a dedicação exclusiva à Seleção deve ser adotada, até mesmo por questão de profissionalismo.
E o gestor?Um gestor visa resultados a curto, médio ou longo prazo.
Falando de futebol feminino, prefiro o planejamento de longo prazo. Mas independente do prazo, disse e repito, é necessário COMPROMETIMENTO do profissional, seja ele técnico ou dirigente.
Código de ética e planejamento: 
Primeiramente devemos concordar que falta a várias modalidades desportivas no Brasil que sejam vistas por seus gestores com NEGÓCIO.
O esporte deve ser gerido como uma empresa e, obviamente, planejado como tal. Logo toda instituição Desportiva deve ter um CÓDIGO DE ÉTICA.
Código de ética é um instrumento que visa a realização dos princípios, visão e missão da empresa. Serve como ponto de orientação para deixar clara a posição da empresa perante seus diferentes públicos. Seu conteúdo deve ser refletido nas atitudes das pessoas tendo apoio na administração da entidade que deve ser respeitado e vivenciado tanto pelo empregado mais antigo quanto pelo mais novo contratado mostrando o que deseja fazer e o que espera de cada um dos funcionários.
E o planejamento?
Em uma confederação (e também em clubes) deve existir um planejamento bem definido, de longo prazo, sucinto, onde qualquer técnico, preparador e até mesmo um novo diretor que assuma por algum motivo no meio da caminhada, seja capaz de compreender os objetivos e tocar o negócio dali em diante. Tudo deve estar bem definido em todo organograma da entidade e as responsabilidades de cada área bem dividida e atribuída (Diretoria de Seleções, Marketing, Financeira, Competições, etc.).
O planejamento deve ser realizado desde a base até a equipe principal e deve envolver todos os aspectos da gestão e marketing.
Deve ser organizado um calendário com todas as competições a serem realizadas nas equipes sub-15, sub-17, sub-20 e adulta. Posteriormente deve-se definir como será a preparação de cada categoria no decorrer do ano.
EXEMPLO: Veja como eu faria o planejamento básico da confederação para a Seleção de Futebol Feminino na temporada 2012 atentando as observações. (descrição apenas do primeiro ano de planejamento)
ANO -2012:
  • Quantos e de onde são os clubes de futebol trabalham com cada categoria;
  • Quantas jogadoras estão em transição entre as categorias;
  • Calendário de competições nacionais, regionais e estaduais de cada categoria;
  • Como serão observadas as jogadoras, quando e quem será o olheiro;
  • Datas das competições oficiais da Seleção;
  • Melhores datas para amistosos;
  • Locais dos amistosos; *
  • Criação de página personalizada para o futebol feminino dentro do site da confederação contendo todos os dados citados acima e com notícias constantemente atualizadas sobre clínicas de futebol e afins;
  • Tempo necessário e datas de preparação de cada categoria na Granja Comary;
  • Datas das convocações para amistosos;
  • Datas das convocações para competições oficiais;
  • Metas de cada Seleção por categoria, competições e definição de premiação individual e/ou coletiva da comissão técnica;
  • Criação de clínicas de técnicos para aperfeiçoamento técnico e tático (e observação);
  • Data e local onde serão realizadas as clínicas;**
  • Avaliação de desempenho dos técnicos e comissão técnica, batimento de metas da comissão técnica de cada categoria de acordo com o plano de negócios. (Verificar a necessidade de manter o cronograma ou realizar correções no planejamento);
  • Análise de desempenho anual das atletas convocadas (pontos fortes, fracos, o que pode melhorar). FIM DE TEMPORADA
*QUANTO AOS LOCAIS DOS AMISTOSOS: Quando em território nacional a Seleção irá visitar pelo menos uma escola das proximidades de onde será realizado o amistoso no intuito de disseminar a imagem do futebol feminino nas escolas. Haverá entrega de brindes nas escolas (tipo de brindes a serem definidos com o marketing) e matéria para a página personalizada da modalidade;
** QUANTO ÀS CLÍNICAS PARA TÉCNICOS FUTEBOL FEMININO: Clínicas para formação, aperfeiçoamento e observação te técnicos de futebol realizadas em conjunto com as federações certificada pela CBF;
O ideal de um planejamento de longo prazo é que ele tenha um prazo estipulado de 4 a 5 anos, seja ele no clube ou na confederação.
Com um planejamento parecido com este que demonstrei a entidade consegue definir claramente datas e ações de marketing que podem ser adotadas.
  • No caso do clube (se este já tem equipe sub-17, sub-20 e adulto), a partir do 1° ano de projeto deve ser criada ou melhorada sua página oficial;
  • No 2° ano o clube pode criar sua escolinha de futebol feminino;
  • A partir do 3° ano é possível expandir e até transformar a escolinha em franquia dentro do bairro, cidade ou estado. Pode ser criada também uma loja física e uma loja virtual vendendo produtos da equipe;
  • No 4° ano é possível criar competições entre as escolinhas/franquias com nome e marca dos patrocinadores. O clube pode (e deve) ainda desenvolver um canal de transmissão dos jogos da sua equipe dentro da página oficial do clube;
  • No 5° ano o projeto deve ser analisado e devem ser planejados mais 5 anos de planejamento. Em 5 anos o clube terá, pelo menos, triplicado sua receita, conquistado novos patrocinadores, ter sido campeão de no mínimo 3 campeonatos estaduais, 2 Copas do Brasil e 1 Copa Libertadores, sem contar o fato de virar referência na formação de atletas, convocações e transações internacionais na transferência de atletas.
No caso de um clube que esteja montando sua base o planejamento é ainda bem parecido, mas deve começar pelo planejamento de uma equipe sub-17 e adulta (por exemplo) bem como toda estrutura física existem ou não. Avaliação externa das ameaças e oportunidades, avaliação interna forças e fraquezas da instituição, criação da estratégia, avaliação e implementação da estratégia.
Não é difícil, basta querer! Dá retorno e pode ser muito lucrativo!
Este é um assunto bem longo, mas creio que a exemplificação no decorrer do texto tenha possibilitado a muitos ter novas ideias de planejamento e ações de marketing no futebol feminino.

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