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O maior produto de um clube é sua camisa e sua história

Essa semana, durante um almoço, falávamos sobre futebol, a gestão deficiente no Brasil e me fizeram perguntas interessantes relacionadas ao Flamengo.

A sessão de perguntas começou assim: 

- O que falta para um clube como o Flamengo melhorar?

Respondi: Falta um gestor sério e que tenha pulso firme e que tenha foco em fazer o seu trabalho e não em se promover.

- Ah, mas e no caso do Ronaldinho?
Minha resposta: Simples! No primeiro ato de indisciplina ou má conduta o jogador é advertido, na reincidência do ato o jogador é multado e treina em separado. Caso haja o terceiro ato, jogador é demitido por justa causa, tem seu contrato rescindido e paga a multa do contrato, que muitos nem imaginam o quão alta é. E ainda, se for preciso exponho na imprensa os atos de indisciplina deixando bem claro que o clube não é lugar de atleta que não respeita a camisa.

- Ah, mas aí você estaria expondo o jogador que é o maior produto do clube e desvalorizando o atleta. Como gestor você não acha que isso seria ruim para o clube?

Com convicção disse: Claro que não! Ruim é o clube não ser respeitado! Um clube que é bem visto por sua gestão atrai investidores, então eu não teria o menor problema em demitir o Ronaldinho Gaúcho, por exemplo. Prefiro ter um clube que tenha o respeito das pessoas do que um atleta de nome que, infelizmente, só atrai coisas negativas para a sua imagem.

O amigo e “entrevistador” concordou, continuamos o almoço e outros papos vieram em pauta, mas vamos nos ater ao futebol.

O que podemos observar desse bate papo é que sabemos da dificuldade de um gestor de pulso e caráter entrar em um grande time recheado de problemas e já chegar fazendo a diferença. O problema não é ele fazer sua função, mas sim de alguém com um perfil diferenciado assumir tal cargo.

E o fato de jogador ser “o maior produto do clube”?

Amigos, jogador não é o maior produto do clube nem aqui, nem em lugar nenhum. O maior produto de um clube é sua história, sua camisa e sua tradição! Atletas revelados, sócio torcedor, estádio, tudo isso são apenas subprodutos provenientes da essência do que é o clube.

Nenhum jogador, dirigente, ex-atleta, presidente, empresário ou título de competição é maior do que o clube.

Quanto ao clube este é uma marca e deve ser gerenciado como uma empresa. Ter um código de conduta, missão e visão bem definidos, um leque de subprodutos como os planos de sócio torcedor, a formação e venda de atletas formados no clube, a venda de camisas e outros produtos licenciados, etc.

Jogador e dirigentes devem ser tratados como um funcionário “qualquer”, com metas a cumprir, salário fixo e premiação por objetivos alcançados.

Muitas pessoas irão ler isso aqui e indagar que isso não é tão fácil, que não é bem assim ou que isso nunca vai acontecer. Eu afirmo que é possível, sei que não é fácil, mas com uma pessoa de caráter, valores e que saiba usa aquilo que muita gente não consegue (a inteligência), mudar a cara de um clube se torna totalmente capaz.

Infelizmente, no Brasil, a paixão nacional é muito mal administrada e está muito aquém de seu potencial e a culpa é dos dirigentes e gestores.

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