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Futebol Feminino e Gestão


[texto publicado dia 05/07 no site voagoleiro.com]
Olá amigos e amigas do Voagoleiro.com!

O texto de hoje foca no tema Gestão! São muitas coisas que podemos abordar e observar do futebol feminino brasileiro que são relacionadas à sua gestão, ou a falta dela, então hoje o foco é a gestão, o papel de um gestor, o que é gestão esportiva e como é a gestão do futebol feminino no Brasil!

Então vamos lá!

O que é gestão?
Gestão significa gerenciar/administrar uma instituição, empresa, pessoa ou negócios com o objetivo de fazer este crescer com um objetivo e de forma organizada.

E o que seria Gestão Esportiva?
O conceito de gestão esportiva não é muito diferente do conceito de gestão e compreende funções de planejamento, organização, direção e controle no contexto de uma organização com o objetivo de prover atividades esportivas e de fitness, bem como produtos e serviços. Isso envolve a gestão de pessoas, arenas, eventos, clubes, academias, entidades de administração esportiva como federações e confederações, e afins.

No Brasil quem é responsável em cuidar da gestão do Futebol Feminino nacional?
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Esta é a entidade máxima de administração do desporto no “país do futebol”.

E no que pensamos no Brasil quando falamos em gestão do futebol feminino?
Vemos a falta de organização, falta de preocupação com o bem estar do ser humano (atletas), falta de apoio, falta de preocupação com a formação da base, falta de preocupação com a profissionalização da modalidade, falta de cumprimento dos direitos trabalhistas e vínculos empregatícios. Enfim, são muitas faltas que poderiam ser enumeradas e discutidas aqui, uma a uma, mas estamos aqui para exemplificar e fazer compreender o universo da gestão envolvendo o Futebol Feminino brasileiro, de uma forma simples e objetiva. Logo podemos definir a gestão do futebol feminino brasileiro como inexistente ou insuficiente.
E quais as qualidades necessárias a um gestor esportivo?
Um gestor esportivo deve saber agir, o que fazer e como fazer, saber mobilizar recursos, ser comunicativo e saber se expressar, saber aprender com os outros e com as circunstâncias do dia a dia, saber escutar, saber empreender, assumir riscos e responsabilidades, ter visão estratégica conhecendo o negócio, o ambiente, reconhecendo oportunidades e alternativas e buscando sempre a evolução do seu negócio/modalidade sem pensar em benefício próprio. Alguém que entenda não só de negócios, mas também de pessoas!

Qual a formação de um gestor esportivo? O que é necessário?
Um dos principais aspectos para ser um gestor esportivo é conhecer e entender do desporto com o qual pretende trabalhar, ter o conhecimento acadêmico, mas principalmente saber guiar-se pela ética, bom senso e pelo saber ouvir, compreender e se colocar no lugar das pessoas analisando todas as situações antes de tomar uma decisão.
Além das graduações que se encaixam nos negócios do esporte como administração, educação física, marketing e outros, existe uma série de cursos de especialização e Pós-graduação em Gestão Esportiva, muito interessante e válidos para quem quer ingressar ou já está neste ramo, afinal aprender e se atualizar é sempre importante. Porém, a formação acadêmica é importante sim, porém a formação ética e moral do gestor fala ainda mais alto.

E o que esperar de um gestor esportivo?
As atletas e profissionais do futebol feminino devem esperar sensatez, cobranças de rendimento, desempenho e objetivos a serem alcançados. Deve-se esperar também o cumprimento de contratos e da PALAVRA do gestor. Cabe a este também instruir as atletas sobre seus direitos e deveres, fato que não ocorreu e não ocorre no Brasil. Jogadoras não sabem seus direitos e não sabem a força que tem. Estando instruídas podem e devem ser devidamente cobradas por suas atitudes, afinal são profissionais. Não adianta um gestor cobrar algo que as jogadoras não têm conhecimento ou algo que o clube/entidade ou gestor também não cumprem. “Só posso cobrar aquilo que eu também faço!”.

Temos hoje no Brasil gestores qualificados ou com este perfil no futebol feminino?
Hoje este perfil de gestor moderno ainda é algo raro no mercado, seja no futebol ou em outras modalidades desportivas, porém uma tendência. Ou os gestores acompanham a evolução do mercado e crescem junto com ele ou abrem espaço para novos gestores que estão se enquadrando neste perfil.

E a idade do gestor, influencia na qualidade de seu trabalho ou isso é mito?
A vivência dentro do desporto e o conhecimento do mesmo total ou parcialmente se fazem necessários, mas isso não quer dizer que um gestor considerado “novo” por questões de idade e vivência na área da gestão esportiva não possa fazer um bom trabalho. Se idade e tempo de trabalho no meio fosse sinal de competência e qualificação, o futebol feminino brasileiro não estaria estagnado há mais de três décadas. Então, idade não tem a ver com competência.

E qual é o erro mais comum cometido pelos gestores esportivos no Brasil?
Um erro muito comum é pensar pequeno ou ainda pensar em si mesmo! Um gestor não está em uma entidade para pensar em si, mas para fazer o seu trabalho da melhor forma a fim de atingir metas qualitativas e quantitativas que façam seu negócio evoluir. A evolução financeira e pessoal de um gestor deve ser única e exclusivamente o reflexo do seu trabalho sendo bem feito. O foco não é ele gestor, e sim a modalidade/entidade esportiva na qual ele trabalha.

Temos modelos de gestão do desporto no Brasil que poderiam ser exemplos para o futebol feminino?
A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) é o melhor exemplo a ser seguido. Uma gestão tão perfeita que é exemplo para o mundo todo no desporto voleibol e que gera elogios na Federação Internacional (FIVB) e é o sonho de diversas potências no vôlei mundial. No Brasil a Confederação Brasileira de Basquetebol (CBB) já copia este exemplo e vemos a força que o Novo Basquete Brasil (NBB) e toda a modalidade (tanto no masculino quanto no feminino) vêm ganhando.  A CBF poderia copiar este exemplo de gestão e administração de negócios do esporte da CBV. O sucesso no futebol masculino e feminino seria garantido, bem como os retornos de imagem, formação de base e financeiros para a entidade e a modalidade de uma forma geral.

A gestão esportiva ensina que todo desporto deve ser tratado pelo gestor como um negócio e é o que a CBV faz com o vôlei. E como eu, Eduardo Pontes, vejo o negócio futebol feminino brasileiro?
O futebol feminino brasileiro é um celeiro de talentos. Hoje o país deveria ser a excelência mundial da modalidade, mas ainda encontra-se muito abaixo do necessário. Não temos campeonato brasileiro de futebol feminino, não temos produtos esportivos para consumo nas lojas, não exploramos a imagem das nossas atletas. Não criamos ídolos e não introduzimos a prática e cativamos os jovens desde a infância a ver, compreender e gostar da modalidade.
Se hoje acham que o futebol feminino não dá retorno é porque ainda não investiram e planejaram o desenvolvimento da modalidade! Não adianta eu ter uma terra fértil e querer lucrar plantando, colhendo e vendendo café se eu não plantar antes. E antes da plantação se faz necessário cuidar da terra e prepara-la para receber as sementes.
A mesma coisa com o futebol feminino: Não posso colher frutos, se não cuido e invisto para que modalidade cresça e me possibilite colher. Raros são as pessoas e entidades esportivas que trabalham para que as coisas aconteçam! Não adianta querer, tem que fazer e de forma planejada!

As idéias, produtos e possibilidades, e oportunidades para o futebol feminino são vastas! Falta apenas uma coisa: QUERER FAZER DIFERENTE!
Eu sou Eduardo Pontes! Aquele abraço e até a próxima matéria! Deixem seus comentários, críticas e sugestões! Serão sempre bem vindos!

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