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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

Futebol Feminino: Falta proximidade entre profissionais das Seleções e clubes, e quem paga são as atletas.

No futebol feminino brasileiro falta um contato mais próximo entre a Seleção Brasileira e os clubes, mas principalmente entre os profissionais das seleções de base e principal com os clubes que mantém equipes de futebol feminino nos quatro cantos do país.

Outra questão é que se torna cada vez mais comum vermos atletas sendo convocadas por serem polivalentes, ou seja, por atuarem em mais de uma posição. Isso é algo interessante por possibilitar a improvisação de uma atleta em caso de necessidade durante uma competição, porém chega a ser ridículo você convocar uma jogadora para atuar fora de sua posição.

Ao meu ver, as atletas devem se convocadas pelo que rendem em seus clubes nas suas posições de origem e devem ser improvisadas apenas em casos de necessidade, ou seja, em última instância, até porque não é toda atleta que tem a capacidade de atuar em mais de uma posição com qualidade, mesmo sendo tecnicamente boa.

Qual a lógica de você convocar uma jogadora que sempre atuou como lateral esquerda e então colocar ela para atuar na posição de meia direita ou volante, ou ainda colocar uma zagueira para jogar de lateral? Claro que para a atleta o que vale é jogar e então ela acaba "abaixando a cabeça" e, mesmo não se sentindo bem na posição, joga como lhe foi solicitado ou imposto! Não é correto aceitar isto, mas é compreensível quando nos colocamos no lugar das jogadoras para analisar este tipo de atitude onde há muita coisa envolvida.

Quanto a esta questão de posição é bem diferente você olhar uma atleta no clube ou escola de futebol e ver que tem talento para jogar em outra função e aí propor a ela um teste de jogar em uma outra posição mostrando a ela que realmente pode fazer aquilo ou que terá um rendimento melhor, desenvolvendo assim em parceria com a atleta as habilidades que são necessárias e que com certeza ela já tem e precisa apenas aperfeiçoar. No clube/escola você tem tempo para isso, já numa Seleção não é o melhor momento ou lugar para realizar estes tipos de teste!

Essa falta de contato entre os profissionais da Seleção com os clubes de futebol feminino é um fator que acaba estando diretamente relacionado a essa 'falta de noção' e a ideia de fazer 'testes' com as atletas no momento errado. Se os profissionais das Seleções realmente conhecessem as jogadoras que estão sendo convocadas e o trabalho em seus clubes isso não seria necessário. 

Isso talvez ocorra pela falta de uma política eficaz de observação de atletas em território nacional e internacional, mas em alguns muitos outros casos essa 'falha' se dá pela falta de preocupação dos profissionais envolvidos, e em outras vezes a falha ocorre pela famosa 'panelinha' que é comum mas não vamos falar desta infeliz prática.

Então, vamos voltar a falar da falta de proximidade de profissionais de seleções e clubes!

Quantos técnicos de Seleções femininas ligam para os clubes e sondam situações de atletas, comenta sobre perfil que está sendo procurado para uma futura convocação? Quantos preparadores de Seleções entram em contato com os preparadores físicos de clubes para saber como está sendo feito o trabalho e como está o rendimento físico e características de possíveis convocadas? A mesma coisa vale para os preparadores de goleiras, que não entram em contato com os respectivos profissionais dos clubes para assim inteirar-se de como estão as goleiras, quem são as promessas, quem está dentro de um perfil e até quem tem trabalho de goleira ou não!


Muitas vezes os expectadores julgam as atletas e criticam individualmente os rendimentos delas, quando na verdade a culpa é dos profissionais envolvidos! Existe a necessidade de mudança, de ver a modalidade e se importar com o futebol feminino e com as atletas de uma forma diferente, principalmente quando falamos de base, mas isso também aplica-se a equipe principal.

O que custa a um técnico, preparador de goleiras, preparador físico, nutricionista ou fisiologista visitar clubes famosos ou clubes de menor expressão e disseminar mais conhecimento de forma gratuita e assim também poder observar novos ou 'antigos' e ainda não observados talentos?

Claro que por não existir uma política eficaz de observação isso acaba sendo dificultado, mas por que não gastar um pouco de combustível para ganhar umas horinhas em prol do futebol feminino brasileiro? Por que não realizar algumas ligações para profissionais de clubes e se inteirar de como andam as coisas? Se não dá pra ir até o clube, não custa pedir para receber um vídeo de treinos para poder fazer alguma consideração!  Fazer isto não é perder tempo, é ganhar! 

É necessário observar mais, é necessário deixar o ego de lado e pensar mais na modalidade, é necessário buscar aprender sempre pois nenhum profissional da modalidade sabe tudo, é preciso conhecer melhor as jogadoras, seus clubes, suas posições e suas formas de jogar.

É necessário convocar por méritos e rendimento na posição de origem, se preocupar em retirar das atletas o seu máximo potencial na posição que ela atua no clube e, acima de tudo, se preocupar em preservar as atletas para que não fiquem ouvindo críticas duras quanto a seus rendimentos, quando isto na verdade deveria ser cobrado dos seus 'comandantes'.

O futebol feminino sofre com isso nas seleções de base e na principal! Ao meu ver trabalhamos de uma forma pouco eficaz e quem perde é o futebol feminino brasileiro.

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