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Futebol Feminino: A formação da base é a base

O futebol feminino brasileiro teve um ano de 2012 não muito bom! Nossas Seleções não apresentaram o futebol que estamos acostumados a ver e ficamos fora do pódio no Mundial sub-17 do Azerbaijão, Mundial sub-20 do Japão, e nos Jogos Olímpicos de Londres.

E quais seriam os motivos desses insucessos?

Muitas podem ser as respostas: A gestão, a organização (ou falta dela), a falta de investimento, falta de sorte, trabalho de base, entre outros. Todas estas questões estão interligadas, mas como eu estou acostumado a falar muito de gestão, hoje falarei de outro aspecto: A BASE!

E qual a importância da formação de atletas, da criação da base?

Foto ilustrativa: Universidade da California Greensboro
É na base que lapidamos o atleta e que promovemos a melhoria do seu desempenho motor e de suas valências físicas e técnicas. Essas chamadas habilidades motoras uma vez aprendidas podem ser influenciadas por fatores psicológicos, fisiológicos ou ambientais (Magill). É através da base e da prática orientada que o atleta vai conhecendo melhor seu corpo, seus limites, aprende como "bater na boa", qual a melhor forma de se posicionar, etc. 

Claro que com a prática do futebol, das brincadeiras da fase de infância, dos piques, golzinhos e afins o atleta já chega à uma equipe sub-15, por exemplo, com uma carga de aprendizagem motora, porém, como dizia Piaget "o conhecimento já vem de dentro, mas pode ter a interferência de fora", e aí entra o trabalho de base, que se bem feito, irá influenciar aquilo que já foi aprendido de forma positiva e auxiliando no aperfeiçoamento e aquisição dessas habilidades.

A base serve também para a observação e aperfeiçoamento dos profissionais que trabalham com o desporto. Esses devem ser escolhidos a dedo pelo clube ou entidade de prática/administração desportiva prezando a formação, trabalhos realizados, desempenho de trabalhos anteriores e acompanhamento deste trabalho anterior de perto para que se possa tirar conclusões e se defina a contratação ou não dos profissionais que serão os responsáveis pelo aprimoramento destes atletas.

Muitas jogadoras conhecidas não tiveram a oportunidade de desenvolver-se ciclo a ciclo, passando pelas categorias de base em seu tempo certo e caminhando assim até chegar a uma seleção principal. Na verdade, a grande maioria das mulheres que jogam futebol no Brasil não tem esta oportunidade, exatamente pela falta de clubes e até de uma política de desenvolvimento e massificação da modalidade no país. Com isso, jogadoras de 17 anos de idade chegam até a Seleção sem dominar os fundamentos básicos necessários e aí, o profissional que está à frente da Seleção necessita "perder tempo" e ensinar estes fundamentos quando na verdade esta carga de habilidades deveriam chegar prontas (ou o mais perto disso) e o treinador deveria apenas fazer um "ajuste fino"! Isso vale não só para as habilidades técnicas/táticas, mas também as questões físicas.

Em países como Canadá, EUA, Japão, entre outros, temos uma preocupação com a formação de base, ou pelo menos um trabalho realizado em escolas e ligas que possibilitam as atletas ter essa vivência necessária para a sua evolução. 

A base não é responsável apenas pela formação física, técnica e tática do atleta, mas também é responsável por sua formação moral e psicológica! Se você é cercado de pessoas que são exemplos de conduta, moral e bons costumes, você consequentemente e naturalmente adquiri estas características.

Não se pode ter uma equipe adulta vencedora se você não tem uma base qualificada e preparada para suprir as necessidades e aguentar as responsabilidades de chegar a uma equipe principal. Uma base bem preparada proporciona anos de gerações vencedoras, proporciona peças de reposição e aumenta a qualidade e a competitividade (que é algo saudável) para a evolução de qualquer equipe.

Por exemplo: O que faremos quando a jogadora Formiga se aposentar? Teremos alguma jogadora com característica para suprir não as habilidades, mas o papel que esta atleta exerce no clube onde atua e na Seleção Brasileira?

E quando a meio campista Sissi parou de jogar, tivemos alguma atleta com suas características e a qualidade/domínio dos fundamentos que ela apresentava?

Sem base não há renovação e sem renovação criamos lacunas no nosso futebol feminino, e de tempos em tempos teremos naturalmente uma queda de rendimento comparado aos demais do mundo do futebol feminino.

Precisamos pensar na base a médio e longo prazo se realmente quisermos um dia alcançar a medalha de ouro olímpica e alcançar o topo do futebol feminino mundial. Existe alguns poucos clubes que realizam este trabalho, porém nestes que já trabalham pensando na base muita coisa ainda pode ser melhorada, muita mesmo!

E como sempre, este não é um problema isolado do futebol feminino. Sempre cito a modalidade por ser meu foco, mas este texto, como muitos outros, são válidos para diversas modalidades do desporto brasileiro.

Comentários

  1. Boa tarde Eduardo Pontes,

    Concordo que o correto seria pela base, o próprio nome já diz, mas o futebol feminino está carente em todos os pontos citados, e acredito que sem o apoio da CBF fica muito difícil evoluir esta modalidade.
    Porém, sou uma pessoa persistente e tenho esperanças que este cenário possa mudar.
    Moro em Piracicaba e descobri no final de 2012 a Liga Mundial de Futebol de Base, e esse ano eles estão com planejamentos para participar do campeonato da LINAF e montar as equipes femininas de base e categoria livre.
    Caso tenha seja possível divulgar aqui, vou passar o contato:

    Helen Mathias
    LIGA MUNDIAL FUTEBOL DE BASE
    Coordenadora de Serviços Administrativos
    Fone (19) 3041-3674 / (19) 2532-1126
    R: São José n°923 Centro Piracicaba.
    Facebook: Liga Mundial

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