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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

Futebol Feminino: Não adianta apenas pensar à nível de Seleção.

Muito se fala em renovação na Seleção Brasileira de Futebol Feminino no sentido de possibilitar que  atletas menos conhecidas tenham a oportunidade de vestir a camisa e servir à seleção nacional.

Porém, muitos outros fatores necessitam ser observados e levados em consideração caso se queira realmente fazer uma seleção forte.

No Brasil não temos a cultura de observação de atletas em todo território nacional. Técnicos da Seleção geralmente convocam atletas dos times mais conhecidos e até pedem opinião para atletas de sua confiança sobre que atleta teria condições de servir à seleção.

Falta planejamento à nível estadual, regional e nacional para o futebol feminino, que deveria ser feito pela entidade de administração do desporto no país, o que dificulta a formação de novas atletas e o desenvolvimento da modalidade pois é a base e os clubes que formam atletas e lapidam os talentos para que cheguem à seleção com qualidade. 

Falta também um processo de observação eficaz, ou diria que falta de fato OBSERVAR e se não somos capazes de observar clubes e competições em todo país, além de não estimularmos os clubes e dirigentes a fazer um trabalho mais sério e de qualidade, nunca oportunizaremos de verdade uma renovação plena e assim, sem observar perdemos talentos que tem grande potencial e talvez nunca poderão mostrar isso ao país e ao mundo.

Ainda falando de renovação e observação, acredito que não possamos deixar de observar atletas brasileiras que atuam no exterior, como nas Ligas Universitárias dos Estados Unidos. Toda atleta brasileira deve ter ao menos a esperança de jogar pela seleção afinal todas tem este direito, porém se não forem vistas porque no país falta uma política de observação bem definida, estaremos tirando delas algo que lhes pertence e mantendo a visão de que o futebol feminino brasileiro não tem jeito.

A não observação de atletas à nível nacional e internacional são reflexo da falta de um planejamento global para a modalidade.

Não adianta apenas pensar à nível de Seleção. Se quisermos chegar ao topo do mundo, precisamos pensar na base base, nas atletas, seus direitos trabalhistas, nos clubes (direitos, deveres, benefícios,etc), nas papel das federações estaduais, nos estados, nas regiões do país, no país como um todo e aí sim criar critérios, formas de trabalho, pensar e criar campeonatos de base, calendário nacional, observação dos profissionais dos clubes (conduta, trabalho, resultados,etc), objetivos do planejamento, cobranças e períodos de avaliação e reavaliação do planejamento e só aí poder pensar em Seleção Nacional.

Chegar ao topo não depende apenas de como se pensa no nível de seleção, pois focar em um "trabalho temporário" para competição A ou B em nada muda a situação do futebol nacional e é sem um futebol nacional forte não se pode ter uma seleção realmente forte, seja na base ou na principal. 

É nos clubes que se formam e lapidam as jogadoras, seu caráter, seu conhecimento e entendimento de situações, formas de trabalho, disciplina dentro e fora dos gramados, qual a função de cada posição de jogo e esquemas táticos, movimentação, etc, fatores que já precisam chegar amadurecidos à nível de seleção. E quando esse amadurecimento não ocorre se perde tempo para corrigir fatores que deveriam ter sido trabalhados durante toda formação da atleta que deveria ocorrer a partir dos 14 anos, pelo menos.

Vale lembrar que a culpa de não chegar com qualidade à Seleção não é culpa da atleta e sim da falta de planejamento nacional do futebol feminino como um todo. Temos atletas muito habilidosas, mas que precisam aprender muitas outras questões.

Não planejar é "dar um tiro no pé" ou apenas confirmar uma falsa demonstração de preocupação com a modalidade onde se diz preocupar, mas no fundo pouco se faz para que a medalha de ouro se torne realidade.

E mesmo que planejar a seleção dê certo e consigamos a tão sonhada medalha de ouro, dentro de alguns anos teremos uma queda natural de rendimento e aí teremos que repensar novamente a seleção. 

Não é melhor planejar a modalidade como um todo e ter um ciclo contínuo de atletas talentosas, de peças que possamos utilizar na seleção sem que o rendimento seja reduzido e na verdade até mesmo proporcionando que o rendimento somente cresça, afinal trabalhamos atletas desde jovens para servir à seleção?

Como falei antes, de nada adianta pensar apenas em seleção! O que abastece nosso selecionado nacional são clubes, é a base e sem desenvolver isso, estaremos apenas entre as melhores do mundo, mas nunca seremos de fato as melhores do mundo, estando no topo e sendo reconhecidas como exemplo a ser seguido.

Exemplo a ser seguido é exatamente o que não somos hoje.

Comentários

  1. Concordo plenamente, agora de toda forma seleção é vitrine, quer queira ou não é a parte visível do nosso FF e decaímos muito de Pequim para cá também pela péssima preparação que foi feita para seleção , como sempre diga-se de passagem, e também por uma falta de renovação que poderia ser feita.
    Apesar de todos os nossos problemas estruturais e isso também sempre ressalto, dava para fazer melhor com o que temos na mão.

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