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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

GESTÃO ESPORTIVA - Futebol feminino: Uma modalidade deve ser pensada como um todo


Nenhum modelo de gestão esportiva é perfeito para sempre. Chega uma hora que deve ser refeito, repensado e modificado. (No caso de muitas modalidade ele chega uma hora que ele precisa ser criado, pois vemos muitas coisas que não são aceitáveis.)

A situação do Vôlei masculino hoje, onde a equipe do Campinas anunciou que encerrou suas atividade e equipes como Florianópolis, Vôlei futuro, São Bernardo e mais uma grande equipe não devem participar do próximo ano da competição ratificam isto.

O planejamento esportivo sofre interferências de diversos fatores e tudo isso deve ser levado em consideração ao pensar no presente de uma modalidade e visar seu futuro.

Espero que essa situação seja revertida, e nada melhor do que a CBV sentar com estes clubes e conversar. Entender suas dificuldades e fatores que os motivam a não dar prosseguimento em suas atividades e auxiliar os clubes e a modalidade em criar ferramentas que possibilitem a manutenção das equipes.

Claro que as equipes também não podem se acomodar e esperar só a Entidade de Administração Desportiva (EAD) fazer algo, pois vale lembrar que o comodismo dos envolvidos com esportes é um dos cânceres de muitas modalidades, e depois é fácil culpar A ou B pelo fracasso provocado pela inércia de cada um diante de situações.

Não é comum vermos a preocupação de EADs com os clubes, mas a verdade é que cada modalidade desportiva é responsabilidade de sua respectiva federação nacional que deve se preocupar em planeja-la desde a sua forma mais pura (esporte participação/lazer) até a sua forma mais complexa (alto rendimento) de forma que se pense no benefício de todos.

E o que acontece hoje no Brasil?

Vamos falar por exemplo do futebol feminino, e deixarei algumas perguntas para reflexão:

1-Existe preocupação por parte da entidade de administração com a massificação do esporte? 
2-Existe preocupação com a criação de campeonatos regionais e nacionais em diversas categorias que oportunizem aos clubes ter mais visibilidade, trabalho de base e consequentemente ter mais chances de um patrocínio?
3-Existe a preocupação em transformar o esporte atraente em todos as suas formas e transformá-lo em negócio rentável para atletas, clubes, federações e patrocinadores?
4-Existe hoje a preocupação com a formação de profissionais para trabalhar com a modalidade, através de clínicas em diversos pontos do país?
5-Existe um calendário organizado da modalidade pensando em todas as interferências de outras competições nas nossas competições nacionais e visando horários atraentes para transmissões de futebol feminino seja por TV ou internet?
6-Existe a negociação com TV, rádio e novas mídias para a cobertura do futebol feminino, onde desta negociação a entidade de administração repasse aos clubes estes valores quase em sua totalidade para que assim tenhamos projetos fortes desde a base que reflitam não só na qualidade das competições mas na qualidade das atletas que serão cedidas às seleções?
7-Existe fiscalização sobre os profissionais e cumprimento dos direitos legais e profissionais das atletas?
8-Existe a visão de que Seleção e a modalidade são coisas que se correlacionam, mas que são diferentes?

Enfim, o que quero dizer é que não adianta fingir pensar e dizer que algo se faz em uma modalidade. Não adianta querer fazer de conta que está fazendo algo e não ter, de fato, um planejamento coerente, de longo prazo, com metas de curto e médio prazo para que assim possa-se balizar e avaliar se o planejamento está sendo seguido e os objetivos estão sendo alcançados ou serão alcançados no longo prazo.

A modalidade é um todo e assim deve ser vista e pensada por nossos gestores esportivos, que pelo que vemos estão cada dia precisando de uma reciclagem, pois mesmo tendo bagagem profissional e estudo, acabam deixando a desejar.

Já falei muitas vezes e continuarei repetindo que 'planejar errado e não planejar acabam tendo o mesmo resultado', e que 'não importa a sua bagagem e conhecimento se você não souber ou não quiser transformar o saber em algo concreto que beneficie a modalidade como um todo e não somente uma meia dúzia de indivíduos'.

No caso do futebol feminino, estamos muito longe de uma ação concreta e não sou eu que falo, são as situações que acontecem à cerca de 30 ou mais anos, e que se repetem até hoje que comprovam e reafirmam tudo isso.

Claro que existe o comodismo de muitas pessoas que se preocupam mais com o próprio umbigo do que com a modalidade e este comportamento, que é um fardo, reflete diretamente no que vemos do futebol feminino hoje.

É óbvio que não dá pra fazer futebol feminino pensando apenas no próprio umbigo. O que está em jogo é o interesse de todos e por isso deve haver união para que a situação mude. 

Assim como não adianta pensar no próprio umbigo, não adianta pensar somente em seleção, não adianta pensar em lucro para apenas uma parte. Ou se pensa na modalidade como um todo ou o que vai acontecer é que por décadas e mais décadas continuaremos passando pelas mesmas situações e nada mudará.

Temos potencial, temos material humano de qualidade, temos a habilidade, temos a superação, mas nos falta  planejamento, ações e foco no todo e isso todo mundo sabe. O que espero é que mudanças comecem a acontecer e a modalidade cresça e que nossas meninas possam viver do desporto, estudar, visar um futuro melhor.

Se a coisa for feita da forma correta, todo mundo sai ganhando.

Comentários

  1. Temos potencial, temos material humano, temos a habilidade, temos a superacao e temos um GRANDE exemplo....www.ferassc.com.br...

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