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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

FUTEBOL FEMININO: Sem salários há 4 meses, atletas do COTP não entram em campo


As atletas da equipe profissional de futebol feminino do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa-SP não entraram em campo na primeira rodada do Campeonato Paulista 2013.

As atletas que, estão sem receber salários há 4 meses, decidiram que não entrariam em campo na primeira rodada da competição estadual e com isso o time entrou em campo com atletas da sua equipe sub-20.

É surpreendente que uma equipe com Maurine, Rosana, Erika, Thais Picarte, Debinha, Alline Calandrini, Luana, Gabi Zanotti e outras atletas de renome e de Seleção Brasileira passe por este tipo de situação por falta de patrocínio.

Em comparação a equipes de futebol masculino, o valor de patrocínio mensal necessário para que a equipe mantenha suas atividades que é de aproximadamente 80 mil reais, é muito pequeno.

Difícil crer que não exista nenhuma empresa disposta a associar sua imagem a uma equipe que seja uma das principais referências da modalidade e que ceda tantas atletas à Seleção Brasileira.

Vale ressaltar que elas estão no direito delas de não entrar em campo, uma vez que apesar de treinando, elas não estão recebendo salários. A Secretaria de Esporte fechou um patrocínio com um hospital, porém este valor não é suficiente para pagar o salário das atletas e consequentemente não é o suficiente para manter a equipe.

Além dos salários, outro motivo que pesou para que as atletas não entrassem em campo foi porque como a situação não esta definida, se jogassem acabariam fechando as portas para outros clubes já que se o nome da atleta vai para a sumula, não poderiam se tranferir para algum outro clube.

Mais surpreendente é a mídia que faz de conta que nada está acontecendo. O fato de uma das principais equipes de São Paulo e do Brasil ter entrado em campo com atletas sub-20 porque faltam empresas ou pessoas dispostas a investir em um esporte que possui tanto potencial quanto qualquer um outro?

Bombril, Nike, Adidas, Umbro, Topper, Embelleze, Havaianas, Gatorade, Ambev, SporTV, TV Bandeirantes, Rede Record, Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil, Natura, Boticário, Unilever, Sadia, Magazine Luíza, TAM, Azul linhas aéreas,  Oi, Vivo, Tim, Claro, Nextel, Lojas Renner, C&A, NET, Totvs, Lojas Americanas...

Enfim, temos milhares de marcas que poderiam muito bem patrocinar, bem como noticiar (no caso de veículos de mídia) o que acontece não só com o Centro Olímpico, mas também com o futebol feminino de um modo geral.

Qual o problema em falar? Medo, receio, desinteresse?

Acho que as empresas e a mídia de um modo geral, assim como federações estaduais e nacionais, bem como dirigentes devem se posicionar de vez sobre esta situação que o futebol feminino brasileiro vive há 30 anos e sobre qual a postura que estes tem em relação ao futebol feminino.

E no meio desse "mundão sem porteira" de tantas empresas e pessoas que gostam do esporte não exista nenhuma disposta a apoiar equipes de futebol feminino e a modalidade como um todo.

Comentários

  1. Infelizmente estas meninas são vítimas por gostarem de praticar um esporte que é predominantemente masculino. A grande maioria delas aprende a gostar de futebol vendo o futebol dos homens e se apaixonam pela modalidade assim como todos nós, brasileiros, somos fascinados. O futebol é um esporte apaixonante que independe de idade, etnia, credo ou classe social. Existe os amantes do futebol que gostam da modalidade e se contentam em assistir, debater e comentar (geralmente aqueles que não tem intimidade nenhuma com a bola). Também existe os que amam futebol, jogam seu futelbolzinho nos finais-de-semana (alguns jogando bem, outros nem tanto), mas não o praticam profissionalmente, pois possuem suas profissões que às vezes não têm nada a ver com futebol. E existe aqueles que adoram futebol e que querem viver do futebol, isso em qualquer parte do país, tentando uma chance num pequeno clube, participando de escolinhas, peneiras e sonhando em jogar num grande time profissional. Homens, que tem uma possibilidade, remota pra alguns, mas sim uma possibilidade de tentar viver profissionalmente do futebol e realizar seus sonhos, pois o futebol predominantemente masculino pode dar estas condições não pra todos, mas para aqueles que tem mais talento, sorte, enfim, uma série de coisas que colaboram na vida de um jogador profissional. Numa escala bem menor, mas muito menor em comparação ao sonho de muitos garotos, aparece as meninas que querem ser jogadoras de futebol. Para estas meninas um sonho também, mas um sonho infinitamente mais difícil de ser alcançado num esporte que queira ou não é predominantemente masculino, e que elas sabem disso. Não é proibido sonhar, mas ter os pés no chão de que o futebol, não que não seja pra mulheres, pois é pra qualquer pessoa que goste (e todos nós gostamos!). Mas estas meninas, ao escolherem viver do futebol no Brasil, tem que estar cientes de que dificuldades sempre irão existir. Se existe para os meninos, num país onde o futebol masculino é reverenciado e totalmente aceito, com todas as possibilidades que o futebol masculino ainda possa oferecer, imagina para as meninas? Elas são vítimas sim, da paixão que sentem por este esporte masculinizado, mas cientes da escolha que fizeram em relação a se viver profissionalmente desta modalidade. Que continuem jogando o seu futebol, que elas merecem, pois é sua paixão, que continuem disputando os seus campeonatos, que possam se realizar disputando as suas partidas, tendo o sabor de ganhar os seus títulos, mas não do ponto de vista que elas têm em relação ao futebol masculino. Que tenham suas profissões e que possam viver e se realizar profissionalmente em outras profissões. Que ganhem um salário simbólico, uma ajuda de custo para as suas despesas, mas que pensem numa outra profissão com a qual tenham a possibilidade de se sustentar, e que não tenham no futebol o seu único meio de vida. Estas meninas do Centro Olímpico, ao jogarem num clube da Prefeitura de São Paulo e terem um patrocínio no valor de R$40.000,00 se não me engano, em se tratando de um clube de estrutura pública, este valor não seria tão irrisório se elas tivessem suas outras profissões e não dependessem exclusivamente do futebol. Não se pode NUNCA querer comparar os valores pagos no futebol MASCULINO em clubes PRIVADOS num esporte, onde digo mais uma vez, predominantemente masculino, com os valores destinados ao futebol feminino, onde os clubes PRIVADOS não mostram interesse em querer ter em seu plantel. Futebol Feminino ainda não dá lucro no nosso país, é uma modalidade social em que não pode se pensar em viver exclusivamente dela. Se tivessem suas outras profissões, estas meninas não estariam se recusando a entrar em campo, pois não estariam preocupadas em pagar suas contas, e sim em jogar, que é a sua paixão e disputar seus campeonatos, tendo um público para aplaudir e tentando ajudar a divulgar jogando bola a um público que dificilmente vai ver o futebol feminino com os mesmos olhos do futebol masculino. Que realmente possam dizer que não jogam por dinheiro, e sim por amor!

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