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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

FUTEBOL FEMININO: Vitória-PE vence e vai à final. Centro Olímpico fica fora e torce para não chegar ao fim


Ontem no Pacaembu-SP o Vitória de Santo Antão venceu a equipe do Centro Olímpico-SP pelo placar simples de 1 x 0 e garantiu a vaga na final da Copa do Brasil de Futebol Feminino 2013, onde enfrentará a equipe de São José dos Campos-SP.

Para a equipe do Vitória, uma sonhada vaga na final. Para o Centro Olímpico, um "pesadelo".

Ao Centro Olímpico agora fica o medo e a dúvida se a equipe se mantém ou não. O clube paulista vinha sofrendo com a falta de patrocínio, salários atrasados e agora algumas atletas já expressam nas redes sociais o medo e a dúvida: "Continua ou não continua?".

No Brasil não é fácil viver de futebol feminino. São constantes os medos, as dificuldades e a incerteza que vem de 3 décadas de competições que começam e acabam, de times que fecham as portas, da falta de patrocínio, da falta de um calendário organizado, da falta de competições nacionais que possibilitem aos clubes ter "vida" durante todo o ano e não somente por alguns poucos meses. A falta de organização e divulgação afasta a TV e também o público. 

Difícil acreditar que clubes como o Centro Olímpico, que tem diversas atletas de Seleção Brasileira, que vem de boas colocações e resultados em competições não desperte o interesse de empresas pequenas, médias e grandes ligadas a produção e venda de produtos esportivos, artigos femininos, concessionárias de veículos, empresas aéreas, empresas de suplementos e bebidas esportivas que não gostariam de ter sua imagem associada a uma equipe de alto rendimento, com atletas de notoriedade nacional e mundial como Maurine, Érika, Rosana, Thais Picarte, entre outras.

O Centro Olímpico necessita de um patrocínio de 90 mil mensais para manter suas atletas e o trabalho que vem sendo realizado. Até onde sei, mas não posso confirmar oficialmente, o clube teria conseguido um patrocínio correspondente a metade deste valor.

Independente de ter conseguido ou não, todos nós podemos convir que patrocinar um clube de futebol feminino, seja um Centro Olímpico, Vitória, São Francisco do Conde, Comercial, Duque de Caxias e tantos outros, se torna mais barato do que fazer anúncios em jornais e gera vantagens aos patrocinadores em retorno de imagem, exposição espontânea, dedução nos impostos, etc.

Com tantas empresas ligadas a esporte e à produtos voltados para a família e mulheres no Brasil, nenhuma delas tem interesse em associar sua imagem e patrocinar uma equipe? 

Patrocínio ao futebol feminino não é um favor e sim um investimento. Você está pagando pela exposição da sua imagem que estará associada a uma marca esportiva através de seu uniforme, seus informativos, suas atletas e tudo mais associado à equipe, além de agregar à sua marca valores como a paixão, emoção, além de diferenciar você de seus concorrentes.

Vou dar um exemplo com fatos e nomes de empresas reais para demonstrar: A Nextel antigamente era muito utilizada por muitas atletas em todo o Brasil, mas hoje um número significativo de atletas utilizam serviços da TIM, por exemplo. De cada 100 atletas que eu conheço, 90 usam TIM. E se outra empresa de telefonia móvel entrar no ramo, utilizar o esporte e o marketing através do esporte como ferramenta? E se a TIM quiser fortalecer ainda mais sua marca neste ramo com comerciais com atletas de diversos pontos do país falando através de seus serviços, entre elas muitas atletas de seleção? E a Nextel, não gostaria de reconquistar espaço?

São detalhes que fazem a diferença, basta serem pensados e planejados para que possam dar certo.

Enfim espero que o Centro Olímpico consiga se manter em atividade com parcerias com novos patrocinadores assim como espero que muitos outros clubes sejam vistos como uma oportunidade boa e muito mais barata de atingir uma classe que o mercado deixa de lado.

No mais, espero que o futebol feminino brasileiro seja melhor planejado, que tenha um calendário da modalidade incluindo base, principal, seleções, competições nacionais e internacionais, janelas de convocação, entre outros.

Espero também que dirigentes e entidades de administração esportiva da nossa modalidade no país parem de afirmar nos bastidores que o país é do futebol masculino, que futebol feminino não dá lucro, dentre outras coisas.

Se quer ter lucro, largue o futebol feminino e vá investir em ações! Se quer ganhar o que é merecido pelo seu trabalho, então continue no futebol feminino, mas façam um trabalho bem feito visando o desenvolvimento da modalidade no país como um todo. Já falei que não adianta só pensar em Seleção nacional pois ela é apenas um produto te uma modalidade como um todo!

E digo mais, se tiver alguém aí que não está disposto a cuidar do futebol feminino como um todo e à nível nacional, simplesmente abra mão, parem de atrapalhar uma modalidade que quer crescer, e acima de tudo deixem o futebol feminino na mão de quem tem competência e vontade de fazer com que esse quadro de times fechando as portas pare de acontecer.

O Futebol Feminino brasileiro está cansado de hipocrisia, de pessoas que nada fazem pela modalidade, de pessoas que só lutam pelos seus interesses pessoais. Precisamos de pessoas que briguem pelo futebol feminino e não por clube A, B, C, ou por uma federação nacional ou estadual.

Então, só pra enfatizar, se não tem interesse em pensar no futebol feminino, se não quer se preocupar com o todo, abra caminho para quem quer fazer! Simples assim!




Comentários

  1. Muito bom.. tudo muito claro .. gostei gostei.. Gleyce silva

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  2. Ótimo,. muito bom comentario Edu... é isso mesmo, onde estão as empresas? menifestem-se...

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  3. Excelente comentário . Parabéns . Mas tem um problema . O que menos eles pensam nos clubes "esportivos " é no esporte . Os caras querem é grana no bolso .

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