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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

Mudaram as estações e nada mudou: 30 anos da Futebol Feminino no Brasil.


Hoje faz 30 anos que o Futebol Feminino foi regulamentado e autorizado a ser praticado em todos os municípios do Brasil,

Isso aconteceu no dia 11 de abril de 1983, com publicação da "deliberação CND 01/83" em Diário Oficial. Hoje, dia 11 de abril de 2013, o que mudou?

Muitas pessoas nem imaginam o que acontece no mundo do futebol feminino. 

Acho que um comentário da atleta Mariana Brito Neves, mais conhecida como Mary Person, em seu perfil do facebook define bem o sentimento e pensamento de muitas atletas:

"A grande maioria das pessoas que falam e comentam sobre futebol, nunca chutou uma lata na vida. Falam achando que tem conhecimento de causa, e nos tempos de hoje é fácil comentar de futebol usando o google pra entender de tática e perfil de atleta. Mas o que nós atletas passamos, só nossa família e Deus são testemunhas. 

Agora se anda difícil no meio dos homens, meu querido nem ouse pensar no meio das mulheres. Porque como digo sempre o futebol feminino é outra atmosfera. Uma terra de ninguém, na qual só tendo muita paixão e quase zero de pretensões de se continuar seguindo. Esse é meu esporte, essa é a minha vida, matar um leão por dia é pouco. E na grande maioria das vezes, estar de pé depois de mais um dia só tomando paulada, já é minha vitória. 

Cansada e de coração ferido, mas vou com a certeza de que estou fazendo aquilo que humanamente posso."

Nestes 30 anos a modalidade pouco evoluiu. O olhar preconceituoso e machista sobre o futebol feminino continua por parte de dirigentes de muitos clubes e até mesmo de entidades de administração desportiva.

Planejamento não existe, campeonatos à nível nacional de qualidade também não. Mentiras ainda existem de sobra, condutas erradas também! Omissão e hipocrisia? Estes sobram!

A modalidade ainda não tem uma identidade no "país do futebol"! 

E eu, que não estou na modalidade há muito tempo, vejo pessoas que estão há décadas no meio reclamando de como tudo está hoje.

Está ruim, a modalidade precisa disso ou daquilo. Porém muitos destes que falam são os mesmos que não mudam suas posturas.

O futebol feminino brasileiro precisa de renovação de pessoas, renovação de postura, ações e pensamentos.

Ver um peixe no lago e querer pescá-lo não basta. Se você não pegar a linha, isca e o anzol e for pescar, o peixe continuará no lago e você continuará com fome.

No futebol feminino é a mesma coisa. Não adianta querer mudar a situação da modalidade e continuar tendo condutas contrárias ou não tendo ações reais que demonstrem que no mínimo há o interesse em fazer diferente.

O futebol feminino brasileiro tem pessoas constantemente querendo "engolir" umas às outras, preocupadas com nome, status e posição. Pessoas mais preocupadas em conquistar seu espaço do que ver a modalidade conquistar espaço.

Não adianta falar que o futebol feminino brasileiro não muda, que não melhora e cresce. Afinal, a mudança tem que  começar por cada um que está no meio, e com certeza, quando as pessoas forem menos hipócritas e se preocuparem mais com a modalidade de um modo geral, aí sim começaremos a ver diferenças.

Ainda hoje, clubes e profissionais acham que pagar salários em dia, dar estrutura, alojamento e alimentação é algo incrível! Senhores, devemos parar com essa mentalidade atrasada. Dar estrutura é uma OBRIGAÇÃO BÁSICA e não um favor.

Vamos parar com promessas e começar com trabalhos de qualidade, vamos parar de falar da modalidade apenas quando convém. Devem cobrar melhorias todo dia e não somente quando o seu clube está em situação difícil.

A culpa é um pouco de todos: Confederação, federações, clubes, profissionais, atletas. E cada um sabe onde se esforçou e onde deixou a desejar.

Será que já não passou da hora de mudar? Será que 30 anos de sofrimento, humilhações e descaso não foram suficientes e serão necessários mais 30 anos para que as pessoas mudem para assim criarem ações para que as coisas mudem na modalidade?

Onde estamos hoje, onde queremos chegar, como faremos para chegar onde queremos?

Por que a CBF não cuida apenas da Seleção e deixa alguém cuidar dos outros pontos da modalidade? Por que não ter uma Confederação de Futebol Feminino ou uma diretoria de futebol feminino na nossa entidade de administração esportiva com gestores externos contratados?

São muitas perguntas, poucas respostas, poucas ações. Eu até poderia responder algumas dessas perguntas, mas não sou eu quem deve explicações.

Então, para finalizar este texto que destaca uma triste realidade, tenho que parabenizar cada atleta e cada pessoa que vive essa realidade de um futebol feminino sofrido sabe muito bem de tudo que viu, passou, sentiu, aguentou e aguenta. A cada uma dessas mulheres que jogam futebol por amor (é amigos, por amor. Se não fosse esse amor, não haveriam mais times) deixo aqui os meus parabéns e mesmo estando há pouco tempo inserido na modalidade, deixo também meu pedido de desculpas em nome de um país e de tantas pessoas que mesmo estando na modalidade há décadas, nunca se importaram de verdade com o futebol feminino.

Às guerreiras e guerreiros, meu abraço e meu apoio sempre! Estamos juntos por um ideal e por algo muito maior do que eu e que cada um de vocês. Estamos juntos por algo que só quem ama, acredita e vive é capaz de entender!

E no que depender de mim, meus companheiros e de algumas pessoas que tenho visto realmente interessadas em ajudar a modalidade, algo vai acontecer. Talvez não hoje, talvez não amanhã, mas lutamos para que o respeito e profissionalismo venha existir no futebol feminino brasileiro.

Comentários

  1. como sempre um texto by Edu
    nao me canso de agradecer o apoio que da a modalidade em nosso pais..
    Abraco

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