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Marta se torna maior atleta da história do futebol, mas título não significa nada no Brasil

Futebol Feminino: Uma aula de futebol com Julie Foudy e Brandi Chastain


O encontro no Museu do Futebol, no Pacaembu, foi muito importante para ouvir as experiências das ex atletas da Seleção dos EUA - Julie Foudy e Brandi Chastain, assim como foi importante para avaliar e reavaliar conceitos, conhecer pessoas, reafirmar e fortalecer pensamentos, observar pessoas e também ter novas ideias.

A participação da ex atleta brasileira Juliana Cabral e da jornalista e pesquisadora de futebol feminino Lu Castro, foram de grande importância.

Foi um bate papo, uma troca de experiências e pensamentos fantástica e que somou muita coisa. Quem não foi, perdeu!

Bacana ver o assunto de busca de igualdade de gênero na prática da educação física escolar, assim como a questão da postura de atletas e profissionais. Inclusive as americanas deram seus depoimentos de como a união das atletas e também a postura das atletas de mais peso na reivindicação do respeito, direitos e tratamento.

Foi falado também da importância da criança ter o direito de escolha sobre que esporte ela quer seguir, assim como o quanto seria importante que esporte e educação caminharem juntos.

Sobre o Futebol Feminino brasileiro, de certo é que fica claro que as atletas só terão força e suas palavras só surtirão efeito quando as jogadoras se unirem.

E destaco aqui fatores que acho que toda atleta deveria ouvir e refletir, mas infelizmente neste encontro quase não tivemos atletas para participar e presenciar o que foi uma aula de como ser, viver e fazer futebol!

Julie e Brandi contaram que o caminho da Seleção Americana não foi fácil e que elas enfrentaram muitas dificuldades mas a união das atletas americanas e a postura das mais velhas, que tomavam a frente deste grupo UNIDO e rebatiam, questionavam e cobravam melhoria ou deixavam claro os descontentamentos. Se alguma atitude ou ação não as agradava, elas simplesmente chegavam e diziam "Isso não é bom pra gente e a gente não concorda" "isso não pode ser assim..." e essa postura ajudou muito no crescimento e respeito às atletas e modalidade!

Destacaram também a importância de terem aprendido a lutar por um futebol feminino para as gerações futuras, que vinham depois delas, e não a fazer um futebol feminino só pra elas. Tudo que faziam era pensando em que legado, como estaria construído e alicerçado o futebol feminino para as meninas que jogariam depois delas!

As duas ainda disseram que até 2004 se considerava muito fácil ganhar do Brasil. Bastava fazer as jogadoras brasileiras brigarem entre si, o que era comum dentro de campo. Elas mesmas se desestabilizavam e as americanas se aproveitavam disso. Em 2004 foi diferente e afirmam que René Simões mudou a cara da Seleção Brasileira de Futebol Feminino e então a vitória delas naquela ocasião foi uma questão de 'sorte' pois o Brasil entrou diferente e foram as americanas que perderam o controle naquele jogo! 

Por estarem se aposentando, deram graças a Deus por não precisar mais enfrentar o Brasil. Pelo que o Brasil mostrou em 2004 elas acreditavam que nascia ali uma seleção imbatível e que 8 anos à frente venceriam tudo, todos e estariam no topo do mundo. Estava ali a melhor seleção do mundo: O Brasil!

E para tristeza delas, hoje, após 8 anos o Brasil não melhorou no futebol feminino e pelo que conversam com atletas daqui o que elas sabem é que o futebol que deveria estar no topo do mundo hoje está muito pior do que estava a 8 anos atrás.

Eu acho que isso retrata bem a situação que vivemos. A falta de união que todo mundo sabe que existe em diversas camadas do futebol feminino, a falta de ação, a preocupação com o eu e o hoje quando deveria ser com o todo e o amanhã da modalidade. Além claro do descaso com o futebol feminino nacional, que vem de cima mas que é também reflexo da postura (ou falta dela) por parte das atletas.

O que ficou claro do encontro, além das ideias, do aprendizado e da falta de participação das atletas brasileiras, é que precisamos mudar tudo, da forma de pensar até a forma de agir.

Uma pena que as atletas brasileiras não compareceram pra ver e ouvir tudo que lá foi falado!

Além disso foi abordada a importância de não só buscar patrocínios para a modalidade, mas ter pessoas capacitadas para fazer a gestão financeira/administrar esses valores para que não sigamos o mesmo exemplo da Liga Americana que já passou por essa situação.

Uma lei voltada para o futebol feminino regulamentando a profissão, instituindo um piso e teto salarial também se fazem necessários. Mas não só criar as leis, mas ter pessoas para averiguar e cobrar seu cumprimento por clubes e instituições.

Foi falado da importância da base e que é necessário inserir o futebol feminino na educação e na socialização, além de aproveitar a lei de incentivo ao esporte para criar projetos incentivados. Mas claro que para isso precisamos de pessoas sérias e que pensem mais na modalidade e menos em si mesmos.

Enfim, de tudo que vimos, a certeza é que precisamos não só querer a mudança, mas ser a mudança que queremos ser e que as pessoas do futebol feminino precisam se unir mais, coisa que é muito difícil de ver verdadeiramente nos dias de hoje.

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