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A IGUALDADE DE GÊNERO – Precisamos ensinar desde pequenos que meninas podem e devem jogar Futebol


Foto Getty Image
Matéria publicada no site VoaGoleiro.com na quinta-feira, 30/05.

Olá amigos do VoaGoleiro.com! Hoje é quinta e é mais um dia para falarmos sobre Futebol Feminino.

Muito se fala do preconceito sobre mulheres que jogam futebol, mas essa questão é apenas um problema cultural onde é pré-concebido, pré-definido que menina brinca de boneca e menino joga bola, ou ainda que menina que joga futebol fica masculinizada.


Não seria importante estimular uma mudança quanto a este tipo de pensamento utilizando o esporte como ferramenta?

Acredito que seja primordial mudar essa visão e isso pode e deve começar a ser feito na infância

A criança cresce e se desenvolve com o que ela aprende durante esse período da sua vida que nada mais nada menos é do que um período da educação/formação psicológica e motora, formação de caráter, compreensão de valores, e outros. Logo quanto mais cedo aprenderem também sobre a igualdade de gênero e meninos e meninas dividirem espaço em campos e quadras de futebol/esportes o pré-conceito sobre mulheres no futebol e no esporte de um modo geral vai se desfazer gradativamente.

Para tal é fundamental a participação dos profissionais de Educação Física nesse sentido, assim como uma intervenção do Conselho Nacional de Educação Física, Ministério da Educação e Ministério do Esporte.

É preciso agir hoje para evoluir e mudar o amanhã! Então compreende-se que quanto antes começarmos uma mudança mais rapidamente virão seus resultados.

Mas somente na interação entre os órgãos competentes que algo começará a mudar?

Não! Conforme eu disse acima, o educador físico (professor) tem um papel fundamental neste sentido e muito pode fazer, de forma simples, para mudar o quadro e consequentemente até abrir novas oportunidades para a sua classe profissional no mercado desportivo nacional. Quanto mais oportunidades de mulheres no esporte como o futebol, mais a necessidade de profissionais no meio e logo é uma nova gama de oportunidades para o mercado da educação física seja no esporte como prática de lazer, esporte educacional ou ainda no esporte de alto rendimento.

É fato analisado e debatido entre diversas pessoas do meio esportivo que essa igualdade de gênero, empregada desde a iniciação esportiva/educação escolar, é fundamental para o desenvolvimento de esportes como o Futebol Feminino e para mudança de outras questões associadas ao que durante anos foi tido como “um padrão” na sociedade que desde seus início sempre foi machista!

Os professores de Educação Física tem papel fundamental na quebra do estigma sobre gênero no esporte. Meninas podem e devem jogar Futebol.

Nesse sentido vejo que os profissionais da educação e do desporto devem começar a mudar, desde já, este pensamento de que na escola as meninas jogam queimado e meninos jogam futebol. Ou meninas jogam vôlei e meninos jogam futebol.

A interação entre gêneros na escola, através do esporte, tem o poder e papel de educar, pregar o respeito e diminuir também a violência contra a mulher, afinal estas crianças crescerão respeitando umas às outras e compreendendo que homens e mulheres tem direitos iguais e saberão através do esporte, suas regras e através da conduta do seu professor o que é certo e o que é errado.

Além disso o estímulo à prática do esporte ensina sobre a manutenção do corpo e da mente, da saúde e até mesmo tem o poder de despertar nestes meninos e meninas o interesse pelo alto rendimento. Embora despertar as mulheres para a prática do esporte e almejo do alto rendimento não seja tão importante quanto o despertar a cerca do respeito e a noção de igual capacidade entre homens e mulheres que serão levados para toda a vida não apenas se falando de esporte, mas se falando de sociedade.

E ter meninos e meninas dividindo a mesma quadra, jogando futebol, queimado, vôlei, ou seja o esporte que for não educa apenas estes jovens! Educa também pais, mães, professores de educação física e todos que passam a ver e compreender que mulher pode e deve praticar esporte/jogar futebol. A interação de meninos e meninas interfere e ensina a tudo que os cerca!

Meninas podem jogar futebol, meninos podem jogar handebol!

O esporte escolhido não torna a menina mais ou menos feminina, assim como não torna o menino mais ou menos masculino. E é isso que podemos e devemos ensinar desde cedo, desde a escola, durante a infância.

Devemos repensar o que é o pré-conceito e quem é responsável por ele.

Muitas vezes muitos criticam a atitude preconceituosa, mas não seriam os pais e os professores incentivadores do pré-conceito a partir do momento que ensinam que menino joga bola e menina brinca de boneca?

A percepção das crianças de hoje sobre o que é a igualdade de gênero, mesmo que de forma inconsciente, é de extrema importância para mudanças sociais e, além disso, para formar uma sociedade melhor e com melhores cidadãos dentro de alguns anos.

Que professores, pais, profissionais e instituições entendam que são diretamente responsáveis por alimentar um conceito ultrapassado e que não agrega e sim agride meninas simplesmente porque elas gostam de jogar futebol.

A melhor forma de mudar isso é começar desde a infância! E que tomemos mais cuidado, pois atitudes que parecem “bobas” também são uma forma de ensinar de uma forma errada e inconsciente que o preconceito é o certo!

Não dê uma boneca pra uma menina, dê uma bola de futebol!

Boa quinta a todos!

Eduardo Pontes.

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