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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

EMPREENDEDORISMO no ônibus x FUTEBOL FEMININO

Hoje eu peguei um ônibus que raramente eu pego para vir trabalhar. Eis que me deparo com um motorista de uma determinada linha do RJ que há cerca de uns 3 meses conheci quando peguei o ônibus que eu nunca pegava, pois estava com pressa de chegar no trabalho neste dia.

Enfim... 3 meses atrás este motorista estava vendendo bolo durante sua carga diária de trabalho no volante do busão! Quando conversei com ele na época ele informou que estava começando nesse negócio para tirar um dinheirinho extra. E eu comprei o bolo e provei que é realmente muito saboroso!

Como a passagem do frescão custava na época R$8 reais, ele colocou o preço do pedaço de bolo por R$ 2 reais e assim ia ganhando um dinheirinho com a fome das pessoas no trajeto e nos engarrafamentos entre os extremos da cidade.

Hoje quando reencontrei o "piloto" perguntei como iam as vendas. Ele feliz respondeu que muito bem e que agora tem variedade! Antes ele oferecia aos consumidores apenas 1 opção de sabor, e hoje ele oferece 3 sabores diferentes!

O preço continua o mesmo e ele vende uma média considerável por dia de trabalho.

Sua mulher parou de trabalhar e agora se dedica aos bolos, lucrando com isso! SENSACIONAL!

Ele ainda falou que investiu R$700 reais no início do "negócio" e falou que agora só colhe lucros. Primeiro, como em qualquer negócio foi preciso investir e tirar dinheiro do bolso, para mais a frente colher os lucros e hoje o negócio de bolos se sustenta por si só, e sua esposa até paga sua autonomia.

Antes ele anunciava seu bolo, esperando vender! Hoje ele é procurado pelos passageiros sem falar nada, pois todos conhecem o produto e a qualidade, inclusive indicando aos passageiros novos!

Um motorista de ônibus e sua esposa são empreendedores e saíram do investimento para o lucro em 3 meses! E o bolo faz sucesso, ainda mais com a variedade de sabores com que eles agora trabalham!

A LIÇÃO PARA O FUTEBOL FEMININO é simples: Para se desenvolver um produto e ganhar mercado é necessário analisar as possibilidades, planejar, INVESTIR e colher os frutos em médio a longo prazo.

Será que os dirigentes, tão estudados, diplomados, viajados e experientes não conseguem ver que com o FUTEBOL FEMININO não é diferente? Investimento deve vir na frente para só depois se pensar em obter retorno.

Em outras palavras, só trabalhando a modalidade e investindo nela se poderá ver o futebol feminino crescer!

Se for feito o básico, o futebol feminino ganhará espaço automaticamente e deixará de procurar visibilidade para ser procurado por sua visibilidade!

Os dirigentes não entendem ou não fazem porque não querem?

Se eu perguntar pro motorista de ônibus, ele rapidamente e sorrindo me dirá algo como: "a desculpa do cego é a bengala. Quem quer faz e não fica arrumando desculpas."!

Ao invés de se gabar de títulos e história, nossos dirigentes deveriam andar mais de ônibus para ver se aprendem, mas o problema não é aprender e sim não querer fazer!

Quantas atletas não conseguem chegar por falta de oportunidade?

Hoje é dia de futebol feminino no site VoaGoleiro.com. Lá eu escrevo toda quinta-feira sobre a modalidade!

O tema de hoje é: Quantas atletas não conseguem chegar por falta de oportunidade?

O texto faz uma comparação entre a judoca Rafaela e tantas mulheres do futebol feminino.

Uma abordagem que serve para todos os esportes, independente do gênero!

Acessem lá e comentem!


terça-feira, 27 de agosto de 2013

FUTEBOL FEMININO - Pequenas ações podem fazer a diferença


Fiquei feliz em saber que uma jovem e talentosa atleta está voltando aos gramados após ter se "aposentado" pela falta de oportunidade e decadência do futebol feminino no Rio de Janeiro. 

No Rio de Janeiro muitas atletas de talento, inclusive atletas com passagem por seleção brasileira, param de jogar entre os 18 e 22 anos.

Existem ainda muitas atletas de 14 a 30 anos que nunca tiveram oportunidade de disputar um campeonato carioca, por exemplo. O número de atletas espelhadas pelo estado é enorme, e grande parte dessas em regiões carentes e poderiam ter no esporte uma oportunidade de mudança de vida.

Onde está a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro? Onde está a preocupação dos clubes e seus profissionais em mudar a situação do futebol feminino carioca?

É importante que os clubes e profissionais trabalhem para si e para seus resultados (a nível de clube), mas pensar somente em si não desenvolve o futebol feminino no RJ. 
Os clubes tem que pensar em si e em seus resultados, mas precisam SIM pensar na modalidade como um todo.

A união pode fazer toda diferença! A união é importante para a modalidade, atletas, clubes, profissionais, desenvolvimento técnico e financeiro da modalidade no estado.

Pequenas ações podem e fazem toda diferença, e não só no Rio de Janeiro como em todos os estados do país, essa união e o pensamento NA MODALIDADE são capazes de transformar e dar resultados.

O que você, profissional de futebol feminino no seu estado tem feito? O que você, clube está fazendo pela modalidade?

Existe uma diferença grande entre pensar na modalidade e pensar em resultados pessoais, mas nem todos sabem ver essa diferença.

Como eu já falei e repito, pequenas ações podem fazer toda diferença!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Trabalhar com esporte é uma arte e nem todos os treinadores e profissionais do desporto são artistas


Talento e habilidade, se utilizados da forma errada, tornam um (a) atleta tão ineficiente quanto um atleta que faz o básico dentro do seu esporte.

Habilidade deve ser utilizada com inteligência e não em qualquer momento de um jogo de futebol, por exemplo.

No caso do futebol feminino, canso de ver meninas talentosas que apesar do talento individual ainda tem MUITO a melhorar. Em campo durante treinos e jogos, são impulsionadas por gritos de profissionais que falam "Pega a bola e bagunça todo mundo" ou aos berros de "você joga pra CARA#&%$", "Tu é FOD#" e outros. Que lamentável!

Cada dia mais vejo meninas que acham estar no nível de uma Marta, Lloyd ou Sinclair, mas que não passam de meninas habilidosas que talvez venham a ser aspirantes a jogadoras de futebol de sucesso.

Muita gente vai ficar estarrecido, chocado ao ler isso, mas é a mais pura verdade.

Habilidade sem inteligência e sem humildade não são nada. 

Se é para ter uma atleta que tem muita habilidade mas joga pra si e uma atleta que joga pra frente no "feijão com arroz" pensando no coletivo/equipe eu ficaria com a que é considerada por muitos a menos habilidosa, mas que agrega mais ao time pois enxerga muito além do próprio umbigo.

MAS A CULPA NÃO É DAS ATLETAS!!!

Os profissionais de nossos esportes, em especial o nosso futebol feminino, precisam ter a preocupação de FORMAR ATLETAS/PESSOAS que pensem o futebol, que saibam ler o jogo, que saibam que a habilidade é um recurso e não um modo de jogo que deve ficar ligado 90 minutos de uma partida ou a vida inteira da atleta.

Pode jogar muito em um campeonato carioca, ou um campeonato cearense, mas se for para um clube fora do país, ou uma universidade vai acabar aprendendo NA DOR o que é jogar futebol. Vai amargar banco, vai ser chamada atenção e perder oportunidades porque nem todo profissional nesse mundão tem paciência para lapidar uma atleta. É assim no mundo todo!

Já estive em alguns clubes, já estive em bairros e escolinhas e isso é um perfil padrão do futebol feminino, desde o educacional ao alto rendimento! 

Claro que eu poderia falar do judô, da natação, do futsal, do basquete, do atletismo, do handebol. Vivenciei estes esportes de perto em determinados momentos de minha vida e sei que este perfil existe aos monte em todos os esportes. Mas falo de futebol feminino, porém sintam-se a vontade para enxergar no texto qualquer modalidade.

A culpa de um perfil de atleta soberbo e que se acha melhor que outros atletas é criado por profissionais que dão mais atenção ao atleta habilidoso do que ao atleta considerado básico, talvez principalmente porque o profissional que não é humilde nunca será capaz de ensinar a uma atleta o que é ter humildade.

No Brasil a atleta é, desde cedo, incentivada a fazer o que quer com a bola nos pés, e as vezes, mesmo que ela não tivesse essa característica ,ela chega até um clube onde o profissional que deveria educar e condicionar não só o corpo mas a mente desta atleta a induz a explorar sua habilidade de forma até irresponsável. 

Sim, usar sua habilidade sem pensar no grupo, humilhar adversários, gritar "na cara" de uma menina adversária que "EU SOU FOD*" depois de um drible (ainda sendo aplaudida pelo seu treinador), se achar a melhor do mundo jogando um campeonato estadual "sem valor"... isso tudo é IRRESPONSABILIDADE. 

E a culpa é da atleta? Não senhoras e senhores! Falando de forma generalista, a culpa é dos profissionais que trabalham ou em algum momento trabalharam com a atleta que a moldaram daquela forma. O IRRESPONSÁVEL é o profissional!

Talvez o maior problema seja que qualquer pessoa ache que por gostar de esporte e/ou por ter sido atleta este pode então ser um profissional do desporto. Um grave engano! É NECESSÁRIO MAIS DO QUE ISSO!

Trabalhar com pessoas, principalmente com atletas que em geral vem de comunidades carentes e/ou de condições familiares e sociais distantes do "ideal", requer muito mais do que gosto por esporte.

O profissional do esporte é pai, amigo, psicólogo, preparador, conselheiro, ESPELHO PARA O ATLETA e é necessário ter didática, a capacidade de antes de julgar procurar saber e se colocar no lugar daquela (e) atleta, é ser duro no momento certo e ser mais brando no momento que se precisa que assim seja. É preciso ser humilde, É PRECISO ENTENDER DE PESSOAS, é preciso saber alcançar aquela atleta de forma ética lhe passando confiança para que ela se abra e possa então se aproximar e se permitir ser lapidada esportiva, social e moralmente!

Trabalhar com esporte é uma arte e nesse mundo esportivo, nem todos os treinadores e profissionais do desporto são artistas!

Muitas atletas são impedidas de alcançar o sucesso no esporte (EM GERAL) não pela falta de habilidade e talento, mas por ter sido formada de modo errado! E depois fica difícil encontrar profissionais que se coloquem no lugar dela, compreendam que a culpa é do meio e não da (o) atleta e tenha o tempo e a paciência de desconstruir um perfil se utilizando da didática e das ferramentas corretas!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Mensagem à CBDU, o papel das Federações e o Esporte no Brasil


Na noite de ontem, segunda-feira (12/08) enviem uma mensagem à Confederação Brasileira de Desportos Universitários (CBDU) onde fiz uma proposta em relação aos critérios de convocação de atletas.

"CBDU Brasil, gostaria de propor que houvesse uma regra para convocações de atletas para as seleções universitárias. 

Para o(a) atleta de fato estar "elegível" à convocação este deve não poder ter menos de 3 meses matriculado e a matricula estar ativa por valor de tempo mínimo igual.

Seria um critério justo, acredito. Afinal está difícil saber qual o real critério utilizado hoje em dia, mas sei que não existe padrão no que diz respeito ao tempo mínimo necessário que o atleta deve ter como aluno ATIVO de curso superior.

Este tipo de critério evitaria que atletas fossem matriculados em universidades com a finalidade única de disputar competições oficiais representando o país e seria também uma forma de incentivo de então as instituições de ensino junto com a CBDU desenvolverem programas de bolsas de estudo para novos atletas.

É uma forma de desenvolver o desporto, mas principalmente de oportunizar os estudos a novos atletas, além de garantir a legitimidade de convocações.".

Infelizmente sabemos de situações em que atletas são convidadas a defender uma seleção mesmo sem estudar! Sim, isso existe e todo mundo sabe!

O mais triste é, por mais que se entenda a falta de oportunidade em algumas modalidades no país, que o atleta se preste ao papel de aceitar tais propostas. Você que aceita uma proposta "irregular" acaba prejudicando outras pessoas, mas obviamente a maioria não está preocupada em colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo. 

No Brasil existe este ponto em que atletas e profissionais acham muita coisa errada, mas a partir do momento que aquela coisa errada lhes beneficia de alguma forma, ninguém lembra mais que achava a situação incorreta.

Muita coisa precisa mudar! Da postura dos profissionais à forma de gestão das Entidades de Administração Desportivas (EAD's) sejam elas de esporte profissional ou não, estudantil ou não.

O atleta e o profissional podem não ter a melhor conduta, mas se a federação do esporte (estadual ou nacional/confederação) for correta e fizer uma gestão básica e pautada pela moral e bons costumes, estes atletas e profissionais terão que agir da melhor forma possível. Ou fazem o certo, ou ficam de fora! É simples!

Então, fica claro que: Ou as federações estaduais e nacionais de desportos no Brasil são negligentes por não saberem o que acontece no esporte que administram ou deveriam administrar, ou então estas EAD's são coniventes com tudo que acontece e assinam em baixo das coisas erradas!

As EADs são diretamente responsáveis pela fiscalização e desenvolvimento de uma modalidade, tendo responsabilidade pelo que é feito e também pelo que deixam de fazer.

Se disserem que não sabem o que acontece, demonstram a incompetência! Se assumirem que o erro acontece, então demonstram ter conhecimento do problema e então aceitá-lo!

Não existe outro caminho a não ser, fazer a coisa certa!

Isso vale para todas as federações (e confederações) do desporto no Brasil. Muita coisa acontece nas esferas estaduais, nacionais, educacionais e militares e acho que isso dá um tremendo material de uma série ou uma reportagem com atletas contando um pouco do que acontece nestes bastidores e poucos sabem!

Já imagino até a repercussão que isso poderia ter no cenário nacional e mundial do desporto! E sinceramente acho a ideia ótima.

sábado, 10 de agosto de 2013

FUTEBOL FEMININO: Quem gerencia a modalidade?


Brasil - Temos atletas, temos talento, temos habilidade, mas é evidente que falta o essencial para qualquer modalidade crescer: GESTÃO.

Há décadas nada muda no futebol feminino, nem mesmo as desculpas esfarrapadas de quem deveria desenvolver o desporto no país.

Como o futebol masculino evolui, mas o futebol feminino continua praticamente na estaca zero? Difícil entender esta diferença uma vez que quem gerencia o futebol masculino é a mesma Confederação que cuida do feminino.

Em um país onde sua constituição diz que "homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações" é estranho ver que no futebol brasileiro homens e mulheres tem direitos  completamente diferentes.

Como justificar o não investimento no futebol feminino? É falta de mídia, é pela falta de espaço no Brasil?

Curiosamente outras modalidades esportivas crescem tanto no gênero masculino quanto no feminino graças a intervenção e planejamento de suas Entidades de Administração Desportivas (EADs) que são as suas Confederações. O Vôlei, Basquete e Judô são claros exemplos disso.

Se outros esportes conseguem quando a sua Confederação busca o melhor para as modalidades, o que estaria de fato acontecendo com o futebol brasileiro  para que só o futebol feminino não se desenvolva?

É preconceito? É má vontade? É por que dá trabalho? Qual a próxima desculpa?

Já está mais do que na hora das mulheres terem tratamento digno e uma modalidade estruturada para que se possa viver de futebol feminino.

Cada dia que passa e a situação não muda, matamos sonhos e enterramos futuros que poderiam ser brilhantes se tivessem o esporte como estrada rumo a algo melhor na vida dessas milhares de meninas que jogam futebol no Brasil.

Quem gerencia a modalidade?

Sinceramente não sabemos, porque por tudo que vemos a modalidade nunca teve gestão e continua sem tê-la.

Mas eu sei que esse quadro vai mudar. As opções hoje para quem "diz administrar" o futebol feminino são poucas e se resumem em: Ou muda, ou muda.

A mudança é uma questão de tempo, quer queiram ou não!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

BRASIL: Quanto de cada contrato de patrocínio vai para o Futebol Feminino?



Recentemente, em um evento nos bastidores do futebol feminino brasileiro na tentativa de um acordo para desenvolver a modalidade, dirigentes da administradora do desporto nacional disseram que o Futebol Feminino vai como brinde aos patrocinadores da Seleção. Ainda foi afirmado que o futebol feminino só dá prejuízo.



Então eu pergunto: 


1 - Os patrocinadores oficiais sabem que financiam só o futebol masculino apesar de suas marcas estarem associadas ao futebol feminino?

2 - Como afirmar que a modalidade só dá prejuízo se você, em teoria, "dá ela de brinde" aos patrocinadores?
3 - Quanto de cada patrocínio é voltado para o futebol feminino?



O Futebol Feminino brasileiro deveria ter um portal de transparência onde ficaria claro quanto é investido na modalidade, quanto é gasto e com o que é gasto na modalidade, dentre outras questões.

Outra pergunta curiosa é: como a mesma entidade gerencia tão bem o futebol masculino e deixa tão de lado o futebol feminino? Isso chega a soar como um preconceito daqueles tão comuns na época da ditadura militar onde mulher não podia jogar futebol e outros esportes.

Sobre declarações de que o futebol feminino dá prejuízo ou não tem mídia, vale lembrar que mercados se criam todos os dias em cima de produtos, novos ou antigos, e basta querer, planejar e investir para se ter ótimos resultados! 

Então fica mais uma pergunta: Será que falta visão aos gestores do futebol brasileiro que não conseguem desenvolver o futebol feminino, ou só falta a vontade de fazer mesmo? 


Acho que já passou da hora assumir um compromisso público com a modalidade, tendo o Ministério do Esporte como parceiro e criando uma gerencia específica para o futebol feminino, ou ainda fundando uma Confederação Brasileira de Futebol Feminino tendo como exemplo a "emancipação" de entidades como a Confederação Brasileira de Beach Soccer e a Confederação Brasileira de Futsal.

Se existe mesmo o desejo de desenvolvimento dessa modalidade no país já passou da hora de ter ações e de deixar as palavras vazias de lado!

Se não querem administrar o futebol feminino, deixem quem quer trabalhar fazer!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

QUINTA é dia de FUTEBOL FEMININO


Hoje é dia de Futebol Feminino no VoaGoleiro.com.

Minha coluna semanal onde toda quinta-feira eu falo sobre futebol feminino.

O texto desta quinta fala sobre a evolução que uma nova competição nacional trará para a modalidade, necessitando de mudança de postura de atletas, clubes e profissionais.

Acessem www.VoaGoleiro.com

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Santos perde para o Barcelona: Uma clara derrota do futebol brasileiro! Estamos no caminho errado!



Geralmente eu escrevo muito sobre Futebol Feminino, mas hoje vou abrir espaço para falar do futebol brasileiro como um todo.

A derrota do Santos para a equipe do Barcelona em amistoso realizado na última sexta-feira, 02/08, repercutiu negativamente para o Santos, mas acho que o problema é muito maior e não se resume a um clube.

Nenhum clube da elite do futebol brasileiro teria condições de vencer a equipe do Barcelona ou de jogar de igual pra igual. E por que afirmo isso?

O futebol brasileiro vive uma falsa impressão de crescimento. Clubes se gabam de ter maiores receitas com TV e patrocínios, mas também contratam  atletas à preços exorbitantes, o que pões em xeque a saúde financeira de muitos destes clubes.

Falta no Brasil uma gestão realmente revolucionaria e focada não só em ganhar dinheiro, mas principalmente em recuperar o bom futebol, formar atletas de forma adequada e gerar lucro através da venda de atletas que foram formados no próprio clube. Claro que o marketing, licenciamento de produtos, gestão de arenas esportivas e outras questões também precisam ser levadas em consideração.

Cada dia que passa vemos a qualidade dos jogadores de futebol reduzir tanto no sentido técnico como no cognitivo que está associado ao futebol como por exemplo a velocidade de raciocínio e visão de jogo.

Os clubes não se preocupam com a formação do atleta, se preocupam em ganhar dinheiro em cima de um menino! Nada além disso!

A formação do atleta vai muito além e se fosse bem feita, teríamos clubes brasileiros com no mínimo 50% de jogadores do elenco composto por jogadores criados no clube.

Já passou da hora de termos gestores realmente comprometidos com o esporte. O que se vê hoje são gestores cada dia mais preocupados com o próprio bolso e em aparecer em TV e colunas de jornais.
O trabalho do gestor é fundamental, mas quando você vê o gestor aparecendo mais do que seu trabalho, algo está errado.

O trabalho bem feito aparece primeiro e aí vem associado ao nome daquele que está à frente do clube/modalidade.

Precisamos tratar o futebol realmente como algo profissional, dos gestores aos atletas e profissionais de corpo técnico. Dizem-se profissionais? Então devem ser tratados como tal!

A derrota do Santos para o Barcelona não é a derrota de um clube, e sim a derrota do futebol brasileiro como um todo que vem se perdendo ano após ano.

Os clubes do futebol brasileiro deveriam ter:

  • Planejamento estratégico muito bem definido;
  • Piso e teto salarial;
  • Ganhos extras só por objetivos alcançados;
  • Dívidas de cada gestão diretamente associadas ao nome do administrador da época;
  • Clara distinção de direitos e deveres dos clubes para com os atletas e dos atletas para com os clubes;
  • Clara divisão e distinção da função de cada dirigente e profissional do clube na cadeia organizacional;
  • Demissão por justa causa de técnicos, gestores, atletas ou qualquer profissional do clube que tenha atitudes no caminho contrário do que preza o clube;
  • Clara distinção sobre o papel e poderes do agente do atleta não podendo o mesmo interferir em nada além do que diz respeito ao atleta e seus vínculos legais com clubes;
  • Formação de atleta de base não só como atleta, mas como ser humano, o preparando não só para o esporte, mas para 
  • Maior aproveitamento de jogadores formados na base por seus clubes;
  • Clareza e transparência nas ações do clube e suas contas;
  • Fim das contratações por nome;
  • Revisão de como são feitos os contratos e definidas as multas por rescisão, entre outros.
Estamos fazendo tudo errado e o país do futebol passou a ser o país onde alguns "espertos" se aproveitam para ganhar dinheiro em cima de clubes e atletas.

Tenho visto ex jogadores que tentaram a sorte como técnicos que apesar da qualidade na função desistem da profissão por conta da interferência de empresários e dirigentes no trabalho de diversos clubes do futebol brasileiro.

Aquela velha e bela técnica e qualidade dos atletas que orgulhavam o então chamado "país do futebol" deu lugar a ganância, desrespeito e falta de ética. O que era esporte, transformou-se em caça níquel de empresários e dirigentes que se preocupam mais em sua evolução financeira e pessoal do que a evolução de seus clubes/entidades/modalidades.

A prova clara de que estamos no caminho errado é termos como destaque do campeonato brasileiro 2013 atletas veteranos, que foram forjados nas características do futebol que estávamos acostumados a ver.

Hoje não só a qualidade dos atletas é baixa como os custos do esporte se tornaram alto para a população e fica muito difícil ter nos estádios as famílias, o povão de renda inferior que tinha no esporte o prazer e lazer do fim de semana.

Estamos elitizando o futebol com a finalidade de enriquecer alguns, mas não percebemos que o futebol brasileiro está ficando cada dia mais pobre e vive quase que exclusivamente de um passado glorioso e de um presente decadente.

Deve-se repensar o futebol como um todo, desde sua forma e gestão até a forma como se preparam os atletas lá na base dos clubes.

O velho e doente "país do futebol" está nas mãos dos empresários e dirigentes, enquanto o futebol arte que estava em nossos pés agora figura nos pés daqueles que realmente são os melhores, e estes sem dúvidas não somos mais nós brasileiros.

E a triste realidade brasileira é que este cenário não se resume apenas ao futebol, mas ao esporte como  um todo.