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Marta se torna maior atleta da história do futebol, mas título não significa nada no Brasil

Trabalhar com esporte é uma arte e nem todos os treinadores e profissionais do desporto são artistas


Talento e habilidade, se utilizados da forma errada, tornam um (a) atleta tão ineficiente quanto um atleta que faz o básico dentro do seu esporte.

Habilidade deve ser utilizada com inteligência e não em qualquer momento de um jogo de futebol, por exemplo.

No caso do futebol feminino, canso de ver meninas talentosas que apesar do talento individual ainda tem MUITO a melhorar. Em campo durante treinos e jogos, são impulsionadas por gritos de profissionais que falam "Pega a bola e bagunça todo mundo" ou aos berros de "você joga pra CARA#&%$", "Tu é FOD#" e outros. Que lamentável!

Cada dia mais vejo meninas que acham estar no nível de uma Marta, Lloyd ou Sinclair, mas que não passam de meninas habilidosas que talvez venham a ser aspirantes a jogadoras de futebol de sucesso.

Muita gente vai ficar estarrecido, chocado ao ler isso, mas é a mais pura verdade.

Habilidade sem inteligência e sem humildade não são nada. 

Se é para ter uma atleta que tem muita habilidade mas joga pra si e uma atleta que joga pra frente no "feijão com arroz" pensando no coletivo/equipe eu ficaria com a que é considerada por muitos a menos habilidosa, mas que agrega mais ao time pois enxerga muito além do próprio umbigo.

MAS A CULPA NÃO É DAS ATLETAS!!!

Os profissionais de nossos esportes, em especial o nosso futebol feminino, precisam ter a preocupação de FORMAR ATLETAS/PESSOAS que pensem o futebol, que saibam ler o jogo, que saibam que a habilidade é um recurso e não um modo de jogo que deve ficar ligado 90 minutos de uma partida ou a vida inteira da atleta.

Pode jogar muito em um campeonato carioca, ou um campeonato cearense, mas se for para um clube fora do país, ou uma universidade vai acabar aprendendo NA DOR o que é jogar futebol. Vai amargar banco, vai ser chamada atenção e perder oportunidades porque nem todo profissional nesse mundão tem paciência para lapidar uma atleta. É assim no mundo todo!

Já estive em alguns clubes, já estive em bairros e escolinhas e isso é um perfil padrão do futebol feminino, desde o educacional ao alto rendimento! 

Claro que eu poderia falar do judô, da natação, do futsal, do basquete, do atletismo, do handebol. Vivenciei estes esportes de perto em determinados momentos de minha vida e sei que este perfil existe aos monte em todos os esportes. Mas falo de futebol feminino, porém sintam-se a vontade para enxergar no texto qualquer modalidade.

A culpa de um perfil de atleta soberbo e que se acha melhor que outros atletas é criado por profissionais que dão mais atenção ao atleta habilidoso do que ao atleta considerado básico, talvez principalmente porque o profissional que não é humilde nunca será capaz de ensinar a uma atleta o que é ter humildade.

No Brasil a atleta é, desde cedo, incentivada a fazer o que quer com a bola nos pés, e as vezes, mesmo que ela não tivesse essa característica ,ela chega até um clube onde o profissional que deveria educar e condicionar não só o corpo mas a mente desta atleta a induz a explorar sua habilidade de forma até irresponsável. 

Sim, usar sua habilidade sem pensar no grupo, humilhar adversários, gritar "na cara" de uma menina adversária que "EU SOU FOD*" depois de um drible (ainda sendo aplaudida pelo seu treinador), se achar a melhor do mundo jogando um campeonato estadual "sem valor"... isso tudo é IRRESPONSABILIDADE. 

E a culpa é da atleta? Não senhoras e senhores! Falando de forma generalista, a culpa é dos profissionais que trabalham ou em algum momento trabalharam com a atleta que a moldaram daquela forma. O IRRESPONSÁVEL é o profissional!

Talvez o maior problema seja que qualquer pessoa ache que por gostar de esporte e/ou por ter sido atleta este pode então ser um profissional do desporto. Um grave engano! É NECESSÁRIO MAIS DO QUE ISSO!

Trabalhar com pessoas, principalmente com atletas que em geral vem de comunidades carentes e/ou de condições familiares e sociais distantes do "ideal", requer muito mais do que gosto por esporte.

O profissional do esporte é pai, amigo, psicólogo, preparador, conselheiro, ESPELHO PARA O ATLETA e é necessário ter didática, a capacidade de antes de julgar procurar saber e se colocar no lugar daquela (e) atleta, é ser duro no momento certo e ser mais brando no momento que se precisa que assim seja. É preciso ser humilde, É PRECISO ENTENDER DE PESSOAS, é preciso saber alcançar aquela atleta de forma ética lhe passando confiança para que ela se abra e possa então se aproximar e se permitir ser lapidada esportiva, social e moralmente!

Trabalhar com esporte é uma arte e nesse mundo esportivo, nem todos os treinadores e profissionais do desporto são artistas!

Muitas atletas são impedidas de alcançar o sucesso no esporte (EM GERAL) não pela falta de habilidade e talento, mas por ter sido formada de modo errado! E depois fica difícil encontrar profissionais que se coloquem no lugar dela, compreendam que a culpa é do meio e não da (o) atleta e tenha o tempo e a paciência de desconstruir um perfil se utilizando da didática e das ferramentas corretas!

Comentários

  1. Muito bom o texto, realmente essa é a realidade! falta de capacidade de profissionais envolvidos e eu na maioria das vezes não me conformo quando dizem que o futebol feminino não vai pra frente por causa de atletas, acredito que esse tal de não ir pra frente são vários fatores e um deles é a falta de capacidade de alguns profissionais envolvidos.

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  2. Perfeito Edu. Aqui então é o fetiche pela "Nova Marta", há teve umas 300. Marta com 17 anos já estreando na seleção e aparecia qualquer firulenta e já diziam que era a sucessora da Marta.
    Aí a gente ver jogo da seleção e é COLETIVO ZERO!!! Tome chutão, incapazes de trabalharem uma bola.

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