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Marta se torna maior atleta da história do futebol, mas título não significa nada no Brasil

TREINAMENTO: Cada atleta tem uma característica e uma necessidade

Imagem: Cidade do Saber

Independente das modalidades esportivas, atletas são treinadas de formas iguais e treinadores esperam que todas evoluam da mesma forma.

Isto, considero de certa forma, um erro comum e que precisa ser mudado.

Cada atleta tem uma característica física e muscular, qualidade e defeitos, vícios de postura além de bagagens psicomotoras diferentes pois cada indivíduo viveu e cresceu de formas diferentes.

Uma vai ter dificuldade com a lateralidade, outra não. Uma tem mais explosão muscular e a outra mais resistência. Uma realiza a parada brusca e a mudança de direção com extrema facilidade, tanto para a direita quanto para a esquerda, outra atleta só gira para um lado.

Tudo isso deve ser levado em consideração e cabe aos profissionais observarem quais as características, qualidades e necessidades de cada atleta e realizar um trabalho em separado com as que mais necessitam de apoio.

Infelizmente, no Brasil, se torna mais fácil o próprio treinador criticar uma atleta sem antes ter a certeza que fez o seu melhor em relação ao treinamento e busca de aperfeiçoamento das necessidades daquela atleta.

Por mais que existam dificuldades, uma atleta pode tranquilamente realizar um trabalho em separado meia hora antes, ou depois do restante do grupo para que detalhes sejam corrigidos e a atleta possa render mais.

Esse trabalho deveria ser algo obrigatório e de responsabilidade de todo profissional, independente do esporte com o qual trabalha, mas infelizmente hoje é visto como um diferencial de um ou outro profissional que faz nada menos que sua obrigação.

O esporte é algo inclusivo, mas pelo fato dos profissionais não estarem tão preparados como deveriam, acabamos promovendo uma segregação. O profissional que deveria observar o atleta e identificar suas características e até mesmo sua melhor posição de atuação dentro do seu esporte, não o faz!

Vi uma boa atleta de arremesso de peso que gostava de jogar basquete receber orientação e se tornar referência brasileira no basquetebol.

Vi uma atleta começar a nadar e ser convidada a treinar voleibol, se tornando uma das melhores jogadoras do Brasil e multi-campeã na modalidade.

Vi um péssimo zagueiro, discriminado, se tornar um excelente goleiro. Assim como vi atletas que foram treinadas em suas deficiências evoluírem muito e agregar muito valor ao grupo onde atuavam, superando até atletas que consideravam que elas não alcançariam.

O papel do profissional do esporte é fundamental para que o esporte se torne algo inclusivo. Observar, avaliar, trabalhar as deficiências, analisar características e determinar em que função a atleta pode realmente ter um maior rendimento, e até mesmo indicando qual o melhor esporte dentro das características que a atleta possui seria o ideal para esta(e) atleta.

Quantas(os) atletas são dispensados por falta de visão dos profissionais do esporte? Quantos talentos são mal aproveitados? 

Muitos profissionais acham que entendem e sabem de tudo, parecendo esquecer de muita coisa que foi estudada e até mesmo vivida. Ao ter nas mãos um diploma, aquele indivíduo esquece o estudo e cria suas próprias teorias e então, o profissional que deveria fazer o atleta se superar, faz muitas meninas e meninas abandonarem o esporte.

Mas, só acho... 

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