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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

O caso Diego Costa - o reflexo de um futebol nacional masculino e feminino que pouco oferece ao atleta

Muito tem se falado sobre a escolha do jogador Diego Costa por defender a Seleção da Espanha e não a Seleção Brasileira.

A CBF através de seu mandatário e o técnico da Seleção principal masculina fizeram um enorme alarde sobre a escolha do atleta. Escolha essa que eu aplaudo de pé e se fosse ele também faria, por mais patriota que eu fosse, pois se trata de uma questão de bom senso.

Diego Costa saiu do Brasil muito novo e construiu fama, carreira, oportunidades, respeito, carinho da torcida, tudo fora do país. E foi na Espanha que tudo isso aconteceu. Qual dívida teria o atleta para com o Brasil? A nacionalidade talvez, e só.

Acho que ao invés de criticar o jogador, o papel do técnico e do dirigente é de EM PRIMEIRO LUGAR, se colocar no lugar do atleta e entender quais motivos teria ele para tomar tal atitude (defender outro país). Conversar com o atleta de forma amistosa para entendê-lo também é fundamental e se ele de fato não quiser jogar pelo Brasil, deseje a ele boa sorte e sucesso e vida que segue.

Vida que segue entre aspas... aí vem o momento de reavaliação de trabalho e estrutura do futebol nacional. Se o atleta prefere jogar por outro país porque foi lá que ele despontou para o mundo do futebol, é sinal de alerta para o futebol nacional brasileiro.

Falta estrutura de base no país? Como é o trabalho das seleções e o papel da Confederação na oportunização e melhor observação de novos talentos? Os jogadores tem oportunidades no país e consequentemente na seleção? Se sim, o que falta? Se não, o que precisamos corrigir urgentemente?

Milhares de jogadores saem do país porque é mais fácil aparecer para o mundo do esporte lá fora do que aqui dentro. Ainda temos profissionais despreparados para o imprescindível trabalho de gestão de pessoas e talentos, temos clubes dominados por empresários, temos avaliações técnicas de atletas que são feitas com critérios completamente falhos para julgar o potencial de um garoto.

E se no futebol masculino é assim, imaginem no Futebol Feminino onde a Federação Nacional e seus dirigentes não se importam com a modalidade nem um pouco.

E O FUTEBOL FEMININO?


Conheço muitas atletas que defendem outras Seleções. Brasileiras que encontraram em outro país a oportunidade de fazerem o que amam, sendo absurdamente reconhecidas e valorizadas, coisa que no Brasil parecia quase impossível. E detalhe, a CBF não foi lá lutar por elas não! Na verdade, mal sabe que elas existem!

No Brasil temos uma estrutura abaixo do básico, a intervenção de uma federação nacional que é comparável a nada, e nível dos profissionais do meio muito aquém do que necessitamos para fazer um trabalho de qualidade. Claro que o baixo nível técnico dos profissionais do meio é também reflexo da falta de intervenção de uma administradora nacional do desporto que não se preocupa com a qualidade de sua matéria prima.

Eu gostaria muito de ver a CBF lutar pelo Futebol Feminino um vinte avos do que está criando caso com a situação do atleta Diego Silva.

Se o Futebol Feminino Brasileiro tem respeito no exterior ele deve muito disso às suas atletas e não a estrutura que a elas é oferecida, e olha que com a forma que é gerenciada a modalidade não podemos afirmar que são as melhores que vestem a camisa da seleção. Afirmo isso pelo fato da pouca ou nenhuma observação de atletas a nível nacional e internacional faz com que apenas uma parcela muito pequena de atletas sejam observadas e tenham a oportunidade na Seleção nacional.

Quantas meninas jogam muito e não tem oportunidades nem em clubes, quem dirá em seleções. E é assim no Brasil todo.

Tiro como exemplo o Rio de Janeiro, cidade onde sou nascido e criado e tem uma enorme quantidade de atletas com potencial e vontade, e que necessitam apenas ser trabalhadas. Precisam só da oportunidade. E é assim Brasil à fora, nas baixadas, nas periferias, nos interiores e até nas capitais.

E ainda temos a questão de que alguns clubes e profissionais realizam trabalhos medianos, isso quando chegam a ser medianos, e se acomodam por achar que o que fazem é algo fora de série, quando, tendo os pés no chão, poderiam realizar um trabalho muito melhor.

Enfim, muitos são os fatores que interferem não só na qualidade do futebol nacional (masculino e feminino) como também interferem nas escolhas de nossos talentos em jogar dentro ou fora do Brasil, vestindo a camisa da seleção brasileira ou a camisa de quem lhe proporcionar algo além do que o desgosto e da frustração que o futebol brasileiro proporciona aos talentos de hoje.

Fazer de conta que esses fatores não existem e que nada disso acontece, se ofender ao ler um texto como esse é nada mais nada menos do que  demonstrar não entender de futebol e que se tem uma visão limitada de tudo que acontece, não sabendo se colocar nem no lugar dos atletas.

Precisamos refletir seriamente sobre o que temos e o que fazemos no futebol brasileiro. Não estamos evoluindo, muito pelo contrário e não apenas o esporte regride, mas a qualidade de nossas atletas e profissionais também cai a cada dia.

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