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sábado, 20 de dezembro de 2014

Uma séria reflexão sobre o poder subestimado propositalmente do esporte no Brasil


Quantos brasileirinhos e brasileirinhas são campeões em algum esporte todo dia? Campeões só por estarem fora das ruas e ocupar o tempo de forma melhor. Por ganhar uma medalhinha de honra ao mérito de 50 centavos por "competir" com os coleguinhas e que faz essa criança se sentir a mais importante e maravilhosa criança do mundo mesmo sem ter nada...?!

Quantos homens e mulheres disputam competições dentro e fora do país nas mais variadas modalidades e vivem nas sombras, escondidos da nação?  Visíveis apenas para alguns poucos que se encontram próximos...

Somos um país rico em talentos em diversas áreas e o esporte sem dúvida é uma delas.

Quantas vidas se transformam através do vôlei, basquete, judô, handebol, atletismo, futebol, natação,  capoeira, ginástica, etc?

O esporte, seja qual for, transforma vidas pela inclusão e pela disciplina que o esporte. 

Infelizmente a vida de poucos se transforma financeiramente através do esporte.

Somos um país rico onde o esporte é apenas tratado como ferramenta social, mas poderia ser bem mais que isso. O esporte poderia ser fonte de renda e de vida, proporcionando não só a inclusão mas também o enriquecimento moral, financeiro e cultural. Poderia ser o sustento de muitos brasileiros.

Infelizmente não temos políticas públicas para os esportes.

O Brasil poderia se tornar o líder mundial no ranking de qualquer esporte, conquistar o topo em qualquer competição,  afinal temos a maior diversidade étnica do mundo, as mais variadas e valiosas valências físicas para o esporte que quiséssemos, SE QUISÉSSEMOS.

Temos o negro,  o índio,  o asiático,  o branco,  o pardo, o europeu... tudo isso em um só povo! 

Enquanto todos países no mundo  dos esportes lutam para naturalizar um atleta de outra nacionalidade por suas características físicas e fisiológicas,  nós produzimos naturalmente pessoas com todas as características que qualquer modalidade precisa. E o que fazemos? ESTAMOS JOGANDO FORA.

Imagine que o esporte é um supermercado que contém diversos produtos das mais variadas seções de utilidade e a modalidade esportiva é o consumidor. Em alguns países lá fora o mercado só tem o azeite fino, em outro pais o mercado tem apenas a carne de qualidade, em outro mercado existe apenas o melhor vinho. 

NO BRASIL O MERCADO TEM TODOS OS PRODUTOS pra qualquer consumidor/modalidade. É só entrar, escolher, levar pra casa e preparar...o resultado seria o sucesso!!!

O Brasil poderia ter Brasileiros mais saudáveis,  independentes financeiramente,  culturalmente mais ricos.  A economia poderia ser movimentada pelo esporte, produção de aparelhos e equipamentos da melhor qualidade e abastecer todo o mundo. Países pagariam para aprender como o Brasil faz esporte, as principias empresas de produtos esportivos do mundo estariam aqui, os brasileiros do esporte ganhariam o mundo,  conquistariam medalhas, respeito,  liberdade, qualidade de vida. Se sustentariam do esporte saindo do seu país apenas para competir,  mas podendo treinar com qualidade e dignidade aqui em sua casa, perto de sua família. 

A educação trabalharia inevitavelmente em torno do esporte e movimentaria graduações,  cursos, pós graduações em cursos de negócios do esporte,  treinamento, recuperação física. 

A medicina e os seus profissionais seriam os melhores do mundo, os negócios em torno do esporte seriam uma das 3 maiores fontes de renda do país. 

Teríamos centenas de duzias de Medinas, Martas, Vanessas, Ricardos, Eduardos, klebertons, Giovanias, Cristinas. 

A expectativa de vida seria maior e melhor, o índice de criminalidade seria um dos mais baixos do mundo, teríamos mais cidadãos, se gastaria menos com saúde e programas de governo para casa própria,  alimentação e remédios.  Não importaríamos médicos,  exportaríamos! Não iríamos ao exterior comprar os melhores produtos para treinar,  compraríamos aqui e o mundo viria comprar aqui também. 

O preço dos produtos dentro do país seria muito mais barato desde comida até vestuário. Quem pagaria mais imposto seria quem está la fora e compraria daqui.

O brasileiro não movimentaria milhões na economia de outros países por comprar pela internet por lá fora ser mais barato. O mundo que movimentaria milhões e bilhões na economia do Brasil! Nossa, teríamos bons empregos aos milhares!

O poder aquisitivo sairia da mãos de uns poucos e seria distribuída nas mãos de uns milhares.

Seríamos sem dúvida um país rico, melhor, mais justo e de primeiro mundo.

Talvez por isso não se invista em esporte no Brasil. O esporte anda inevitavelmente ao lado da educação e do desenvolvimento moral e decisório do brasileiro.

A escravidão acabou, a ditadura também,  mas ainda somos escravos de uma cultura que beneficia poucos e acorrenta a maioria.

Nunca fomos livres e não sei se um dia seremos e é uma pena saber que poderíamos mudar o mundo de tantos brasileiros simplesmente através do esporte!

sábado, 6 de dezembro de 2014

FUTEBOL FEMININO supera o masculino no Brasil. Entenda...


FUTEBOL FEMININO SUPERA O MASCULINO....Entenda

Falando só de 2014, as equipes da Ferroviária de Araraquara-SP e São José dos Campos-SP conquistaram títulos que muitos clubes de futebol masculino com muitos anos de atuação nunca conseguiram.

A Ferroviária conquistou a Copa do Brasil e o Brasileiro Feminino, São José conquistou a Copa Libertadores da América e o Mundial Feminino de Clubes no Japão.

E estamos falando só de 2014. Poderíamos falar dos clubes de futebol feminino que conquistaram os campeonatos estaduais em outros anos, além de Copa do Brasil, Libertadores e o Brasileiro.

A visibilidade alcançada com estes feitos é superior a visibilidade que muito clube masculino possui.

E digo mais: muitos clubes masculinos vão trabalhar por 10 anos, com investimentos de milhões de reais nestes 10 anos, e mesmo assim não alcançarão o patamar de prestígio e visibilidade que estes times femininos vem alcançando. Já o feminino alcança o topo do esporte com investimentos de 400 mil por ano! Chega a ser ridículo!

Quanto estes clubes femininos pagariam em publicidade/mídia para aparecer em TV, rádio, internet, jornais e revistas impressos e eletrônicos? Tem noção de como isso é grande?

E você, dirigente espertão e vivido, vai continuar dizendo que futebol feminino não dá retorno?

Acho melhor reverem seus conceitos e repensarem o poder do futebol feminino. É melhor investir 100 milhões de reais em 10 anos e não conquistar nenhum título de tamanha expressão ou investir no feminino e ter este inestimado retorno com MUITO menos?

É... vocês devem ter razão. Futebol feminino só dá prejuízo e nada de retorno!

A intenção com o texto e questionar a visão limitada dos gestores e dirigentes de clubes que sempre afirmam que não se investe no futebol feminino pela falta de retorno da modalidade, mostrando que a modalidade pode sim dar certo e que dá retorno de acordo com a forma que for trabalhada.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Futebol Feminino: onde está ?

Momento Edu Pontes - Especial de fim de ano 

OS ASSÉDIOS NO FUTEBOL FEMININO: todo assédio, moral e sexual, sofrido por atleta deveria ser banido sendo então o "profissional" impossibilitado de atuar novamente dentro de qualquer esporte além responder ao processo e a pena processual cabível para cada caso. 

Curioso é que muitos profissionais sabem dos casos de assédio,  mas nada fazem e acabam sendo coniventes com o crime. E não me venham com a desculpa de que o melhor para o crescimento da modalidade é que essas coisas não apareçam na mídia. 

CONTRATOS, ATRASOS E NÃO PAGAMENTOS: NO caso dos atrasos salariais ou não pagamentos, clubes deveriam sofrer os devidos processos trabalhistas. Mas abtes disso precisa haver o vínculo empregatício por contrato como exigência para inscrição da atleta em qualquer competição pela equipe.

E outra coisa... clube que argumenta que o contrato prejudica e que não fazem por medo da atleta processar o clube é desculpa esfarrapada.

O contrato bem feito dá segurança a ambas as partes, clube e atleta, e se cumprido da forma correta clube ou atleta podem ser obrigados a pagar a multa rescisória. 

Mas precisa ser algo bem feito mesmo. Porque já vi clube que pagava ajuda de custo (porque aquilo não podia ser chamado de salário) ter clausula rescisória onde em caso de ruptura por parte da atleta ela deveria pagar R$500.000, 00 (quinhentos mil reais).

A coisa não funciona e não anda porque tem muito idiota (isso mesmo... i-di-o-ta) à frente de equipes e muita atleta varzeana que quer fazer o que quer e tirar proveito do clube, e o idiota do clube quer se aproveitar da atleta e por ai vai.

São exemplos simples, mas que sua análise nos comprova que em muitos casos a culpa não é da CBF.

A CBF tem suas culpas em determinadas questões pois poderia fazer mais e melhor, mas O GRANDE, REAL E BRUTO PROBLEMA DA MODALIDADE ESTÁ NA POSTURA DAS PESSOAS QUE NELA ESTÃO INSERIDAS.

domingo, 23 de novembro de 2014

FUTEBOL FEMININO - Ética, boas maneiras e profissionalismo

Até onde errar é admissível?

Raríssimas exceções e nem é o fato de ser admissível. Talvez seja compreensível, mas não admissível.

Errar o mesmo erro então, nem pensar...

Penso que talvez seja necessária uma cartilha de ética e boas maneiras pessoais e profissionais para o Futebol Feminino, mas se até os seus 07 anos de idade estes, que hoje gostam de ser chamados de profissionais do esporte, não foram devidamente educados e em muitos anos de vida e trabalho não resolveram mudar, do que adiantaria?

Infelizmente são sim necessárias aulas e mais aulas de ética, valores e bom senso aos profissionais e atletas.

Talvez os ditos profissionais que convivem diariamente e por muitos anos com as jogadoras e atletas (existe diferença entre os termos) precisem ainda mais dessa reeducação porque eles que forma e se tornam exemplos de comportamento para muitas por ai. Isso explicaria o grande número de peladeiras que acham que jogam futebol?

Sabemos que não existe fórmula pronta do sucesso até porque o sucesso pode ser relativo e ter variações de conceito de pessoa para pessoa, mas precisamos criar um formato mais profissional da administração da modalidade e de seu campo de formação (de pessoas, cidadãos, de caráter, de profissionais).

É preciso pensar em "normatizar" e principalmente em FISCALIZAR e PUNIR de forma severa algumas coisas dentro da modalidade.

Vejo muita gente bater no peito e dizer se orgulhar da carreira, mas se fossemos realizar um pente fino em toda questão de aliciação de atletas, assédios morais e sexuais, coações, furtos diversos diretamente relacionados a má administração, toda questão de preferencia pessoal/amizade por atletas escaladas e prevalecerem sobre empenho e as qualidades técnicas, QUANTOS "PROFISSIONAIS" DO FUTEBOL FEMININO realmente passariam limpos?

Diversos dizem querer uma modalidade profissional, mas grande maioria nem compreende o sentido dessa palavra no futebol feminino.

É preciso mudar! Talvez se eu for contar nos dedos das mãos, ainda sobrarão dedos...

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Futebol Feminino: Hoje apenas observo...

Há algum tempo eu me desdobraria para estar acompanhando a Copa Libertadores da América de Futebol Feminino.

Hoje me contento apenas em desejar boa sorte às atletas, clubes e comissões tecincas que estão na disputa desta competição.

Seu eu ainda gosto de Futebol Feminino? Claro! Amo isso!

Mas amo muito mais a mim mesmo.

O futebol feminino não paga minhas contas e ainda sou obrigado a ouvir gratuitamente ofensas, questionamentos contra minha pessoa e meu caráter. Logo eu que talvez seja o maior de todos os "idiotas certinhos" desse mundo.

Estou afastado da modalidade por estar cansado de elogios falsos, tapas nas costas e aplausos que depois se transformam em palavras negativas contra minha pessoa e imagem.

Mas não estou morto... fico a par dos assédios, mandos e desmandos que acontecem em tantos clubes por ai. Sei das atitudes de treinadores e membros de comissões técnicas que vivem camufladas nos discursos e sorrisos teatrais totalmente divergentes das atitudes reprováveis diárias.

Existem muitos problemas? Uma porrada deles... mas não sou eu quem deve dar a cara a tapa e brigar por isso...cadê as atletas? Cadê os "profissionais" que dizem querer ver a modalidade crescer? Querem mesmo...?

São vocês que vivem o futebol feminino e é a falta de atitude, falta de respeito, falta de caráter, falta de coragem, falta de união e o tamanho egoísmo de vocês que colocou a modalidade onde está e de onde, pelo andar da carruagem e das atitudes, não sairá tão cedo. Cabe a vocês mudar a modalidade pra melhor, ou não. E ai?

Estou rindo pois nem sei pra que pergunto por algo que está explícito..hahahahaha

Estava a pensar e concluí que se eu continuasse a escrever diariamente sobre o esporte, estaria falando dos mesmos problemas que falo, vejo e acompanho nestes 8 anos aos quais me dediquei, estudei e vivi a modalidade... me dediquei ao futebol feminino mais do que a mim mesmo. E adiantou?

Claro que não!

Cada um sabe dos problemas da modalidade e de suas possíveis soluções, mas seria difícil que vocês arrancassem suas máscaras, assumissem seus erros e passassem a se empenhar por acertos... mas não vejo neste nosso atual futebol feminimo seres humanos providos de tamanha coragem e caráter para assumir erros, mudar posturas e pensar mais no esporte do que em quantas atletas pode pegar ou até onde poderá chegar batendo no peito dizendo que joga muito ou que comanda muito.

O futebol feminino e seus membros estarão fadados a viver de passados como museus ambulantes que repetem as mesmas histórias começadas com "eu fiz...","eu fui...", "eu revelei... descobri... ganhei..." e tantos outros "eus"?

Lamento lhes dizer que sim... afinal os integrantes desta modalidade só sabem falar do que são ou do que fizeram... isso quando não abrem suas bocas soberbas para atacar outras pessoas e seus trabalhos.

Sinceramente?! Se estivesse no lugar de muitos de vocês sentiria vergonha de fazer discursos de mudança, de profissionalismo, quando em meio a umas ou outras atitudes aceitáveis continuam realizando uma série de atitudes mesquinhas, egoístas, idiotas e amadoras por ai. Sim... atutudes amadoras!

O Futebol Feminino está ruim? É mal estruturado? Deixa a desejar?

Então olhem no espelho senhores dirigentes, treinadores, atletas, grandes nomes de grandes entidades que deveriam cuidar do esporte.... olhem bem pro espelho e enxerguem o reflexo do que prejudica a modalidade todos os dias, dia após dia, ano após ano... vocês mesmos!


Desabafo? Não! Apenas um retrato da realidade da modalidade...

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Futebol Feminino: "Não deixe de estudar" por Laylla da Cruz

Pensando na nova geração, atleta que atua nos Estados Unidos escreve carta de incentivo para a nova geração.

Reprodução: Instagram


Há 4 anos nos EUA, a brasileira Laylla da Cruz vem se destacando na liga universitária. E este crescimento e sucesso, fez com que ela escrevesse uma carta aberta, onde ela fala dos medos, incertezas, superação em uma mensagem dirigida segundo ela, a nova geração (Planeta Futebol Feminino).


Confira a carta na íntegra:


"O que todo atleta deveria saber,


Por Laylla da Cruz,


Como brasileira e jogadora de futebol, tive uma oportunidade que muitas poucas jogadoras já tiveram e gostaria de compartilhar com todos amantes de futebol, principalmente essa nova geração que esta chegando, tal experiência na esperança que muitas, quem sabe, seguirão esses passos.


Quando fiz 17 anos tive a oportunidade de jogar num clube de tradição chamado Santos FC, mais conhecido como sereias da vila. Se eu fosse entrar em detalhes sobre minha a experiência que tive lá, teria que escrever um livro. Como toda jogadora, passamos por altos e baixos, coisas boas e outras nem tanto, contusões, cirurgias e todo aquele processo chato que sabemos. Acredite, passei por todos os níveis possíveis dessas experiências, e repito, todos! E me recordo, como se fosse hoje, quando fiz 18 anos, em uma entrevista fui perguntada sobre qual eram meus planos com futebol, e foi ai que tudo começou.


Claro que minha primeira resposta era de um dia ser jogadora da seleção Brasileira e 
Laylla aparece com Carli Lloyd em treinamento.


representar meu país em uma copa do mundo e olimpíadas, mas esse sonho todas nós que jogamos, temos. Mas uma coisa eu disse naquela entrevista e as pessoas não prestaram atenção. Disse que eu planejava em um ou dois anos me mudar para os EUA e obter uma bolsa de estudos para poder jogar a liga universitária daqui. Eu tinha apenas 18 anos.


Sem muita demora, a oportunidade bateu na porta de casa, ou melhor, chamou ao telefone da sala do alojamento das sereias da vila, e uma pessoa em especial me indicou a treinadora que buscava atletas para vir aos EUA jogar a liga universitária. Sem muita demora, comecei a estudar inglês cinco vezes na semana, aulas que duravam 3 horas todos os dias, em 6 meses de muita correria, idas a cidades diferentes, dormindo em casa de amigos, pedindo amigos pra me levar as escolas para fazer provas e tudo mais que precisava para ter meus documentos prontos. Isso sem incluir a correria dos meus pais para comprarem passagem, pagarem o visto, etc. Seis meses depois, tudo estava certo. Mas uma coisa ainda me faltava, o tal contrato com a faculdade que até então não havia decidido se viria para o Texas, ou iria para a Florida, que foram as duas opções que tive naquele momento. E essa é parte a qual quero compartilhar com vocês.


Quando você assina sua “Carta Nacional”, o famoso contrato, muitas emoções vêm à tona: nervosismos, alegria, medo, incerteza, e vários outros sentimentos que se possa imaginar.


Mudei-me pra os Estados Unidos, sem falar inglês propriamente, com duas bolsas cheias de roupa e um par de chuteiras. A faculdade me encantou, o centro de treinamento do nosso time é fantástico e o apoio dado pela universidade nem se comenta. Mostraram-me onde iria morar ( os famosos dormitórios da faculdade ) e me deixou deslumbrada. Em nosso vestiário, os materiais de treinos novos, sem contar todas as roupas, os tênis e a chuteira que recebi no primeiro dia. Vindo do Brasil, estava de fato no paraíso. Foi ai que me apaixonei mais, ou verdadeiramente, pelo futebol. E sem querer soar clichê, não existe nada melhor do que continuar se apaixonando por algo diariamente.


Mas ai que começou a parte inesperada. Ninguém me mostrou ou me disse da dificuldade que eu teria de me adaptar ao futebol americano, como a fisicalidade do jogo, a velocidade, a organização tática que ainda me deslumbra, fora as situações inesperadas que viriam a acontecer como as contusões, o drama diário do time, afinal somos mulheres e sabemos que o que mais existe no nosso meio são dilemas, e o mais difícil, o stress de ter que conciliar faculdade e futebol em alta temporada. Ninguém te diz que isso mudará a pessoa que você é e te levará a loucura em alguns momentos. E o mais importante, ninguém te mostra ou te conta que o seu esporte não define quem você é, e eu sei por experiência própria que muitas de nos pensávamos o contrario antes.


Sim, futebol me deu tudo que tenho hoje, mas ainda não tudo.Vamos lá,


Os Meus últimos quatro anos na Universidade do Texas de San Antonio mudaram a minha vida. Cresci como atleta e como pessoa. No meu ultimo ano pela faculdade, resolvi refletir em tudo que passei esses anos. Minha ultima temporada como atleta foi a melhor que já tive, como time nem tanto. Desmanche isso. Como time foi a pior de todos os tempos.


Quando vim para os EUA, eu tinha planos, ate então pra mim considerados gigantes, e na medida em que eles foram acontecendo vi que sonhos sim, podem sim, se tornarem realidade. Queria ser a melhor jogadora da temporada, ajudar meu time a conquistar algo inédito, marcar gols, e todas essas coisas que todos nós queremos. Será que queremos mesmo? No meu primeiro ano, conquistamos o titulo inédito pela faculdade de campeãs da conferência que jogamos e que nunca foi obtido antes. Como meio campo marquei 5 gols e tive 5 assistência, até então a segunda mais alto do time, fora o aproveitamento em chutes a gol, que fiquei em primeiro nos 4 anos aqui. Não, não estou querendo mostrar pra vocês o quão boa sou, ou penso que sou, ou dizem que sou isso são apenas fatos. Pela primeira vez nosso time estava ranqueado no nacional em 64 lugar entre mais de 350 faculdades de primeira divisão. Ate jogarmos contra a faculdade da famosa Sinclair, a qual naquele ano, a meio campo Schmidt jogava sua ultima temporada, e então sairmos no mata-mata.


Voltamos pra casa como o maior orgulho que a universidade já teve. Medalhas não foram dadas por não serem tradição, mas um anel que nos tornam reconhecidas em todo lugar nos foi dado meses depois. E assim se passou o segundo ano com record em assistências e chutes a gol. O terceiro ano finalmente como titular absoluta do time e o quarto ano como capitã e, o mais importante como exemplo em campo para as mais novas que chegavam.


Toda essa experiência ainda me pergunto: O que realmente o futebol me deu?


Para começar, me deu educação e me deu um diploma. Somos rápidos para refletir sobre isso, ou dar valor. Pergunte a um amigo quanto lhe custa para fazer faculdade, ainda mais nos EUA. Entre no google e pesquise o número de jovens hoje que saem do ensino médio e obtém um diploma de bacharelado em 4 anos sem passarem apertos financeiros. Para ser bem sincera, eu acho que não olhei o boleto bancário da minha faculdade uma vez se quer. Apenas isso já faz tudo valer a pena.Poder dizer que estou me formando em uma faculdade de primeira divisão, com bacharelado em Gestão e Negócios Internacionais sem ter NENHUMA despesa já é uma dádiva.


E a minha dica pra você: novinha começando no futebol, não deixe de estudar, seja no Brasil ou com uma bolsa nos EUA.




Eu fui estudante primeiro e atleta em segundo. A hora de ser atleta em primeiro iria chegar na hora certa.


E não é que chegou?


Chegou no meu ultimo ano, logo após minha ultima temporada pela faculdade. A oportunidade de jogar pela seleção pela primeira vez, de vestir a amarelinha e poder entrar em campo com jogadoras que sempre sonhei jogar ao lado, a oportunidade de fazer parte de uma academia de preparação de atletas, como a Universal Soccer Academy, o sonho de treinar com a jogadora que sempre me inspirou dentro de campo, Carli Lloyd, a chance de passar um verão inteiro focada na minha preparação física, mental, tática, técnica e aprimorar minha habilidade, a chance de jogar pela W-league e ainda ser eleita a meio campo da conferencia na região onde jogamos considerada a chave mais difícil. Liga na qual 18 das 22 jogadoras atuais da seleção americana, sem contar canadenses que jogam antes de se tornarem profissionais. E a oportunidade que mais sou grata: de me tornar parte da Universal Soccer Academy e poder trabalhar agora sob os olhos e comando do grande treinador do futebol feminino James Galanis.


Será que ainda acham que foi apenas um diploma?


Mas voltando a ele agora,


Uma coisa importante também, que deve ser lembrado é que não escolha o curso mais fácil só pra ter um diploma. Se você vai estudar, faça algo que fale com você, que te toque e que exija o seu melhor. Um curso que amanha quando alguém te falar que você não poderá competir mais ,você vai parar sabendo que agora trabalhará em outro campo, mas outro tão verde quanto o de antes, e que você também se apaixonará diariamente.


Poder dividir meu talento e o meu amor que tenho pelo futebol com os” fãs” não tem preço. Não falo fãs no sentido de ser famosa ou não, falo no sentido de admiradores do esporte, a maioria deles aqui são crianças que sonham em poder jogar por uma faculdade um dia. E acredite, nada é mais gratificante do que ver o sorriso que podemos colocar no rosto de uma criança fazendo apenas algo que amamos. Não importa se você teve um jogo ruim ou não, crianças vêm além disso, eles nos vêm como super estrelas, do mesmo modo que vejo o Ronaldinho Gaucho.


Ver as crianças fazerem fila para serem gandulas no jogo, apenas para poder nos dizer oi apos o jogo ou nos pedir um simples autografo, faz com que o meu coração sorria, e mais uma vez, me apaixone pelo futebol. Lembra-me de quando eu era mais nova e via jogadoras como Formiga e Sissi na televisão e o quanto queria conhece-las.


Essas são as coisas mais importantes que quero compartilhar, pois quando essa “fama”, seja ela na magnitude que for, se acabar, a influencia e o bom exemplo que você foi na vida dessas crianças e da comunidade, ficará lá pra sempre.


Talvez esse cenário universitário não se encaixe completamente ao cenário que temos hoje no Brasil, queria eu que tivéssemos o mesmo, mas acredito que tais exemplos possam ser adaptados a sua realidade, esteja voce onde estiver.


Planeje seu futuro. Isso eu não me canso de falar. Nunca é cedo demais para começar a pensar no que fara após para de jogar futebol, seja em um ano seja em 5 anos ou 10. Se você vai parar após se graduar ou se, como eu, terá a oportunidade de jogar profissionalmente por alguns anos, a situação não importa um dia ira acabar.


Construa sua base, saiba quem são os que te apoiam, nunca deixe de agradecer aos poucos que estão sempre do seu lado.


Tenha amigos fora do futebol.


Se envolva no bem da comunidade, seja voluntário, ajude o próximo.


Respeite seu time e suas companheiras de time.


Segure firme na sua felicidade.


Novamente, sem querer soar clichê, mas haverá horas que você vai querer desistir de tudo, eu já estive lá e sei como é. Terá horas que você vai se perguntar o que você esta fazendo e o porquê, e terá horas que você vai apenas querer jogar tudo para o alto.


Mas olhe, esses anos da sua vida, sejam eles 4 anos na faculdade, ou em outro cenário, eles não voltarão, eles passarão voando e, quando voce se tocar, você já esta com 26 anos, e eu posso te garantir, seja aqui nos EUA, no Brasil ou na Europa, essas serão as melhores experiências que você poderá ter. Aproveite os hotéis, as cidades diferente que viajara, a comida típica de cada lugar, a paisagem que e única a cada viagem…Aproveite cada momento, pois tudo passa para todos.


Para mim está tudo começando, e sou grata a todos que me fizeram hoje pensar dessa maneira, pois agora sei o quanto devo valorizar esses próximos anos da minha carreira como jogadora. Mas já posso te dizer, esses últimos 4 anos, passaram voando, as memórias são muitas, a experiência de ja ter viajado nos EUA de norte a sul, de leste a oeste é inexplicável, a oportunidade de conhecer pessoas de todo o mundo, com visões diferente não ha dinheiro no mundo que pague, e eu sinceramente desejo que muitas outras meninas no Brasil tenham essa experiência, assim como eu tive.


E por ultimo, seja presente, Não se preocupe com o futuro. Planeje-o, mas não viva nele.


Laylla da Cruz"

Refletindo sobre o Futebol Feminino no Brasil

Olá amigos e amigas. Ando "afastado" do futebol feminino, mas isso não significa que não reflita e acompanhe algumas coisas. Ando apenas mais "na minha".

Hoje estava vindo para a empresa onde trabalho e estava a pensar sobre a modalidade. Pois bem, vamos lá... 


Quando há algo errado as pessoas que se sentem prejudicadas costumam tomar atitudes para que as coisas passem a acontecer da forma correta.

Baseado nesta afirmação, talvez seja correta a compreensão de que as pessoas do Futebol Feminino nunca acharam nada errado e vivem satisfeitas com tudo que acontece na modalidade.

Por isso é totalmente válido questionar: por quem brigamos? Por quem damos a cara à tapa? Quem nos esforçamos tanto para defender?

E por último questiono se isso tudo vale a pena...

Pela modalidade acho válido porque sempre me preocupei e fiz o que esteve a meu alcance e até além dele para tentar ajudar, tenham as pessoas ficado sabendo ou não. Sempre me preocupei com a estrutura, as dificuldades, o descaso, mandos, desmandos, abusos, sacanagens...

Me dediquei tanto porque vejo um potencial nessa modalidade enorme. Vejo a possibilidade de futuro para atletas e "profissionais" da área.

Mas será que as pessoas envolvidas enxergam e querem esses dias melhores?

Parecem todos satisfeitos... as atletas satisfeitas em achar que jogam muito, achar que chegar a seleção é o ápice da carreira. Os treinadores, preparadores e dirigentes parecem extremamente satisfeitos em bater no peito e dizer que são, que fizeram, que dirigem clubes ou que revelaram alguém.

Será que isso é futebol feminino? Se vangloriar apenas do que acha que fez ou do que se acha que é suficiente, sem pensar no todo, sem vislumbrar um futuro social, esportivo e profissional?

Futebol Feminino se resume em achismo? Em egocentrismo? Em lembrar de um passado ou um momento qualquer que foi bom, que passou e que não te proporcionou nada além de um passado e nenhum fruto para uma vida melhor pós-carreira?

O que vemos hoje... ou melhor, o que eu particularmente vejo, são centenas de incertezas, centenas de pessoas que precisarão se "matar de trabalhar" após anos e anos de carreira porque viveram um sonho fantasioso de pés fora do chão onde nunca pensaram que após 10, 20 ou 30 anos de futebol feminino poderiam, em uma estrutura organizada e justa, viver ainda do esporte ou ter a oportunidade de uma vida mais tranquila após tanto tempo de dedicação.

Mas será que essas pessoas não querem o melhor para a modalidade?

Eu vejo muitos que querem o melhor pra si! Nada muito além!

E a imagem que vejo, fazendo uma triste comparação, é de ver velhinhos abandonados em um asilo, sentados lembrando de glórias de um passado, mas vivendo um triste e incerto presente e futuro.

O problema não é nem nunca foi a modalidade. O problema, como em qualquer relacionamento está nas pessoas, nas suas escolhas, atitudes, e na falta de atitudes também.

Não seria exagero dizer que ninguém faz nada pelo futuro da modalidade porque é comum ver o foco apenas no hoje sem se preocupar no que acontecerá amanhã.

Sabe aquele ditado que diz que "quem vive de passado é museu"? Pois bem, este se aplica perfeitamente ao que é o futebol feminino brasileiro e o que faz a grande maioria dos profissionais e atletas do meio.

O Futebol Feminino só vai crescer quando as pessoas também crescerem e puderem ver que não fazem nada hoje para garantira a sustentabilidade da modalidade no futuro.

Uma pena, afinal se bater no peito fizesse a coisa andar, seríamos referência na formação de atletas e profissionais, na organização de competições. Seríamos número um do mundo, teríamos ouros olímpicos e mundiais, e teríamos o futebol feminino como um dos esportes mais respeitados do país e do mundo.

Hoje somos apenas alguém que acha que joga bola quando ainda tem muito a fazer e aprender pra finalmente dizer que faz futebol feminino.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

E o legado? Carta da Cidade do Pan 2007 para a Cidade Olímpica de 2016.

Olá querida "Cidade Olímpica". Animada com 2016?

Tenho visto que o Rio de Janeiro vive agora o projeto de "Cidade Olímpica". Vejo pelos comerciais que planejam que você fique uma cidade ainda mais linda onde o povo está sempre bem vestido e sorridente, o trânsito é bom, os transportes andam vazios, violência não existe e o esporte é praticado por crianças felizes.

Sabe "Cidade Olímpica" tenho me questionado qual será o real legado esportivo para o Rio de Janeiro após 2016?

Eu já vivi essa euforia e me vi em comerciais lindos e bem parecidos com os em que você figura hoje.

Eu, a cidade do PAN de 2007, fui abandonada logo depois que o grande evento acabou. Sinto que poderíamos estar formando atletas em diversas modalidades, mas o esporte é minimamente ou nada usado como ferramenta de socialização e de oportunidade de um futuro melhor para a população, que em nada parece com o que vemos nos "belos" e falsos comerciais da televisão.

Tenho certeza que você "Cidade Olímpica" provavelmente será excelente comercialmente para grandes empresas, construtoras e imobiliárias. Mas e o povo? Você já parou para pensar nele?

O povo se beneficiará das vias de transporte podendo se locomover de forma mais rápida? É um legado estrutural...

Mas olha, que legal! Vais bater no peito com orgulho de obras superfaturadas que soam como grande favor à população quando na verdade, assim como o esporte, saúde, educação e segurança deveriam ser OBRIGAÇÃO do estado para com seu povo?

E depois do seu "grande baile", depois dessa sua grande festa, Cidade Olímpica, suas estruturas serão utilizadas para formar e aperfeiçoar talentos? Mudar vidas e projetar pessoas e futuros?

Querida "Cidade Olímpica", eu, a Cidade do PAN torço encarecidamente para que você tenha êxito e seja bem cuidada após 2016 e espero que o povo possa usufruir, crescer e se desenvolver com você, porquê comigo, com os hospitais, escolas e com o esporte o povo não pôde nem pode contar até então.

Que com você seja diferente do que aconteceu comigo!

Um abraço e boa sorte, da Cidade do Pan.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Já vi "de tudo" no futebol feminino ...

Já vi "de tudo" um pouco no futebol feminino.

Já vi faltar comida em alojamento, água e luz também.
Já vi jogadora puxar o tapete da outra, derrubar para ser titular.
Já vi treinador que se faz de santo, mas alicia atleta em troca da titularidade dela.
Já vi atleta que aceita caprichos dos treinadores em troca de posição.
Já vi dirigente que diz não ter dinheiro para pagar atleta, mas viaja, troca de carro e reforma a casa "só com o pouco que ganha no clube".

Já vi atletas e dirigentes falarem bem de alguém pela frente e criticarem por trás.
Já vi treinador mandar bater na adversária para tirá-la do jogo.
Já vi clube negociar quando quer jogar, antes mesmo do sorteio da competição acontecer.
Já vi jogadora mandar mais que treinador.
Já vi atletas aceitarem mandos e desmandos, assédios e coações... e no fim das contas elogiarem aquele "profissional" que fez tudo aquilo.

Já vi e ouvi muita coisa! Vejo e continuo ouvindo os mesmos problemas. E olha que ainda falta muita coisa boa e ruim nessa "lista"!

Parece que as pessoas gostam de brincar como se fosse um pique-pega. Te falo do problema que passo no clube, seleção ou federação, fico aliviado e então "o problema não é mais meu". Se eu te contei, você que faça algo pra resolver.

Já vi muita coisa. Só não vi união suficiente desse monte de gente pra fazer o futebol feminino ir à frente.

As pessoas reclamam do que acontece, do que passam e sofrem. Mas elas são as responsáveis por tudo. Colhem apenas o que plantam!

O futebol feminino só recebe o que é de direito, já que os envolvidos fazem tudo "esquerdo".

E no futuro, se essas atletas e "profissionais" tiverem suas filhas, deixarão estas meninas entrarem no futebol?

Se lamentarão por não terem feito nada e agora, depois de anos terem que lutar por uma modalidade melhor para as suas filhas, primas, sobrinhas?

Já vi muita coisa, e prevejo que esses comportamentos vão demorar muito tempo para acabar.


terça-feira, 30 de setembro de 2014

Seleção Brasileira de Futebol Feminino é Hexacampeã Sul-americana

No último domingo, a Seleção Brasileira de Futebol Feminino conquistou a Copa América após empate com a Seleção da Colômbia no último jogo do quadrangular final da competição.

O Brasil voltou com o título da competição, com a vaga para o Pan e para a Copa do Mundo de 2015.

O Brasil teve 5 vitórias, 1 empate e 1 derrota, e teve a atacante Cristiane como artilheira da competição com a marca de 6 gols.

Parabéns à seleção, atletas e comissão técnica pela conquista.

Agora é trabalhar firme e ainda mais forte rumo a objetivos maiores como o mundial e as Olimpíadas do Rio em 2016!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

BRASIL: Não nos faltam atletas. Faltam profissionais qualificados para trabalhá-los


imagem ilustrativa retirada da internet
Brasil, um país de grande diversidade étnica, dos mais variados traços físicos que poderiam ser a mina de ouro de nossos esportes.

Nos faltam políticas publicas para o esporte. Mas é fato que nos faltam profissionais qualificados, capacitados e com o feeling necessário para transformar a matéria bruta em obra prima.

Muitos ditos "profissionais" trabalham materiais totalmente diferentes (atletas/pessoas) de formas iguais e se esquecem que apesar de toda parte fundamentada de cada modalidade, nenhuma delas tem uma receita de bolo que torna possível trabalhar de uma única maneira, com indivíduos diferentes e obter assim resultados iguais. 

A formação/lapidação do individuo e suas qualidades em atleta requer a compreensão do desenvolvimento motor de cada um. Sua bagagem motora infantil/juvenil proveniente de todas as atividades lúdicas e participativas, a bagagem psicológica e social. Tudo deve ser observado.

É impossível transformar areia em vidro, rocha em escultura ou vento em energia se você trabalhar todos eles como trabalharia para levar a água de seu estado líquido para o sólido.  

Assim é cada indivíduo. Tem suas características físicas específicas, bem como formações psicológicas e sociais diferentes, então não se deve trabalhá-los da mesma maneira.

Nossos profissionais do esporte,  em grande maioria, vivem do "achismo" e das teorias copiadas como receitas de bolo do livrinho da Dona Benta. Sem falar daqueles que após a graduação esquecem todo o estudado e criam suas próprias (e nem sempre adequadas/eficientes) teorias.

Moral da história?  Talentos descartados ou talentos trabalhados em talvez apenas 50% de seu real potencial.

Nem toda garota ou garoto que quer jogar futebol tem as características para o futebol, mas pode ser um bom jogador de basquete, um bom maratonista, um velocista. Deveriam então ser encaminhados (depois de devidamente instruídos e embasados técnica e numericamente pelos seus treinadores) à modalidade esportiva que melhor se encaixa às suas valências físicas. 

Mas o que fazemos na realidade? Apenas o dizemos que ele não foi aprovado ou que o clube o está dispensando utilizando então as mais variadas desculpas.

Discriminamos talentos todos os dias e em todos os cantos, não por não vê-los, e sim por tê-los diante dos olhos e não saber identificar suas reais características e trabalhá-las corretamente para tornar o menino ou menina em um atleta, ou encaminhá-los para o esporte que melhor uso faria das características destes jovens.

Nos faltam políticas e incentivos maiores ao esporte e sua prática como atividade de lazer/participação, bem como falta a  profissionalização das modalidades esportivas, porém ainda maior é a falta de profissionais bem preparados para respeitar e compreender as diferenças e qualidades variadas dos materiais que tem em mãos, e aí então limpando a terra que as encobre e cortando e polindo o material para transformar pedras "comuns" em safiras,  rubís, esmeraldas e diamantes.

Precisamos refletir muito sobre isso! A culpa é de todos nós! 

Boa quarta-feira!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Futebol Feminino na TV? O patinho feio se transformaria então no cisne bonito e barato!

A TV Brasil demonstra interesse em transmitir o Futebol Feminino em sua grade já há alguns anos! Não é nenhuma novidade e parece que agora essa vontade fica mais forte.

Mas será que quem administra a modalidade quer ela sendo exibida na TV?

O Futebol Feminino na TV aberta teria a capacidade de quebrar a mística de que a modalidade não vende ou não tem espaço/interesse da mídia.

Outra consequência seria a necessidade de melhor gestão de clubes e federações com transparência das informações e prestação de contas. Além disso contratos entre clubes e atletas seriam fundamentais para a definição dos direitos de imagem de cada atleta.

Seria uma reviravolta com empresas querendo aparecer na TV tendo como ferramenta para tal a utilização das camisas dos clubes sob a forma de patrocínio esportivo, afinal o valor de patrocínio anual seria infinitamente menor do que o valor pago para aparecer na TV ao longo da temporada, sem falar nos demais meios de comunicação como jornais e revistas impressas e digitais.

O patinho feio se transformaria então no cisne bonito e barato!

Os clubes e dirigentes querem este dinheiro. Mas os clubes e dirigentes estariam dispostos a ter contratos registrados com suas atletas? Pagar em dia? Prestar contas ao público?

Todos podem se dar bem trabalhando direito. Oportunidades surgem, basta ninguém ficar pensando no próprio umbigo, pensar em ganhar o que lhe é justo e pagar a suas atletas o que é justo e da forma correta!

Tenho dúvidas se dirigentes vão querer a TV se forem de alguma forma "forçados" a trabalhar corretamente.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Futebol Feminino - Seleção Brasileira Sub-20 se despede do mundial

A seleção sub 20 se despediu do mundial do Canadá sendo derrotado para a Alemanha.

Eu não me surpreendo com o resultado final por tudo que conhecemos da falta de estrutura de base no futebol feminino brasileiro, parabenizo as atletas e grupo pelo empenho mas deixo claro a todas que espero que aproveitem a oportunidade para refletir e melhorar ainda mais e aprender a avaliar e questionar tudo que é "empurrado" pra vocês de qualquer jeito.

Vexame? Vergonha? Das atletas e dessa seleção aí? DE FORMA ALGUMA! 

Vergonha sim pela estrutura que o país oferece à modalidade, pela gestão ruim dos clubes, pela postura da grande maioria daqueles que se acham profissionais da modalidade mas se preocupam apenas com seus trabalhos e seus umbigos.

Dos desvios de verba, do assédio moral e sexual dentro do futebol feminino, da troca de favorzinhos... disso tudo que eu tenho vergonha!

Os problemas não são de agora, a grande maioria sabe ou entende boa parte do que deve ser necessário para mudar os resultados. Que as pessoas da modalidade se unam para brigar pelo que é justo e gastem nisso a mesma energia que usam para tantas outras coisas. Mas que façam sem esperar nada em troca e pensando no futebol feminino e só!

"Brasil eliminado de goleada igual ao masculino na Copa".

Essa é a frase que canso de ler e que ainda muito vou ouvir.

Pena que as emissoras de Tv e veículos de comunicação, e várias pessoas, que nada sabem do nosso futebol feminino irão querer comparar os resultados da principal masculina e sub 20 feminina.

A situação é incomparável! A estrutura de base masculina no Brasil, apesar de toda dificuldade ainda é MUITO MELHOR do que a estrutura de base feminina. Além disso jogadores da masculina adulta ganham até 5 milhões de reais por mês de salário enquanto meninas mal tem clubes, campeonatos, não tem contratos e recebem ajudas de custo inferiores a um dia de trabalho de qualquer jogador profissional.

O resultado de 5 x 1 diante de uma forte Alemanha é apenas reflexo da importância que o Futebol Feminino tem aqui no Brasil e de como ele é gerenciado. 
Enquanto a Entidade de Administração do Futebol Brasileiro acreditar que não tem responsabilidade na gestão da modalidade como um todo e pensar apenas na gestão das suas seleções, perderemos de 5 x 1 muitas e muitas vezes ainda. Me pergunto, até quando?

Queria que os meios de comunicação perguntassem ao presidente da CBF qual o planejamento da entidade para mudar a realidade do futebol feminino no Brasil, uma vez que as principais federações nacionais de futebol no mundo se preocupam com o esporte como um todo e não apenas com suas seleções.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

ESPORTE: É necessário repensar a formação de atletas e cidadãos no Brasil

No Brasil, clubes querem atletas iniciando sua carreira e já "maduros", dominando toda a técnica, tática e com exemplar desempenho físico pois assim lucram mais rápido. Se o atleta tiver alguma deficiência em algum destes quesitos, dificilmente será aprovado em uma peneira.

Se isso acontece, o esporte que deveria ter o papel de ferramenta de educação e inclusão social acaba tendo o papel inverso sendo então um discriminador.

Já em outros países o atleta é avaliado como um todo e não apenas como ele já apresenta. São avaliadas as qualidades do atleta, mas também são analisadas suas deficiências e projetado o quanto o atleta poderá evoluir se tiver suas deficiências trabalhadas e consequentemente somadas às suas qualidades.

No Brasil existe a preguiça dos profissionais em tornarem-se FORMADORES DE ATLETAS por conta da nossa filosofia imediatista muito comum aos clubes e aos "gestores" amadores que existem à frente das agremiações esportivas. Mas claro que existem exceções de profissionais preocupados sim com a formação não só de jovens atletas, mas de cidadãos.

No caso do futebol masculino e FEMININO (mas também enquadrado à diversas outras modalidades coletivas e individuais), enquanto não pensarmos à longo prazo e planejarmos para que os resultados comecem a aparecer com pelo menos 2 a 3 anos de trabalho (pensando no médio prazo) e visando as metas de longo prazo, continuaremos involuindo quando deveríamos, assim como diversos países do mundo, evoluir.

O professor, educador, treinador e gestor Miguel Luz disse uma frase muito correta em recente entrevista e que deveria ser levada como alicerce de qualquer modalidade esportiva e alicerce do país: "Independente do desporto, o futuro está na base".

Consequentemente, para evolução do desporto a forma como se trabalha a base deve ser cuidadosamente pensada, repensada e valorizada. Clubes devem incluir mais e excluir menos.

O Brasil poderia ser uma potência olímpica em todas as modalidades, mas pra isso é necessário repensar como é conduzido o esporte desde a fase de iniciação, então creio que devemos repensar seriamente a educação física escolar e o seu papel considerando-a ferramenta fundamental no desenvolvimento do indivíduo física e moralmente, sejam estes futuros atletas ou não, simplesmente pensando na formação do cidadão através do esporte.

Vivi o esporte desde novo e em diversas modalidades esportivas tanto à nível de participação como de competição/alto rendimento e vi o que o esporte foi capaz de fazer na vida de centenas de crianças e jovens. O poder de transformar pensamentos, vidas e perspectivas de futuro.

Com crianças mais ativas em uma sociedade cada dia mais tecnológica e sedentária veríamos os índices de obesidade infantil diminuir. As capacidades físicas e motoras seriam aprimoradas tendo jovens com melhor coordenação motora, teríamos jovens crescendo apaixonados pela atividade física e levando isso para toda a vida, e ainda estaremos contribuindo para o futuro de potenciais atletas nas mais variadas modalidades, reduzindo o índice de adultos e idosos com doenças que foram prevenidas através do esporte e atividade física durante toda a vida.

Isso sem contar toda as mudanças e crescimento social proporcionado a todos que tiveram acesso a esta maravilhosa ferramenta que é o esporte.

Mas, como de costume, só acho...

Boa sexta a todos!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

FUTEBOL FEMININO: Brasil estreia no Mundial Sub-20 do Canadá

Hoje começa a caminhada das meninas do Brasil no Mundial sub-20 do Canadá, comandadas por Doriva Bueno e CIA!

O Brasil está no grupo B, com Alemanha, EUA e China, sua adversária na estreia que acontece hoje às 23h (horário de Brasília) com transmissão da SporTV no Canal SporTV 1. A BAND reprisa o VT do jogo do Brasil às 2h da madrugada.

Abrindo a primeira rodada da competição hoje teremos:
18h - Finlândia x Coréia do Norte
20h - Alemanha x EUA
21h - Canadá x Gana
23h - China x BRASIL

Os jogos poderão ser acompanhados pelo site http://www.rojadirecta.me/

Boa sorte a todas atletas e membros da comissão técnica! Estamos na torcida! VAI BRASIL!!!