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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

Alteração e lambança no Brasileirão Feminino 2014

Sinto cheiro de lambança no ar ...
Ao que parece e pelo que já foi confirmado, até onde sei, a CBF está tentando trazer equipes de camisa para o brasileirão feminino, sendo assim ela mudou a forma de ranqueamento e também o regulamento da competição, porém não estou sabendo profundamente dos detalhes.

Pelo que li no site da Federação Maranhense de Futebol, e que algumas pessoas me confirmaram, a Sport Promotion tem novo critério, que foi discutido e aprovado pela CBF.

"O novo critério para a participação das vinte equipes para a temporada, de 10 de setembro a 22 de novembro, deverá ser este:

1ª chamada - os oito primeiros colocados no RNFF/2014: São José (SP), São Francisco (BA), Vitória (PE), Foz Cataratas (PR), ADECO (SP), Duque de Caxias (RJ), Kindermann (SC) e Vasco da Gama (RJ);
2ª chamada - para as 12 vagas restantes, os clubes que disputaram o Campeonato Brasileiro da Série A em 2013 (obedecendo ordem de classificação);
3ª chamada - caso as 20 vagas não sejam preenchidas nas primeiras duas chamadas, seguiremos com os clubes que em 2013 disputaram o Campeonato Brasileiro da Série B (obedecendo a classificação);
4ª chamada – se ainda houver vagas disponíveis, voltaremos a chamar os clubes do RNC/FF da nona colocação em diante.

A exemplo de 2013, os 20 clubes participantes não terão custo de transporte (aéreo – acima de 500 km, e terrestre – até 500 km, para delegação de até 25 pessoas), hospedagem e alimentação. Na condição de mandante, haverá ainda ajuda de custo no valor de R$ 7.000,00 (sete mil reais) por jogo para cobrir suas despesas com arbitragem, ambulância, gandulas, maqueiros, água e gelo para a equipe visitante.

Na condição de visitante, ajuda de custo no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para cobrir eventuais despesas complementares. (leia aqui http://www.fmfma.com.br/noticias/lernoticia/347)"

Não sou contra a participação de equipes de camisa na competição, mas primeiro deveriam criar equipes, jogar seus estaduais, para talvez poder participar. Isso movimentaria os estaduais, que são fracos ou inexistentes em alguns estados e daria outra visão para a modalidade.

Porém, dar chance primeiramente a equipes que nem ao menos possuem times femininos formados, excluindo assim equipes que trabalham e fazem boas competições em seus estaduais e copa do Brasil beira o cúmulo do ridículo.

Acho que deve-se buscar maneiras de atrair os clubes de camisa, porém deve-se valorizar quem já vem fazendo um trabalho e se esforçando para disputar competições, contratar atletas e que suam para custear/manter suas equipes.

Com tudo isso tem dirigente revoltado, e com certa razão, e que pretende fechar as portas e abandonar o futebol feminino.

Eu, particularmente, entendo que fechar as portas não seja o melhor caminho porque boa parte destas equipes que podem ficar de fora do Brasileirão 2014 vem fazendo um grande trabalho ao longo de alguns anos, trabalho este que tem grande valor social pelo que transforma e representa na vida das atletas e de suas comunidades.

Além disso, o Brasileiro é uma competição apenas. As equipe tem o estadual que dá vaga na Copa do Brasil que por sua vez dá a equipe campeã a vaga na Copa Libertadores da América.

Imaginem só uma equipe excluída do Brasileirão, vencer o estadual, conseguir ser campeão da Copa do Brasil e conquistar a vaga na libertadores? Seria só um tremendo "tapa sem mão" na entidade de administração do futebol e organizadora do brasileiro feminino ao provar que a melhor equipe do país e representante do Brasil na Copa Libertadores é uma daquelas que havia sido excluída do campeonato brasileiro.

Ou será possível que a maior preocupação de muitos clubes e dirigentes em disputar o Brasileirão está no dinheiro que podem ganhar como mandante e visitante, que deve ser utilizado para custear taxas e dar o melhor para as atletas, e que geralmente os clubes não utilizam todo e ninguém sabe pra onde vai o que sobra?

Independente do motivo de querer jogar a competição, é justo deixar clubes que batalham tanto fora do Brasileirão Feminino? Não, não é! Isso é fato e na minha humilde opinião acredito que as instituições que promoveram esta alteração no Brasileiro no mínimo não entendem nada de futebol feminino ou não estão preocupadas em, de fato, desenvolver o esporte. Muito pelo contrário!

E vendo coisas como essa acontecerem me pergunto: até quando atletas e dirigentes vão continuar fazendo de conta que não tem responsabilidades nisso tudo com a habitual omissão de tantos e tantos anos?

Muitos clubes, dirigentes e atletas irão se calar porque não estão vivendo a dificuldade da situação, mas e se ficarem de fora por uma nova mudança de regulamento ou ranqueamento em 2014 mesmo ou 2015? Aí soltariam os cachorros, certo?!

Se a lambança se concretizar teremos um Brasileirão Feminino sem as equipes de Iranduba-AM, Caucaia-CE, Pinheirense-PA, Viana-MA, Rio Preto-SP, Tiradentes-PI, Tuna Luso-PA, Mixto-MT, ASCOOP-DF, Francana-SP e Aliança-GO.

Já vejo muitas pessoas criticando e cobrando quem nada tem a ver com isso, o que já é um padrão aqui no Brasil, assim como já pressinto o silêncio daqueles que tem força suficiente dentro da modalidade para criar uma "revolução" com uma única declaração simplesmente cobrando seus direitos.

Aplausos a todos pela lambança promovida no Brasileirão Feminino!

OPÇÃO

Já que a CBF quer clubes de camisa, porque não promover uma competição de acesso ao Brasileiro Feminino 2015?

Seria muito melhor criar uma "série B" onde os clubes de camisa que não tem equipes e estão fora do ranking pudessem participar e assim conquistar o acesso à competição nacional da série A.

Claro que neste caso a CBF deveria investir do próprio bolso nessa "série B", já que ela não investe nada no Brasileirão Feminino.

E esta série B não seria exclusiva aos times de camisa, mas deveria ter 10 times de camisa e 10 times que estão abaixo dos 20 primeiros do ranking feminino. Assim seria promovido ascenso e descenso onde 2 clubes da série A cairiam e 2 da série B subiriam.

E se colocarem a cabeça pra funcionar podem surgir muitas outras possibilidades, mas pensar, ainda mais quando se trata de futebol feminino, não é o forte dos envolvidos, daí um dos motivos para tantas lambanças.

Comentários

  1. simplesmente ridículo isso. O Rio Preto e o Tuna Lusa ficarem fora é um desrespeito e falta de compromisso com a modalidade.

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  2. isso mostra o preconceito com os times do norte e nordeste, simplesmente ridículo essa atitude, os times femininos precisam de apoio, não de camisa, ao invés de se preocupar em tirar times que batalham a anos pra disputar competições nacionais, deviam se preocupar dar seus devidos valorores....acorda Brasil....

    ResponderExcluir
  3. Parabéns pela reportagem. Realmente, esta situação tem que mudar. O Pinheirense/PA já protocolou na Federação Paraense de Futebol seu protesto de forma documental para que chegue à CBF e seus parceiros no futebol feminino alertando para a discriminação praticada contra os clubes do NO, NE e CO. Qual a razão de convocar somente 8 do ranking? Porque não 12 ou 20? Criando divisão B para os não rankiados? Sugiro aos clubes do NO, NE e CO que façamos um grupo unido para protestar contra esse absurdo. Represento o PINHEIRENSE/PA. Contatos: rtms_jos@yahoo.com.br. Grato.

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