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ESPORTE: É necessário repensar a formação de atletas e cidadãos no Brasil

No Brasil, clubes querem atletas iniciando sua carreira e já "maduros", dominando toda a técnica, tática e com exemplar desempenho físico pois assim lucram mais rápido. Se o atleta tiver alguma deficiência em algum destes quesitos, dificilmente será aprovado em uma peneira.

Se isso acontece, o esporte que deveria ter o papel de ferramenta de educação e inclusão social acaba tendo o papel inverso sendo então um discriminador.

Já em outros países o atleta é avaliado como um todo e não apenas como ele já apresenta. São avaliadas as qualidades do atleta, mas também são analisadas suas deficiências e projetado o quanto o atleta poderá evoluir se tiver suas deficiências trabalhadas e consequentemente somadas às suas qualidades.

No Brasil existe a preguiça dos profissionais em tornarem-se FORMADORES DE ATLETAS por conta da nossa filosofia imediatista muito comum aos clubes e aos "gestores" amadores que existem à frente das agremiações esportivas. Mas claro que existem exceções de profissionais preocupados sim com a formação não só de jovens atletas, mas de cidadãos.

No caso do futebol masculino e FEMININO (mas também enquadrado à diversas outras modalidades coletivas e individuais), enquanto não pensarmos à longo prazo e planejarmos para que os resultados comecem a aparecer com pelo menos 2 a 3 anos de trabalho (pensando no médio prazo) e visando as metas de longo prazo, continuaremos involuindo quando deveríamos, assim como diversos países do mundo, evoluir.

O professor, educador, treinador e gestor Miguel Luz disse uma frase muito correta em recente entrevista e que deveria ser levada como alicerce de qualquer modalidade esportiva e alicerce do país: "Independente do desporto, o futuro está na base".

Consequentemente, para evolução do desporto a forma como se trabalha a base deve ser cuidadosamente pensada, repensada e valorizada. Clubes devem incluir mais e excluir menos.

O Brasil poderia ser uma potência olímpica em todas as modalidades, mas pra isso é necessário repensar como é conduzido o esporte desde a fase de iniciação, então creio que devemos repensar seriamente a educação física escolar e o seu papel considerando-a ferramenta fundamental no desenvolvimento do indivíduo física e moralmente, sejam estes futuros atletas ou não, simplesmente pensando na formação do cidadão através do esporte.

Vivi o esporte desde novo e em diversas modalidades esportivas tanto à nível de participação como de competição/alto rendimento e vi o que o esporte foi capaz de fazer na vida de centenas de crianças e jovens. O poder de transformar pensamentos, vidas e perspectivas de futuro.

Com crianças mais ativas em uma sociedade cada dia mais tecnológica e sedentária veríamos os índices de obesidade infantil diminuir. As capacidades físicas e motoras seriam aprimoradas tendo jovens com melhor coordenação motora, teríamos jovens crescendo apaixonados pela atividade física e levando isso para toda a vida, e ainda estaremos contribuindo para o futuro de potenciais atletas nas mais variadas modalidades, reduzindo o índice de adultos e idosos com doenças que foram prevenidas através do esporte e atividade física durante toda a vida.

Isso sem contar toda as mudanças e crescimento social proporcionado a todos que tiveram acesso a esta maravilhosa ferramenta que é o esporte.

Mas, como de costume, só acho...

Boa sexta a todos!

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