Translate

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Futebol Feminino: "Não deixe de estudar" por Laylla da Cruz

Pensando na nova geração, atleta que atua nos Estados Unidos escreve carta de incentivo para a nova geração.

Reprodução: Instagram


Há 4 anos nos EUA, a brasileira Laylla da Cruz vem se destacando na liga universitária. E este crescimento e sucesso, fez com que ela escrevesse uma carta aberta, onde ela fala dos medos, incertezas, superação em uma mensagem dirigida segundo ela, a nova geração (Planeta Futebol Feminino).


Confira a carta na íntegra:


"O que todo atleta deveria saber,


Por Laylla da Cruz,


Como brasileira e jogadora de futebol, tive uma oportunidade que muitas poucas jogadoras já tiveram e gostaria de compartilhar com todos amantes de futebol, principalmente essa nova geração que esta chegando, tal experiência na esperança que muitas, quem sabe, seguirão esses passos.


Quando fiz 17 anos tive a oportunidade de jogar num clube de tradição chamado Santos FC, mais conhecido como sereias da vila. Se eu fosse entrar em detalhes sobre minha a experiência que tive lá, teria que escrever um livro. Como toda jogadora, passamos por altos e baixos, coisas boas e outras nem tanto, contusões, cirurgias e todo aquele processo chato que sabemos. Acredite, passei por todos os níveis possíveis dessas experiências, e repito, todos! E me recordo, como se fosse hoje, quando fiz 18 anos, em uma entrevista fui perguntada sobre qual eram meus planos com futebol, e foi ai que tudo começou.


Claro que minha primeira resposta era de um dia ser jogadora da seleção Brasileira e 
Laylla aparece com Carli Lloyd em treinamento.


representar meu país em uma copa do mundo e olimpíadas, mas esse sonho todas nós que jogamos, temos. Mas uma coisa eu disse naquela entrevista e as pessoas não prestaram atenção. Disse que eu planejava em um ou dois anos me mudar para os EUA e obter uma bolsa de estudos para poder jogar a liga universitária daqui. Eu tinha apenas 18 anos.


Sem muita demora, a oportunidade bateu na porta de casa, ou melhor, chamou ao telefone da sala do alojamento das sereias da vila, e uma pessoa em especial me indicou a treinadora que buscava atletas para vir aos EUA jogar a liga universitária. Sem muita demora, comecei a estudar inglês cinco vezes na semana, aulas que duravam 3 horas todos os dias, em 6 meses de muita correria, idas a cidades diferentes, dormindo em casa de amigos, pedindo amigos pra me levar as escolas para fazer provas e tudo mais que precisava para ter meus documentos prontos. Isso sem incluir a correria dos meus pais para comprarem passagem, pagarem o visto, etc. Seis meses depois, tudo estava certo. Mas uma coisa ainda me faltava, o tal contrato com a faculdade que até então não havia decidido se viria para o Texas, ou iria para a Florida, que foram as duas opções que tive naquele momento. E essa é parte a qual quero compartilhar com vocês.


Quando você assina sua “Carta Nacional”, o famoso contrato, muitas emoções vêm à tona: nervosismos, alegria, medo, incerteza, e vários outros sentimentos que se possa imaginar.


Mudei-me pra os Estados Unidos, sem falar inglês propriamente, com duas bolsas cheias de roupa e um par de chuteiras. A faculdade me encantou, o centro de treinamento do nosso time é fantástico e o apoio dado pela universidade nem se comenta. Mostraram-me onde iria morar ( os famosos dormitórios da faculdade ) e me deixou deslumbrada. Em nosso vestiário, os materiais de treinos novos, sem contar todas as roupas, os tênis e a chuteira que recebi no primeiro dia. Vindo do Brasil, estava de fato no paraíso. Foi ai que me apaixonei mais, ou verdadeiramente, pelo futebol. E sem querer soar clichê, não existe nada melhor do que continuar se apaixonando por algo diariamente.


Mas ai que começou a parte inesperada. Ninguém me mostrou ou me disse da dificuldade que eu teria de me adaptar ao futebol americano, como a fisicalidade do jogo, a velocidade, a organização tática que ainda me deslumbra, fora as situações inesperadas que viriam a acontecer como as contusões, o drama diário do time, afinal somos mulheres e sabemos que o que mais existe no nosso meio são dilemas, e o mais difícil, o stress de ter que conciliar faculdade e futebol em alta temporada. Ninguém te diz que isso mudará a pessoa que você é e te levará a loucura em alguns momentos. E o mais importante, ninguém te mostra ou te conta que o seu esporte não define quem você é, e eu sei por experiência própria que muitas de nos pensávamos o contrario antes.


Sim, futebol me deu tudo que tenho hoje, mas ainda não tudo.Vamos lá,


Os Meus últimos quatro anos na Universidade do Texas de San Antonio mudaram a minha vida. Cresci como atleta e como pessoa. No meu ultimo ano pela faculdade, resolvi refletir em tudo que passei esses anos. Minha ultima temporada como atleta foi a melhor que já tive, como time nem tanto. Desmanche isso. Como time foi a pior de todos os tempos.


Quando vim para os EUA, eu tinha planos, ate então pra mim considerados gigantes, e na medida em que eles foram acontecendo vi que sonhos sim, podem sim, se tornarem realidade. Queria ser a melhor jogadora da temporada, ajudar meu time a conquistar algo inédito, marcar gols, e todas essas coisas que todos nós queremos. Será que queremos mesmo? No meu primeiro ano, conquistamos o titulo inédito pela faculdade de campeãs da conferência que jogamos e que nunca foi obtido antes. Como meio campo marquei 5 gols e tive 5 assistência, até então a segunda mais alto do time, fora o aproveitamento em chutes a gol, que fiquei em primeiro nos 4 anos aqui. Não, não estou querendo mostrar pra vocês o quão boa sou, ou penso que sou, ou dizem que sou isso são apenas fatos. Pela primeira vez nosso time estava ranqueado no nacional em 64 lugar entre mais de 350 faculdades de primeira divisão. Ate jogarmos contra a faculdade da famosa Sinclair, a qual naquele ano, a meio campo Schmidt jogava sua ultima temporada, e então sairmos no mata-mata.


Voltamos pra casa como o maior orgulho que a universidade já teve. Medalhas não foram dadas por não serem tradição, mas um anel que nos tornam reconhecidas em todo lugar nos foi dado meses depois. E assim se passou o segundo ano com record em assistências e chutes a gol. O terceiro ano finalmente como titular absoluta do time e o quarto ano como capitã e, o mais importante como exemplo em campo para as mais novas que chegavam.


Toda essa experiência ainda me pergunto: O que realmente o futebol me deu?


Para começar, me deu educação e me deu um diploma. Somos rápidos para refletir sobre isso, ou dar valor. Pergunte a um amigo quanto lhe custa para fazer faculdade, ainda mais nos EUA. Entre no google e pesquise o número de jovens hoje que saem do ensino médio e obtém um diploma de bacharelado em 4 anos sem passarem apertos financeiros. Para ser bem sincera, eu acho que não olhei o boleto bancário da minha faculdade uma vez se quer. Apenas isso já faz tudo valer a pena.Poder dizer que estou me formando em uma faculdade de primeira divisão, com bacharelado em Gestão e Negócios Internacionais sem ter NENHUMA despesa já é uma dádiva.


E a minha dica pra você: novinha começando no futebol, não deixe de estudar, seja no Brasil ou com uma bolsa nos EUA.




Eu fui estudante primeiro e atleta em segundo. A hora de ser atleta em primeiro iria chegar na hora certa.


E não é que chegou?


Chegou no meu ultimo ano, logo após minha ultima temporada pela faculdade. A oportunidade de jogar pela seleção pela primeira vez, de vestir a amarelinha e poder entrar em campo com jogadoras que sempre sonhei jogar ao lado, a oportunidade de fazer parte de uma academia de preparação de atletas, como a Universal Soccer Academy, o sonho de treinar com a jogadora que sempre me inspirou dentro de campo, Carli Lloyd, a chance de passar um verão inteiro focada na minha preparação física, mental, tática, técnica e aprimorar minha habilidade, a chance de jogar pela W-league e ainda ser eleita a meio campo da conferencia na região onde jogamos considerada a chave mais difícil. Liga na qual 18 das 22 jogadoras atuais da seleção americana, sem contar canadenses que jogam antes de se tornarem profissionais. E a oportunidade que mais sou grata: de me tornar parte da Universal Soccer Academy e poder trabalhar agora sob os olhos e comando do grande treinador do futebol feminino James Galanis.


Será que ainda acham que foi apenas um diploma?


Mas voltando a ele agora,


Uma coisa importante também, que deve ser lembrado é que não escolha o curso mais fácil só pra ter um diploma. Se você vai estudar, faça algo que fale com você, que te toque e que exija o seu melhor. Um curso que amanha quando alguém te falar que você não poderá competir mais ,você vai parar sabendo que agora trabalhará em outro campo, mas outro tão verde quanto o de antes, e que você também se apaixonará diariamente.


Poder dividir meu talento e o meu amor que tenho pelo futebol com os” fãs” não tem preço. Não falo fãs no sentido de ser famosa ou não, falo no sentido de admiradores do esporte, a maioria deles aqui são crianças que sonham em poder jogar por uma faculdade um dia. E acredite, nada é mais gratificante do que ver o sorriso que podemos colocar no rosto de uma criança fazendo apenas algo que amamos. Não importa se você teve um jogo ruim ou não, crianças vêm além disso, eles nos vêm como super estrelas, do mesmo modo que vejo o Ronaldinho Gaucho.


Ver as crianças fazerem fila para serem gandulas no jogo, apenas para poder nos dizer oi apos o jogo ou nos pedir um simples autografo, faz com que o meu coração sorria, e mais uma vez, me apaixone pelo futebol. Lembra-me de quando eu era mais nova e via jogadoras como Formiga e Sissi na televisão e o quanto queria conhece-las.


Essas são as coisas mais importantes que quero compartilhar, pois quando essa “fama”, seja ela na magnitude que for, se acabar, a influencia e o bom exemplo que você foi na vida dessas crianças e da comunidade, ficará lá pra sempre.


Talvez esse cenário universitário não se encaixe completamente ao cenário que temos hoje no Brasil, queria eu que tivéssemos o mesmo, mas acredito que tais exemplos possam ser adaptados a sua realidade, esteja voce onde estiver.


Planeje seu futuro. Isso eu não me canso de falar. Nunca é cedo demais para começar a pensar no que fara após para de jogar futebol, seja em um ano seja em 5 anos ou 10. Se você vai parar após se graduar ou se, como eu, terá a oportunidade de jogar profissionalmente por alguns anos, a situação não importa um dia ira acabar.


Construa sua base, saiba quem são os que te apoiam, nunca deixe de agradecer aos poucos que estão sempre do seu lado.


Tenha amigos fora do futebol.


Se envolva no bem da comunidade, seja voluntário, ajude o próximo.


Respeite seu time e suas companheiras de time.


Segure firme na sua felicidade.


Novamente, sem querer soar clichê, mas haverá horas que você vai querer desistir de tudo, eu já estive lá e sei como é. Terá horas que você vai se perguntar o que você esta fazendo e o porquê, e terá horas que você vai apenas querer jogar tudo para o alto.


Mas olhe, esses anos da sua vida, sejam eles 4 anos na faculdade, ou em outro cenário, eles não voltarão, eles passarão voando e, quando voce se tocar, você já esta com 26 anos, e eu posso te garantir, seja aqui nos EUA, no Brasil ou na Europa, essas serão as melhores experiências que você poderá ter. Aproveite os hotéis, as cidades diferente que viajara, a comida típica de cada lugar, a paisagem que e única a cada viagem…Aproveite cada momento, pois tudo passa para todos.


Para mim está tudo começando, e sou grata a todos que me fizeram hoje pensar dessa maneira, pois agora sei o quanto devo valorizar esses próximos anos da minha carreira como jogadora. Mas já posso te dizer, esses últimos 4 anos, passaram voando, as memórias são muitas, a experiência de ja ter viajado nos EUA de norte a sul, de leste a oeste é inexplicável, a oportunidade de conhecer pessoas de todo o mundo, com visões diferente não ha dinheiro no mundo que pague, e eu sinceramente desejo que muitas outras meninas no Brasil tenham essa experiência, assim como eu tive.


E por ultimo, seja presente, Não se preocupe com o futuro. Planeje-o, mas não viva nele.


Laylla da Cruz"

Refletindo sobre o Futebol Feminino no Brasil

Olá amigos e amigas. Ando "afastado" do futebol feminino, mas isso não significa que não reflita e acompanhe algumas coisas. Ando apenas mais "na minha".

Hoje estava vindo para a empresa onde trabalho e estava a pensar sobre a modalidade. Pois bem, vamos lá... 


Quando há algo errado as pessoas que se sentem prejudicadas costumam tomar atitudes para que as coisas passem a acontecer da forma correta.

Baseado nesta afirmação, talvez seja correta a compreensão de que as pessoas do Futebol Feminino nunca acharam nada errado e vivem satisfeitas com tudo que acontece na modalidade.

Por isso é totalmente válido questionar: por quem brigamos? Por quem damos a cara à tapa? Quem nos esforçamos tanto para defender?

E por último questiono se isso tudo vale a pena...

Pela modalidade acho válido porque sempre me preocupei e fiz o que esteve a meu alcance e até além dele para tentar ajudar, tenham as pessoas ficado sabendo ou não. Sempre me preocupei com a estrutura, as dificuldades, o descaso, mandos, desmandos, abusos, sacanagens...

Me dediquei tanto porque vejo um potencial nessa modalidade enorme. Vejo a possibilidade de futuro para atletas e "profissionais" da área.

Mas será que as pessoas envolvidas enxergam e querem esses dias melhores?

Parecem todos satisfeitos... as atletas satisfeitas em achar que jogam muito, achar que chegar a seleção é o ápice da carreira. Os treinadores, preparadores e dirigentes parecem extremamente satisfeitos em bater no peito e dizer que são, que fizeram, que dirigem clubes ou que revelaram alguém.

Será que isso é futebol feminino? Se vangloriar apenas do que acha que fez ou do que se acha que é suficiente, sem pensar no todo, sem vislumbrar um futuro social, esportivo e profissional?

Futebol Feminino se resume em achismo? Em egocentrismo? Em lembrar de um passado ou um momento qualquer que foi bom, que passou e que não te proporcionou nada além de um passado e nenhum fruto para uma vida melhor pós-carreira?

O que vemos hoje... ou melhor, o que eu particularmente vejo, são centenas de incertezas, centenas de pessoas que precisarão se "matar de trabalhar" após anos e anos de carreira porque viveram um sonho fantasioso de pés fora do chão onde nunca pensaram que após 10, 20 ou 30 anos de futebol feminino poderiam, em uma estrutura organizada e justa, viver ainda do esporte ou ter a oportunidade de uma vida mais tranquila após tanto tempo de dedicação.

Mas será que essas pessoas não querem o melhor para a modalidade?

Eu vejo muitos que querem o melhor pra si! Nada muito além!

E a imagem que vejo, fazendo uma triste comparação, é de ver velhinhos abandonados em um asilo, sentados lembrando de glórias de um passado, mas vivendo um triste e incerto presente e futuro.

O problema não é nem nunca foi a modalidade. O problema, como em qualquer relacionamento está nas pessoas, nas suas escolhas, atitudes, e na falta de atitudes também.

Não seria exagero dizer que ninguém faz nada pelo futuro da modalidade porque é comum ver o foco apenas no hoje sem se preocupar no que acontecerá amanhã.

Sabe aquele ditado que diz que "quem vive de passado é museu"? Pois bem, este se aplica perfeitamente ao que é o futebol feminino brasileiro e o que faz a grande maioria dos profissionais e atletas do meio.

O Futebol Feminino só vai crescer quando as pessoas também crescerem e puderem ver que não fazem nada hoje para garantira a sustentabilidade da modalidade no futuro.

Uma pena, afinal se bater no peito fizesse a coisa andar, seríamos referência na formação de atletas e profissionais, na organização de competições. Seríamos número um do mundo, teríamos ouros olímpicos e mundiais, e teríamos o futebol feminino como um dos esportes mais respeitados do país e do mundo.

Hoje somos apenas alguém que acha que joga bola quando ainda tem muito a fazer e aprender pra finalmente dizer que faz futebol feminino.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

E o legado? Carta da Cidade do Pan 2007 para a Cidade Olímpica de 2016.

Olá querida "Cidade Olímpica". Animada com 2016?

Tenho visto que o Rio de Janeiro vive agora o projeto de "Cidade Olímpica". Vejo pelos comerciais que planejam que você fique uma cidade ainda mais linda onde o povo está sempre bem vestido e sorridente, o trânsito é bom, os transportes andam vazios, violência não existe e o esporte é praticado por crianças felizes.

Sabe "Cidade Olímpica" tenho me questionado qual será o real legado esportivo para o Rio de Janeiro após 2016?

Eu já vivi essa euforia e me vi em comerciais lindos e bem parecidos com os em que você figura hoje.

Eu, a cidade do PAN de 2007, fui abandonada logo depois que o grande evento acabou. Sinto que poderíamos estar formando atletas em diversas modalidades, mas o esporte é minimamente ou nada usado como ferramenta de socialização e de oportunidade de um futuro melhor para a população, que em nada parece com o que vemos nos "belos" e falsos comerciais da televisão.

Tenho certeza que você "Cidade Olímpica" provavelmente será excelente comercialmente para grandes empresas, construtoras e imobiliárias. Mas e o povo? Você já parou para pensar nele?

O povo se beneficiará das vias de transporte podendo se locomover de forma mais rápida? É um legado estrutural...

Mas olha, que legal! Vais bater no peito com orgulho de obras superfaturadas que soam como grande favor à população quando na verdade, assim como o esporte, saúde, educação e segurança deveriam ser OBRIGAÇÃO do estado para com seu povo?

E depois do seu "grande baile", depois dessa sua grande festa, Cidade Olímpica, suas estruturas serão utilizadas para formar e aperfeiçoar talentos? Mudar vidas e projetar pessoas e futuros?

Querida "Cidade Olímpica", eu, a Cidade do PAN torço encarecidamente para que você tenha êxito e seja bem cuidada após 2016 e espero que o povo possa usufruir, crescer e se desenvolver com você, porquê comigo, com os hospitais, escolas e com o esporte o povo não pôde nem pode contar até então.

Que com você seja diferente do que aconteceu comigo!

Um abraço e boa sorte, da Cidade do Pan.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Já vi "de tudo" no futebol feminino ...

Já vi "de tudo" um pouco no futebol feminino.

Já vi faltar comida em alojamento, água e luz também.
Já vi jogadora puxar o tapete da outra, derrubar para ser titular.
Já vi treinador que se faz de santo, mas alicia atleta em troca da titularidade dela.
Já vi atleta que aceita caprichos dos treinadores em troca de posição.
Já vi dirigente que diz não ter dinheiro para pagar atleta, mas viaja, troca de carro e reforma a casa "só com o pouco que ganha no clube".

Já vi atletas e dirigentes falarem bem de alguém pela frente e criticarem por trás.
Já vi treinador mandar bater na adversária para tirá-la do jogo.
Já vi clube negociar quando quer jogar, antes mesmo do sorteio da competição acontecer.
Já vi jogadora mandar mais que treinador.
Já vi atletas aceitarem mandos e desmandos, assédios e coações... e no fim das contas elogiarem aquele "profissional" que fez tudo aquilo.

Já vi e ouvi muita coisa! Vejo e continuo ouvindo os mesmos problemas. E olha que ainda falta muita coisa boa e ruim nessa "lista"!

Parece que as pessoas gostam de brincar como se fosse um pique-pega. Te falo do problema que passo no clube, seleção ou federação, fico aliviado e então "o problema não é mais meu". Se eu te contei, você que faça algo pra resolver.

Já vi muita coisa. Só não vi união suficiente desse monte de gente pra fazer o futebol feminino ir à frente.

As pessoas reclamam do que acontece, do que passam e sofrem. Mas elas são as responsáveis por tudo. Colhem apenas o que plantam!

O futebol feminino só recebe o que é de direito, já que os envolvidos fazem tudo "esquerdo".

E no futuro, se essas atletas e "profissionais" tiverem suas filhas, deixarão estas meninas entrarem no futebol?

Se lamentarão por não terem feito nada e agora, depois de anos terem que lutar por uma modalidade melhor para as suas filhas, primas, sobrinhas?

Já vi muita coisa, e prevejo que esses comportamentos vão demorar muito tempo para acabar.