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Marta se torna maior atleta da história do futebol, mas título não significa nada no Brasil

Refletindo sobre o Futebol Feminino no Brasil

Olá amigos e amigas. Ando "afastado" do futebol feminino, mas isso não significa que não reflita e acompanhe algumas coisas. Ando apenas mais "na minha".

Hoje estava vindo para a empresa onde trabalho e estava a pensar sobre a modalidade. Pois bem, vamos lá... 


Quando há algo errado as pessoas que se sentem prejudicadas costumam tomar atitudes para que as coisas passem a acontecer da forma correta.

Baseado nesta afirmação, talvez seja correta a compreensão de que as pessoas do Futebol Feminino nunca acharam nada errado e vivem satisfeitas com tudo que acontece na modalidade.

Por isso é totalmente válido questionar: por quem brigamos? Por quem damos a cara à tapa? Quem nos esforçamos tanto para defender?

E por último questiono se isso tudo vale a pena...

Pela modalidade acho válido porque sempre me preocupei e fiz o que esteve a meu alcance e até além dele para tentar ajudar, tenham as pessoas ficado sabendo ou não. Sempre me preocupei com a estrutura, as dificuldades, o descaso, mandos, desmandos, abusos, sacanagens...

Me dediquei tanto porque vejo um potencial nessa modalidade enorme. Vejo a possibilidade de futuro para atletas e "profissionais" da área.

Mas será que as pessoas envolvidas enxergam e querem esses dias melhores?

Parecem todos satisfeitos... as atletas satisfeitas em achar que jogam muito, achar que chegar a seleção é o ápice da carreira. Os treinadores, preparadores e dirigentes parecem extremamente satisfeitos em bater no peito e dizer que são, que fizeram, que dirigem clubes ou que revelaram alguém.

Será que isso é futebol feminino? Se vangloriar apenas do que acha que fez ou do que se acha que é suficiente, sem pensar no todo, sem vislumbrar um futuro social, esportivo e profissional?

Futebol Feminino se resume em achismo? Em egocentrismo? Em lembrar de um passado ou um momento qualquer que foi bom, que passou e que não te proporcionou nada além de um passado e nenhum fruto para uma vida melhor pós-carreira?

O que vemos hoje... ou melhor, o que eu particularmente vejo, são centenas de incertezas, centenas de pessoas que precisarão se "matar de trabalhar" após anos e anos de carreira porque viveram um sonho fantasioso de pés fora do chão onde nunca pensaram que após 10, 20 ou 30 anos de futebol feminino poderiam, em uma estrutura organizada e justa, viver ainda do esporte ou ter a oportunidade de uma vida mais tranquila após tanto tempo de dedicação.

Mas será que essas pessoas não querem o melhor para a modalidade?

Eu vejo muitos que querem o melhor pra si! Nada muito além!

E a imagem que vejo, fazendo uma triste comparação, é de ver velhinhos abandonados em um asilo, sentados lembrando de glórias de um passado, mas vivendo um triste e incerto presente e futuro.

O problema não é nem nunca foi a modalidade. O problema, como em qualquer relacionamento está nas pessoas, nas suas escolhas, atitudes, e na falta de atitudes também.

Não seria exagero dizer que ninguém faz nada pelo futuro da modalidade porque é comum ver o foco apenas no hoje sem se preocupar no que acontecerá amanhã.

Sabe aquele ditado que diz que "quem vive de passado é museu"? Pois bem, este se aplica perfeitamente ao que é o futebol feminino brasileiro e o que faz a grande maioria dos profissionais e atletas do meio.

O Futebol Feminino só vai crescer quando as pessoas também crescerem e puderem ver que não fazem nada hoje para garantira a sustentabilidade da modalidade no futuro.

Uma pena, afinal se bater no peito fizesse a coisa andar, seríamos referência na formação de atletas e profissionais, na organização de competições. Seríamos número um do mundo, teríamos ouros olímpicos e mundiais, e teríamos o futebol feminino como um dos esportes mais respeitados do país e do mundo.

Hoje somos apenas alguém que acha que joga bola quando ainda tem muito a fazer e aprender pra finalmente dizer que faz futebol feminino.

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