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sexta-feira, 15 de maio de 2015

É chegada a hora do adeus

Olá amigos e amigas que há tanto tempo acompanham o blog e os textos publicados aqui e em minhas redes sociais.

Hoje venho lhes comunicar que não estarei mais dando continuidade neste trabalho em escrever sobre a modalidade Futebol Feminino.

Foram muitos anos de dedicação, estudo, pesquisa e esforço, mas é chegado um momento em minha vida no qual é preciso focar em prioridades maiores como minha vida pessoal e profissional.

Como bem sabem, o futebol feminino nunca me deu nada além de alguns bons amigos. Renunciei por anos a mim mesmo e a meu futuro pessoal e profissional, me esforçando e cobrindo gastos do próprio bolso para acompanhar jogos e competições, investir em projetos de futebol feminino, além de demandar tempo, muito tempo, para trazer informações e expor meu ponto de vista sobre muita coisa.

Me orgulho de tudo que fiz até aqui... mas é hora de dar tchau!

É então chegada a hora do adeus!

Foram cerca de 8 anos acompanhando a modalidade e 5 a 6 anos escrevendo sobre. Muitas amizades, muitos conhecidos, muitas lembranças, muitos problemas e cobranças, muitos elogios, muitas críticas pelas costas, muito aprendizado e muitas conclusões.

Poderia escrever um livro com tantas coisas passadas, que vi, ouvi, presenciei ou aprendi, mas quero ser "breve".

A mudança da modalidade depende do comportamento, das atitudes e pensamentos de pessoas que sabem o que é certo e o que é errado, mas preferem fazer o errado. Estão acostumadas porque sempre fizeram as coisas da forma mais fácil e mais cômoda.

Que meus textos tenham servido e, quem sabe, ainda possam servir para alguma coisa ajudando vocês nessa caminhada de alguma forma. Eles continuarão disponíveis para leitura e consulta de quem assim quiser.

Os amigos de verdade feitos ao longo da caminhada, permanecerão e quem quiser me encontrar ou contatar, sabe como me encontrar.

Agradeço a todos que apoiaram, criticaram, me ajudaram e até prejudicaram ao longo dessa caminhada, porque tudo que passei nos últimos anos me ajudou a amadurecer e me tornar uma pessoa melhor, com uma visão mais ampla e capaz de pensar mais e melhor sobre muitas coisas.

Quem me conhece sabe do meu caráter, e ele sempre foi o mesmo, e assim continuará inalterado com os valores e princípios que cresci graças a educação dada por meus pais. Caráter do qual muito me orgulho porque, ao londo dessa jornada, com tantas coisas que vivi, posso dormir com a cabeça tranquila todos os dias com a certeza de que fiz o melhor que pude, com as ferramentas que tinha e com o tempo e grana que foi possível.

Desisto de querer mudar um mundo e pessoas que não querem ser mudadas. Não posso nem devo obrigá-las a mudar e fazer o que pela lógica e soma dos fatores, seria o correto e o melhor para aquilo que sempre militei que é o crescimento da modalidade. 

Preciso cuidar de mim porque ninguém nunca cuidou e nem vai cuidar. Este é o grande ponto... cuidar de mim!

Hoje tenho maiores objetivos. Desisto de querer mudar o mundo e vou aplicar toda energia e foco que tinha com o futebol feminino para mudar a minha vida!

Muito obrigado e grande abraço a todos! Boa sorte!



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Futebol Feminino

Se o futebol feminino fosse um produto bom, organizado e bem desenvolvido (pesquisa, promoção, bem planejado e projetado, diferenciado) os clubes "de camisa" do futebol masculino já teriam entrado faz tempo.

Querer a entrada dos clubes de camisa sem avaliar bem e cobrar determinadas coisas é querer colocar a carroça à frente dos bois e esperar que ela ande no caminho certo ou na velocidade correta. Minha opinião! A camisa é legal, o público é legal, mas a mentalidade dos clubes de camisa em relação ao futebol feminino é a pior possível!

Precisamos nos preocupar com o formato do produto, em como torná-lo sustentável, interessante, atraente, na base, na escola. Aí sim as coisas começarão a andar! Precisamos pensar nos clubes que já fazem o futebol feminino e não estamos pensando neles em momento algum até agora, ou estou enganado?

A MP do futebol pode até parecer legal, mas pode se tornar um enorme problema para o desenvolvimento da modalidade baseado no meio sujo, corruptível e de interesses que é o Futebol Masculino, futebol esse que tentamos trazer para dentro do feminino sem muitas precauções.

Estamos realmente avaliando todas as possibilidades pensando no bem do Futebol Feminino?

Acho que estamos querendo pegar qualquer ingrediente da geladeira, bater no liquidificador e levar ao forno esperando sair um bolo lindo e gostoso. Pode ficar razoável, mas pode também ficar uma massa "paçocada" que ninguém vai suportar "comer".

NÃO SOU CONTRA A ENTRADA DE TIMES DE CAMISA porque alguns poucos já tem história na modalidade. Me preocupo é com a entrada de clubes do masculino sem maiores critérios podendo vir a tirar o lugar dos clubes que já trabalham e investem na modalidade há anos. Essa entrada precisa ser muito bem pensada e ter muitos poréns para que aconteça sem prejudicar nenhum time que já trabalhe com a modalidade.

E FRISO que a entrada de clubes de camisa do masculino no futebol feminino não muda em nada a organização e a falta de uma base desse produto que tentam vender.

Todas as jogadoras da Seleção merecem estar por lá?

Todas as jogadoras da Seleção merecem estar por lá?

Se questionem MUITO SOBRE ISSO!

Acho que precisam pensar que muitas outras queriam e poderiam estar ali, então elas tem que treinar e jogar como se cada jogo fosse impedir a destruição do mundo, a morte dos pais, a morte do animal de estimação. .. sei lá! Jogar tudo que podem!

Porque dá pra melhorar e MUITO!

Não importa se joga no Brasil, na Europa, se já disputou mundial, olimpíada ou se só jogou o campeonato do bairro... São todas iguais, ninguém maior que ninguém e acho que se não rende, se estiverem acomodadas, com história ou sem, devem ficar de fora das importantes competições que vem por ai.

A preocupação de muitos é com o Pan, o mundial e a Olimpíada.

A minha preocupação é com renovação de atletas e do tesão em vestir a amarelinha (coisa que muitas meninas já não tem como antes), qualidade, futuro e a sustentabilidade da modalidade que depende em muito das atitudes de quem trabalha e de quem joga (além das outras de gestão que sabemos ser deficitárias).

E ISSO VALE PRAS JOGADORAS EM SEUS CLUBES TAMBÉM. .. aquelas que não estão na Seleção.

Vocês merecem estar em seus clubes? Vocês fazem por onde? Se empenham dentro e fora do campo?

Se fossemos "inspecionar" com critério, seriedade e profissionalismo que é preciso existir em todas as esferas e que falta em muitas delas, acho que ia ter muita jogadora sem clube.

domingo, 10 de maio de 2015

Futebol Feminino: Temos que educar a base para ter atletas melhores

Estamos sempre muito preocupados em profissionalizar a modalidade e criar competições, geralmente, tendo o pensamento sobre "profissionalismo" estando associada a categoria adulta.

Precisamos pensar em formar e moldar o pensamento, as características e estilo de vida do profissionalismo das meninas mais novas também porque elas são o futuro da modalidade.

Hoje as meninas novas apenas reproduzem/copiam os maus comportamentos e exemplos que vem de jogadoras mais velhas e de profissionais do meio.

Se não dermos atenção à nova safra do futebol feminino não mudaremos nada.

É preciso fazer entender, por conceitos e principalmente pelo exemplo, desde muito cedo, o que significa ser profissional.

Pelo menos é meu ponto de vista.

Futebol Feminino: Antes de cobrar, seja exemplo.



FUTEBOL FEMININO... é comum ouvir:

"Temos que ter uma liga...
Temos que ter TV...
Temos que ter espaço na mídia...

A mídia nos odeia... 
Os patrocinadores são preconceituosos e não gostam do futebol feminino..."

Acho as questões do que devemos ter até bacana, até compreendo as reclamações sobre mídia e patrocinadores... mas ando refletindo muito.

Vamos raciocinar: que produto temos a oferecer? O futebol feminino tem potencial? O produto é bom?

Atletas fisicamente mal preparadas, tecnicamente muito abaixo do que podem render, clubes e profissionais que não podem ser chamados exatamente de profissionais, organização e logística precárias.

Estamos trabalhando corretamente para ter um produto realmente interessante?

O produto, hoje, não é nada bom. Tem potencial, mas não é bom porque peca nos detalhes mais importantes.


Não podemos levar à TV um futebol de passes errados, chutões, falhas básicas de marcação, posicionamento e leitura de jogo, pouco domínio dos fundamentos básicos do jogo. 
Jogadoras lentas, ou por falta de preparo, ou por preparo inadequado. Jogadoras que caem, rolam, esperneiam e saem de maca por qualquer contato mais forte.

Cobrar espaço, estrutura, investimento e visibilidade vindo de cima pra baixo é mole. Mas como cobro algo que eu quero, porém não faço?

A preocupação tem que começar com o próprio trabalho antes de cobrar investimentos.

Se pegarmos vídeos de 90% dos clubes de futebol feminino para rever as deficiências são bem visíveis.

Profissionais, vocês realmente assistem os seus jogos? Será que vocês olham e nao enxergam o que se sucede?

Não dá pra colocar a carroça na frente dos bois, sem rodas e esperar que ela ande, afinal é mais fácil que os bois arrastem a carroça para o lado errado, a danifiquem e até se machuquem no processo. Isso acontecendo você pode até arrumar a carroça, colocar rodas, mas até os bois se recuperarem o processo será mais demorado.

Há décadas o futebol feminino espera que a carroça puxe os bois.

Antes de pedir ou reivindicar qualquer coisa reflitam muito bem, muito mesmo, sobre tudo isso.

O futebol profissional não precisa continuar ou recomeçar. Ele precisa ser despido de todas as vaidades, erros, achismos e egos e ser construído do zero!

Existem problemas externos em relação à postura de federações, confederação que podem e precisam melhorar? SIM! 

Mas quem de fato vive o futebol feminino, profissionais e atletas, precisam fazer sua parte antes de cobrar.