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Marta se torna maior atleta da história do futebol, mas título não significa nada no Brasil

Futebol Feminino: Antes de cobrar, seja exemplo.



FUTEBOL FEMININO... é comum ouvir:

"Temos que ter uma liga...
Temos que ter TV...
Temos que ter espaço na mídia...

A mídia nos odeia... 
Os patrocinadores são preconceituosos e não gostam do futebol feminino..."

Acho as questões do que devemos ter até bacana, até compreendo as reclamações sobre mídia e patrocinadores... mas ando refletindo muito.

Vamos raciocinar: que produto temos a oferecer? O futebol feminino tem potencial? O produto é bom?

Atletas fisicamente mal preparadas, tecnicamente muito abaixo do que podem render, clubes e profissionais que não podem ser chamados exatamente de profissionais, organização e logística precárias.

Estamos trabalhando corretamente para ter um produto realmente interessante?

O produto, hoje, não é nada bom. Tem potencial, mas não é bom porque peca nos detalhes mais importantes.


Não podemos levar à TV um futebol de passes errados, chutões, falhas básicas de marcação, posicionamento e leitura de jogo, pouco domínio dos fundamentos básicos do jogo. 
Jogadoras lentas, ou por falta de preparo, ou por preparo inadequado. Jogadoras que caem, rolam, esperneiam e saem de maca por qualquer contato mais forte.

Cobrar espaço, estrutura, investimento e visibilidade vindo de cima pra baixo é mole. Mas como cobro algo que eu quero, porém não faço?

A preocupação tem que começar com o próprio trabalho antes de cobrar investimentos.

Se pegarmos vídeos de 90% dos clubes de futebol feminino para rever as deficiências são bem visíveis.

Profissionais, vocês realmente assistem os seus jogos? Será que vocês olham e nao enxergam o que se sucede?

Não dá pra colocar a carroça na frente dos bois, sem rodas e esperar que ela ande, afinal é mais fácil que os bois arrastem a carroça para o lado errado, a danifiquem e até se machuquem no processo. Isso acontecendo você pode até arrumar a carroça, colocar rodas, mas até os bois se recuperarem o processo será mais demorado.

Há décadas o futebol feminino espera que a carroça puxe os bois.

Antes de pedir ou reivindicar qualquer coisa reflitam muito bem, muito mesmo, sobre tudo isso.

O futebol profissional não precisa continuar ou recomeçar. Ele precisa ser despido de todas as vaidades, erros, achismos e egos e ser construído do zero!

Existem problemas externos em relação à postura de federações, confederação que podem e precisam melhorar? SIM! 

Mas quem de fato vive o futebol feminino, profissionais e atletas, precisam fazer sua parte antes de cobrar.


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