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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Futebol Feminino Brasileiro - Ah, mas o ouro mudaria tudo!

Uma das coisas mais erradas que podem existir no futebol feminino brasileiro é o pensamento de que só o ouro mudará as coisas. 

Será que vocês não percebem que o problema não é nem nunca foi o ouro?

Eu, particularmente acredito que são as coisas que precisam mudar para que um dia conquistemos o ouro e não o contrário. É como a busca desesperada da modalidade por mídia quando não temos ainda um produto completo para apresentar ao mercado.
Hoje, meninas de 10, 11 anos, de todo Brasil, não tem onde jogar se assim quiserem.

Não temos competições de base, os profissionais e clubes sempre esperam que alguém ajude, mas eles mesmos (em sua maioria) não buscam trabalhar para se sustentar e manter o ritmo.

Claro, existem outros clubes e profissionais que se esforçam sim. Mas ainda falta o espírito coletivo de pensar no bem na modalidade.

Ainda pensamos no meu bem, no bem do meu projeto, que eu deveria estar na seleção, que o meu trabalho é melhor que o de A ou B, mas em nenhum momento pensamos em: "poxa, vamos unir forças, pensamentos, debater, discutir, pontuar, pautar e trabalhar juntos pra coisa andar".

Não é o ouro, definitivamente, que mudará algo.

O Futebol Feminino é relativamente novo no Brasil se comparado a tantos outros países no mundo. Aqui, a história de proibições das mulheres em tantas atividades, se mistura à história da modalidade. Caminham lado a lado. 

As mulheres tem direito a votar, trabalhar fora, serem independentes financeiramente ou socialmente, há pouco tempo. As mulheres do futebol estão buscando seus direitos no futebol há exatos mesmo pouco tempo que todas as outras situações.

O machismo ainda vive impregnado dentro do futebol feminino, nas frases e atitudes de treinadores e profissionais, no comportamento de dirigentes, na postura de presidentes de federações. E não é o ouro que muda isso.

É o tempo, é a postura de quem faz, é a postura de quem pode mandar lá do topo da pirâmide, é a postura de quem está vindo de baixo para cima. Quando falo de baixo para cima, me refiro à postura de atletas e profissionais da modalidade.

A modalidade vive de disse me disse, paparicação ou babação de ovo, críticas quando estou fora da situação, elogios quando estou dentro, muito achismo de um monte de gente. O ouro não muda isso!

Não são 10 ouros olímpicos e mundiais que vão resolver. O que vai resolver são atitudes em cima de atitudes. Atitudes que demonstrem que cada um quer fazer com que a coisa mude, começando por MUDAR A SI MESMOS. E é preciso mudar a si mesmo, porque a coisa está feia demais!

Na gestão da modalidade, pra ter eficiência, é preciso mapear os problemas, definir como atacar e resolver cada um deles, montar um plano de ação para o esporte desde o esporte de participação, o educacional, e o de rendimento, buscar formas de avaliar resultados do trabalho. Tem que ser algo de pelo menos 10 anos!

Dentro do esporte, as palavra chave, tanto para atletas, profissionais, dirigentes e instituições precisam ser: união, planejamento, postura, profissionalismo, seriedade, respeito, transparência.

É necessário, diariamente, muita autoavaliação, ouvir muito, falar pouco e fazer tudo possível. E até hoje, o que mais vemos é apenas um fazendo tudo possível para falar mal ou atacar o trabalho do outro. Isso o ouro não muda!

O ouro mudaria tudo? Não, não mudaria nem mudará! 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A modalidade não cresce porque Brasileiro não gosta de Futebol Feminino! É mesmo?

foto meramente ilustrativa retirada de google.com
Olá amigos! O blog anda parado, mas de vez em quando, sempre que tiver algo a dizer, darei uma passada por aqui.

Hoje ficou mais fácil porque estou de folga e entre uma coisa e outra parei rapidamente para escrever.

Quando muitos dirigentes de clubes, federações, representantes da TV e até pessoas da CBF ou Ministério do Esporte falam das dificuldades do futebol feminino, citam a falta de interesse do brasileiro pela modalidade como uma das barreiras que impedem a modalidade de crescer. 

Eu discordo totalmente desta afirmação tão comum. 

Já disse outras vezes e repito: BRASILEIRO AMA ESPORTE! e não interessa qual esporte seja.

Amigos, o brasileiro (e quando falo brasileiro, me refiro ao povo brasileiro, homens, mulheres, crianças, adultos e idosos) assiste qualquer esporte na TV ou no estádio. Basta um mínimo de divulgação. 

Durante a semana, na partida entre Inglaterra e Colômbia, pelo mundial de futebol feminino, saí da empresa para fazer um lanche e parei na lanchonete ao lado da empresa. A TV já estava ligada no jogo DE FUTEBOL FEMININO e haviam pessoas assistindo, em sua maioria homens.

E as pessoas iam passando na rua e viam a TV ligada. E foram entrando para assistir. E as mulheres de uma faculdade que fica ao lado também assistiam enquanto lanchavam e a lanchonete foi ficando CHEIA!

Muitas pessoas pararam só pra ver o jogo! 

E não rolaram comentários preconceituosos ou machistas, muito pelo contrário. Até porque quando eu estou em um ambiente assim e qualquer comentário contrário é feito, eu me intrometo, converso, exponho ponto de vista e provo por A + B que estão equivocados em seus comentários (SIM, EU SOU CHATO).

O futebol feminino não precisa de shorts curtos ou roupas coladinhas para mostrar a silhueta feminina para crescer. Ele precisa apenas de espaço e de pessoas que saibam o que falam e como abordar a modalidade, seja na TV, no rádio ou na internet.

A gestão da modalidade não se resume à seleção brasileira, Vai muito além. Vai do clube que investe R$100.000,00 (cem mil reais) por mês até o que investe R$50.00 (cinquenta reais) com muita dificuldade. 

É sim responsabilidade da confederação brasileira de futebol fazer mais pela modalidade. Claro que cabe a todos que trabalham com o futebol feminino trabalhar sério por uma modalidade melhor, mas se a coisa viesse de cima, ficava muito mais fácil.

Se a CBF cobrasse clubes, federações e impusesse diretrizes a serem seguidas para o desenvolvimento da modalidade sob pena de multa ou qualquer outra medida educativa ou punitiva, a coisa andava!


Porque esperar que quinhentas mil pessoas mudem um comportamento que elas tem faz 30 anos não é tão simples. 


Você tem uma atleta que é consciente em meio a 200. E você tem um gestor de clube que é realmente ético e profissional em meio a 30. E as federações estaduais? São todas umas bagunças e podemos dizer que raríssimas pensam no futebol feminino.

Mais fácil é a CBF tomar rédea de tudo, se envolver com TV, se aproximar da educação e do esporte (sem a necessidade de empresa privada e governo misturarem as coisas), criar planos de ação, cobrar federações para que as federações estaduais cuidem dos clubes e junto aos sindicatos façam a engrenagem rodar. E digo que é mais fácil porque quando a ordem vem de cima, ou você se adéqua a ela ou você se adéqua a ela e pronto. Não tem pra onde correr, gostem as pessoas ou não.

A CBF está errada? Olha, acho que pode acertar no cuidado de seleção, erra em muitas outras coisas e ainda faz muito aquém do que poderia.

E o Ministério do esporte? Esse aí eu não sei bem o que quer e como quer, mas acho que poderia chegar em um denominador comum com a CBF e definirem quem cuida do que, e onde um ajuda o outro ou não. 

O que falta de tudo isso é organização e coragem de fazer algo que é bem trabalhoso, pois o povo brasileiro não é desculpa para o não crescimento da modalidade. Porque ele assiste, acompanha e torce, desde de que a modalidade, seja qual for, apareça!

Então, que as entidades responsáveis trabalhem em prol do esporte, façam o futebol feminino atingir todas as camadas, todos os estados, todas as regiões.

Porque não adianta fazer reuniões aqui e acolá com meia dúzia de representantes que NÃO TEM A CAPACIDADE, por toda diferença cultural, financeira, geográfica, climática e afins, de falar pela modalidade. 

É preciso ouvir o primeiro clube do ranking nacional, assim como o último, e assim como os que nem no ranking aparecem. Não se pode falar de futebol feminino e criar ações ouvindo uns poucos.

E digo que para a modalidade mudar é preciso ouvir quem acompanha, critica quando tem que criticar, elogia quando tem que elogiar, que discorda, que pensa diferente afinal não se melhora nada com pessoas batendo palmas para qualquer coisa que seja dita. É preciso divergir, debater, ouvir, entender o que é dito, entender a posição do outro, entender as realidades que são diferentes de pessoa para pessoa, clube para clube, estado para estado e região para região. Ouvir puxador de saco é sem dúvida a receita para o fracasso!

E para encerrar digo: ATENÇÃO GALERA!!! A MEDALHA DE OURO NO MUNDIAL NÃO MUDA NADA, afinal ela dá a entender que as coisas estão certinhas.

Hoje, uma menina de 11 anos no RJ, SP, MG ou AC não tem onde jogar e desenvolver seu futebol se ela quiser ser uma atleta, clubes mal tem competições, os profissionais (além de acharem que já sabem tudo) não tem onde debater e estudar sobre pontos específicos da preparação, fisiologia, psicologia, biomecânica e tudo mais que envolve o mundo EXCLUSIVO do futebol feminino. Ou seja, muitas lacunas e questionamentos sem resposta que mostram que ainda estamos longe do caminho do desenvolvimento e sustentabilidade do esporte.

Brasileiro gosta de futebol feminino SIM, como de qualquer outro esporte, o que falta para a nossa modalidade é apenas organização e um plano de ação de verdade que crie melhorias gradativas e permanente e não "operações tapa buracos" ou "apaga incêndio". 

Abraço a todos!

terça-feira, 2 de junho de 2015

INSATISFAÇÃO NO TRABALHO - ALERTA VERMELHO

A insatisfação no trabalho é um grande problema que afeta milhares de pessoas em todo o país e no mundo.

O funcionário insatisfeito pode utilizar a insatisfação como combustível para aprender, crescer e até criar ações ou projetos que solucionem problemas dentro do setor/empresa. PORÉM, o mais comum é que as pessoas insatisfeitas passem a render cada dia menos.

Na maioria dos casos, a pessoa insatisfeita deixa de enxergar as oportunidades e passa a ver somente os problemas e então passa a apontá-los diariamente. E quando você apenas aponta problemas, sem tentar solucioná-los ou sem enxergar neles oportunidades, você deixa de crescer. Você involui e se torna O CHATO DA EMPRESA.

Os sintomas são clássicos:
1- o seu salário que é menor que o de todo mundo;
2- você trabalha mais que todos e não é reconhecido;
3- tudo para você é mais difícil;
4- ninguém te compreende;
5- você tem sempre razão.

A verdade é que a insatisfação faz com que você trabalhe menos do que muitas pessoas ao seu redor porque está preocupado demais em apontar problemas e achar erros para justificar sua insatisfação. E as vezes isso é algo inconsciente. Você nem percebe que está fazendo.

Escrevo isso com grande conhecimento de causa, pois trabalhei por 5 anos em uma empresa em que eu poderia ter aprendido mais, me desafiado mais, mas preferi apontar os problemas e esqueci de cuidar da evolução do profissional Eduardo Pontes. A empresa tinha sim muitas coisas questionáveis no seu modelo de gestão, porém tinha muito conhecimento que eu poderia extrair e me fazer crescer, mesmo com as limitações nas questões de aprendizado do setor por conta do trabalho mecânico e osmótico.

Sabe o que aconteceu? Apenas fui visto como um reativo, "reclamão" e insatisfeito. E sim, eu era assim. Crescia profissionalmente, mas não tanto como poderia. Na verdade, nem de longe crescia o que poderia crescer.

Mas são coisas que somente o tempo pode nos mostrar e a maturidade nos torna capaz de enxergar os erros cometidos no passado. Mas se você está aqui, lendo este texto, FIQUE ATENTO!

Hoje, sou um outro profissional e aprendo absurdamente mais do que eu aprendia na empresa anterior. E os problemas? Eles continuam lá, pois toda empresa os tem, mas eu mudei o foco e a atitude.

Dediquei alguns minutos da minha manhã para escrever sobre isso porque vejo, diariamente, pessoas que preferem culpar a empresa e o trabalho por sua insatisfação e improdutividade.

A insatisfação não é culpa exclusiva da empresa, é mais um problema seu e que você tem que solucionar.

Aprendi com o tempo que, se em um determinado momento você pesar "a insatisfação x a satisfação" e a insatisfação for maior do que sua motivação, então, é chegada a hora de mudar de ares.

Porém, buscar uma empresa ou emprego novo não é tão fácil, porque quando estamos insatisfeitos deixamos de evoluir já há algum tempo e nossos conhecimentos técnicos/profissionais podem não ser suficientes para abrir novas portas para você no competitivo e dinâmico mercado de trabalho.

Se você está desmotivado, então é hora de avaliar:
1- Você tem feito realmente tudo que poderia no seu trabalho?
2- Você olha mais para o trabalho dos outros do que para o seu?
3- Você tem aproveitado as oportunidades que aparecem, ou você não enxerga nenhuma oportunidade?
4- Quando você acorda você pensa "nossa, tenho que ir pra empresa de novo..." e trabalhar lá já é "um fardo"?
5- O seu salário é sempre motivo de reclamação porquê você acha que ganha menos que todos?
6- Que diferencial você tem, o que de especial você faz, para que receba um aumento ou seja promovido na empresa?

Dependendo das suas respostas SINCERAS, provavelmente está na hora de você buscar novos rumos e horizontes para a sua vida profissional, o que pode ocorrer dentro da própria empresa, mas provavelmente se torne muito mais fácil de buscar fora dela.

O problema não está na sua empresa e sim em como você age e em como enxerga as oportunidades. Oportunidade existem em todo lugar e a todo momento, mas nem sempre estamos receptivos e então não as enxergamos, principalmente se olhamos mais o trabalho dos outros e focamos menos em nós mesmos e no trabalho em si.

Quem se desmotiva e deixa este sentimento vencer seu ímpeto de crescimento, deixa de ver tudo ao seu redor e deixa de olhar de forma crítica e construtiva para o próprio trabalho.

Então, NÃO DEIXE A SUA INSATISFAÇÃO SER MAIOR QUE SUA MOTIVAÇÃO. 

E se realmente estiver desmotivado ao ponto de questionar as coisas que exemplifiquei aqui neste texto, é hora de se reinventar e buscar novos ares.

A sua insatisfação, se mau administrada, apenas lhe levará até a porta da rua e só então você vai entender que ser mandado embora foi a melhor coisa que aconteceu na sua vida, pois só assim você voltará a crescer em outro trabalho e empresa e verá que o problema, a todo tempo, era você!

Bom dia a todos e ótima semana!