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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Esse é o Futebol Feminino que você defende?

Esses dias um amigo me ligou e falou:

"Eduardo, eu tentei dar uma chance pro futebol feminino. Liguei a TV e fui assistir, de tanto que você fala, mas meu amigo, não dá... muitos erros de fundamento, jogadoras que a meu ver estão fora de forma.

Mesmo gostando muito de futebol e assistindo diversos jogos, eu mudei de canal porque não dá.

Esse é o futebol feminino que você insiste em defender?"

Essa não foi a primeira vez que isso aconteceu... e nem será a última. Eu e tantos defendemos a modalidade, mas parece que as pessoas que estão de fato dentro dela não se preocupam nem um pouco com o produto que apresentam...

Uma triste realidade que a maioria não quer acreditar! Que um dia saiam do mundo do conto de fadas e tenham senso crítico sobre o que vem sendo apresentado.

Como atrair público se o produto deixa a desejar? 

Como assistir um jogo onde existem muitos erros de fundamentos?

Depois choram tanto porque não existe espaço na mídia, mas quando o espaço existe nada é feito! Estamos no quarto ano de brasileirão feminino e não estamos atraindo público... ao contrário, estão afastando mais do que aproximando novos expectadores e consequentemente novos investidores.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Futebol Feminino e o Profut: uma "solução" muito vaga

Me preocupa a aderência dos clubes ao PROFUT, apesar de não ter lido este com calma. 

O Profut conta com 111 clubes inscritos, e é uma espécie de refinanciamento de dívidas dos clubes em um prazo de até 20 anos (240 parcelas) e além do refinanciamento o Programa reduzirá as multas em 70% e os juros em 40%.

E nessa brincadeira o Futebol Feminino virou peça de trocam, e a intenção é boa, mas de nada adianta se clubes cederem apenas camisa e não investirem tempo, dinheiro e estrutura no projeto.

Eu, particularmente, acho que dizer que os clubes que aderem ao profut necessitam realizar uma manutenção de investimento mínimo na formação de atletas e no futebol feminino é muito vago.

O PROFUT pode até ser bom pro feminino, porém pode ser prejudicial também. Não sou eu apenas que acho isso. Atletas e pessoas do meio falam nos bastidores, mas ninguém tem voz ativa ou quer expor opinião, como de costume.

O PROFUT pode ajudar a: 
- quebrar estigmas e conceitos atrasados, 
- aproximar torcida, 
- aproximar a mídia.

Porém só funcionará se houver certa qualidade e consciência no trabalho apresentado para que resultados significativos sejam colhidos e alcançados. Caso contrário, "o feitiço vira contra o feiticeiro" e o futebol feminino poderá ter uma imagem que reforce ainda mais os pré-conceitos sobre mulher e futebol.

São necessários profissionais qualificados, projetos bem elaborados, visão, tino pra coisa.

O ideal seria que os clubes apresentassem projetos de médio /longo prazo tendo o mínimo de 3 anos de projeto e planejamento adulto e de base.

Algumas perguntas ficam sem resposta (e se pararmos com calma virão muitas mais):  

- Quantos por cento da renda anual dos clubes deverá ser investido (mínimo e máximo)?

- Qual o período de investimento: 1 ano, 3, 5, enquanto houver dívida?

- Formação de atletas e investimento nos moldes do que, lei Pelé?

Não é ser pessimista ou só falar mal... é pensar! É se preocupar com a coisa pra que ela aconteça da melhor maneira possível para a modalidade.

No fundo ainda acho, e com muita convicção, que é preciso parar de coitadismo e trabalhar o futebol feminino como produto, mostrar a qualidade, trabalhar seu potencial comercial, encher os olhos de quem assiste, fisgar investidores por ter um produto bom e deixar de ficar dependendo de favores, emendas, projetos e migalhas.

Profissionalismo e seriedade, pra ontem.

Se o produto for bom, não irá interessar qual é a camisa que aparece e aí as camisas conhecidas do futebol masculino que o povo implora que abrace nossa causa irão naturalmente procurar um espacinho pra entrar e poder associar sua marca à modalidade porque ela terá se mostrado um produto de qualidade.