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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

Futebol Feminino: COM OURO ou SEM OURO em 2016 - o que vamos ouvir?

Se ao fim da olimpíada o Brasil não conquistar a sonhada medalha de ouro olímpica:

- a CBF provavelmente afirmará que foi dado tudo para a devida preparação para esta competição e que infelizmente não conseguimos (mesmo sem contabilizar os muitos anos de nenhuma gestão e planejamento para o desenvolvimento da modalidade como um todo, fato que a meu ver também é responsabilidade da entidade nacional de administração do futebol).

- As atletas, por sua vez, afirmarão a mesma coisa e farão aquele discurso de que a mídia não apoia, que ainda falta estrutura, que a modalidade sofre preconceito, etc etc etc. (Leiam o texto antes de começar a reclamar)

- Profissionais do meio que estão fora da seleção criticarão o grupo atual, falarão mal dos profissionais da seleção e afirmarão que se fossem eles que estivessem no lugar, teria sido diferente (apesar apesar de que quem entra sempre comete algum erro criticado de outros no passado).

- A mídia vai cair em cima, porque o importante é vender jornais e contabilizar acessos e cliques nos sites, e então vão apenas dizer "fiasco da seleção " ou qualquer outra manchete lembrando que sempre batemos na trave sem falar de nada que realmente foi relevante para que o resultado não acontecesse e que vem acontecendo de errado há DÉCADAS. (Mas a mídia atual é focada em vender jornal e ponto... não se pode esperar grandes coisas).

- A Marta vai ser a capa das manchetes chorando dizendo que fizeram tudo que podiam mas não foi dessa vez. Normal! (E não fiquem bravinhos comigo porque vejo um monte de gente que na frente aplaude ela e quer viver colado, mas sempre dá uma criticada nisso ou naquilo.

Marta tem voz e expressão pra fazer muito mais e impactar a estrutura da modalidade no Brasil e fazer o mundo, a mídia, a FIFA e o Papa enxergarem nossas realidades, mas quem sou eu pra falar sobre né... é apenas meu ponto de vista e pronto... segue o jogo.)


E SE O BRASIL FOR CAMPEÃO?

- A CBF dirá que é fruto do trabalho atual e que o futebol feminino está no caminho certo. (Não acho que esteja, mas tudo bem. Até mesmo em relação à seleção permanente, etc, mas nem vou entrar nesse ponto porque a resenha desse sentido precisa ser longa e detalhada e dada a grande dificuldade de interpretação de texto de uma maioria, não quero me desgastar mais do que eu já faço com algo que não me dá hoje nada além do que dor de cabeça desnecessaria, apesar de eu gostar e torcer pelo crescimento do feminino sem esperar nada em troca).

- As atletas dirão que se dedicaram ao máximo pro resultado acontecer e que o futebol feminino está crescendo. (Sim, acredito que tenham se dedicado, afinal é meio que obrigação né. E sinto informar que se analisarmos bem, o futebol feminino não está se desenvolvendo tanto assim não... ou melhor, não está se desenvolvendo nada.)

- Os profissionais de fora da seleção irão criticar de qualquer jeito, porque esse é um hobby e tanto por aqui. (Sim, criticar sem uma análise crônica e sem vergonha de realizar um discurso daqueles que a própria pessoa não cumpre é normal, assim como é normal ver muitos destes dizer que sempre acertam e que fazem um belo trabalho há anos, revelam talentos, são honestos, não assediar atletas etc, mas sem coragem de falar dessas coisas feias que fizeram e fazem que PREJUDICAM MUITO A MODALIDADE, mas ninguém abre a boca... impressionante! Mas também farão algumas criticas com as quais eu concordarei sim, porque algumas são a meu ver bem claras.)

- Quanto aos profissionais de dentro da selecão, tenho a impressão de que se pudessem voltar no tempo fariam também algumas coisas bem diferentes.. mas é palpite meu... digamos que intuição!

- Já a mídia vai fazer alguma matéria safada daquelas "até que enfim" ou "meninas de ouro" ou ainda "guerreiras do Brasil são ouro" e meses depois não falarão mais nada. (Lembrem que mídia só quer vender jornal, ter cliques, acessos, etc etc etc).

O QUE NINGUÉM DIRÁ, GANHANDO OU NÃO...

O que ninguém dirá, ganhando ou perdendo é que:

- ainda estamos MUITO longe de ser uma potência constante e capaz de brigar pelo ouro de forma consistente não próximos 20 anos seja na base ou na adulta.

- que um possível ouro só ajuda a modalidade se houver um plano de ação envolvendo entidades e clubes para difundir, massificar, modificar atitudes e comportamentos enraizados há décadas dentro do esporte, e tornar o futebol feminino brasileiro atraente e vendável. Um produto de verdade! ( porque hoje é um esboço). Esse tal plano de desenvolvimento aparentemente não existe hoje, e se existe não conseguimos enxergar. Isso precisaria ser facilmente perceptível e transparente.

- que o problema da modalidade está em mais de 30 anos de comportamento e gestão inadequada, tanto de atletas, ex atletas, pseudo profissionais e profissionais, clubes, dirigentes, federações e confederação, dentre outros. (Reclamações em 3.. 2.. 1.. )

- que O OURO NÃO TEM O PODER DE SALVAR A MODALIDADE E NUNCA TEVE. O QUE TEM ESSE PODER SÃO ATITUDES E AÇÕES EM TODAS AS ESFERAS PLANEJADAS E EXECUTADAS ANTES E DEPOIS DO OURO OU MESMO SEM PÓDIO porque investimento em busca de crescimento não deve depender do resultado pra acontecer. Deve-se primeiro investir em crescimento para depois existir o pódio e resultados de pequeno, médio e longo prazo.

- que há muito o que fazer e estamos muito longe de um ideal, e caso vocês ainda não tenham percebido, temos piorado o nível do nosso futebol nos últimos 4 anos. (Vocês assistem seus próprios jogos no dia seguinte? Deveriam porque isso ajuda muito! Tem muita jogadora que erra 70 passes de 1 metrô no jogo e quando faz gol bate no peito e diz "eu sou foda". Tem coisa errada viu.. )

- Muita atleta e profissional vai torcer o nariz e falar, como de costume que eu só falo mal e que não entendo nada de futebol, ou que falar de fora é muito fácil, que eu nunca gastei tempo nem dinheiro fazendo algo pela modalidade (ah se soubessem quão melhor poderia ser minha vida hoje se eu não tivesse investido tanta grana e tempo com a modalidade... ).

O RETRATO ATUAL: Hoje temos campeonatos fracos (estaduais e nacionais) e jogos, em sua maioria, pouco atraentes e que não cumprem o papel de captar novos expectadores e atrair mídia e investidores, e incluo nessa lista também muitos dos jogos apresentados até aqui da seleção brasileira nos últimos anos.

Oleem o Brasileiro feminino! É um campeonato feito por fazer... pra ver jogadoras correndo atrás da bola, sem que seja feito nenhum arbitral, encontro técnico, definição definição objetivos anual junto às equipes participantes e sem prestação de contas dos, até o momento, 40 milhões milhões de reais investidos. (E vocês aí jogam sem se preocupar com esses detalhes no mais famoso "to jogando então é o que importa" e aceitam tudo de qualquer jeito e pronto. Sinto informar que FAZER CAMPEONATO PURA E SIMPLESMENTE NÃO AJUDA VIU...)

Entendam que não é a mídia, o público, ou os investidores que tem de vir até o futebol feminino e se colocar à disposição. É o futebol feminino que precisa ser atrativo, interessante de ver e tecnicamente bom o suficiente para que tudo aquilo que as pessoas esperam que caia do céu se aproxime.

O ouro talvez mude alguma coisinha, mas acho muito difícil.

Não adianta esperar Ministério do Esporte, bom senso FC, CBF, medidas provisórias ou leis. É parar de coitadismo, mostrar o real potencial da modalidade e CONQUISTAR RESPEITO! União é bom e dá resultado, e o futebol feminino nunca viu mais respeito porque só é fácil se unir pra futebóis comemorativos, festas de fim de semana e churrascos.

Talvez planejando adequadamente a partir de 2017 tenhamos uma nova geração pronta em 2024 a 2027! Pronta no sentido de capacidade de interpretação, senso crítico, condição técnica e física, formação moral e comportamental, ciente de direitos e deveres.... E vocês leitores e leitoras entendam que não estou dizendo que falta isso em toda atual geração, apesar de saber que EM PARTE (mas não em todas) falta um pouco disso ou daquilo sim!

Sei que cobrar algo dentro do nosso sistema de formação esportiva do futebol feminino é esperar colocar uma moeda de 1 Real na terra e esperar nascer um pé de dinheiro. Mas é preciso abrir os olhos e entender que está faltando muita coisa e que a culpa é de todo mundo, com ouro ou sem ouro.

Talvez, no pé em que está, mais 30 anos não sejam suficientes pra ver o Futebol feminino desenvolvido e andando com as próprias pernas.

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