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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

Times têm dificuldades de incentivar futebol feminino

Foto de Fábio Guimarães
Li em matéria do jornal O EXTRA que "a exigência do incentivo financeiro ao futebol feminino para a permanência no programa de modernização da gestão e de responsabilidade fiscal do futebol, o Profut, desafia a capacidade de os clubes cariocas se adaptarem à lei".

Infelizmente não é um desafio à capacidade dos clubes cariocas não! É um desafio a capacidade de todos os clubes "de camisa" do futebol masculino do Brasil e ainda de alguns clubes tradicionais do futebol feminino.

Segundo declarou o vice-presidente das categorias infantojuvenis do Vasco "é muito caro manter uma equipe profissional feminina, e acho difícil a categoria decolar, mesmo com o Profut".

Essa é uma declaração que surpreende pois gostaria muito de entender como é "mais barato" manter nas equipes de futebol Brasil a fora jogadores com salários mensais que variam de 50 a 150 mil reais, em que estes jogadores pouco acrescentam tecnicamente a seus clubes, sem contar o que recebem de direitos de imagem, mais as "luvas" e os "bichos", o que torna um único jogador muito mais caro que uma equipe inteira de futebol feminino.

O que acontece na maioria dos clubes de futebol do país é que não se torna interessante manter o futebol feminino porque ele não dá dinheiro! E não é um problema somente do futebol feminino. Existe uma grande resistência em manter qualquer modalidade esportiva que não seja o futebol de campo masculino.

Falta posicionamento das federações estaduais (e possivelmente uma cobrança que venha de cima) em relação ao incentivo e investimento ao futebol feminino.

Também falta por parte dos dirigentes dos clubes e federações a visão de que é importante desenvolver o futebol feminino porque ele é capaz de gerar um retorno em exposição de marca e imagem em âmbito estadual, reginonal, nacional e internacional que talvez em anos e anos suas equipes masculinas sejam incapazes de alcançar, mas pra isso é necessário trabalho!

Ainda sobre custos: quantos clubes por aí "sofrem" com os "funcionários fantasmas" os apadrinhados que somente comparecem ao clube para receber salários? Quantos profissionais recebem muito além do que deveriam, o que onera o clube?

Os clubes poderiam sim, e muito bem, ao negociar com seus patrocinadores das equipes masculinas, apresentar projetos que englobassem esportes olímpicos, futebol feminino, até mesmo projetos sociais e educacionais ligados à iniciação esportiva e desenvolvimento social, com metas de curto, médio e longo prazo agregando ainda mais valor ao patrocinador.

Porém... talvez a maioria dos dirigentes dos clubes de futebol não se interessem por aquilo que não dá retorno financeiro rápido. Esquecem que as equipes femininas tem a capacidade de trazer para o clube títulos que suas equipes masculinas dificilmente conquistariam como campeonatos estaduais, regionais, nacionais, e internacionais como Copa Libertadores e até Mundial de clubes. Isso porque nem falamos aqui do número de atletas convocadas para uma seleção, o que também valoriza a imagem do clube e patrocinadores.

Vamos lá: Quantos jogadores de futebol masculino recebem muito além do futebol que apresentam? Sou totalmente a favor de que, uma vez que o futebol masculino é considerado uma profissão, exista uma margem definida de piso e teto salarial e que outros ganhos sejam definidos unicamente baseados em bônus por desempenho da equipe e alcance de objetivos que seriam fases de competições e títulos alcançados ao longo da temporada. Assim seria mais fácil garantir uma saúde financeira dos clubes de futebol, diminuiriam-se então suas dívidas, maximizariam seus rendimentos e conseguiriam investir em futebol feminino e quaisquer outros esportes olímpicos com muita facilidade.

O futebol feminino tem um poder de agregar valor e visibilidade à marca do clube e isso não é levado em consideração, talvez por ignorância, talvez por ganância excessiva dos clubes e seus dirigentes.

Será que 600 mil reais por ano não permite manter uma equipe de futebol feminino competitiva? Esse pode facilmente ser o custo de um jogador ruim de futebol masculino pensando somente em seus salários!

Ah, mas o problema é que não existem competições atraentes! - Não! O problema é, na verdade, a falta de interação entre os clubes que poderiam facilmente junto à federação e CBF desenvolver competições estaduais ou regionais em formatos interessantes e que possibilitariam a exposição da marca dos clubes participantes e seus patrocinadores. Sabem como é... farinha pouca, meu pirão primeiro... ou aquele dane-se o trabalho do outro.

O erro dos clubes tradicionais do futebol masculino talvez esteja em querer que, do dia para a noite, o futebol feminino dê um retorno próximo ao do futebol masculino, ou pior, que dê retorno sem que seja feito nenhum planejamento ou sem que se tenha trabalhado arduamente para a coisa dar certo. Ninguém quer ter trabalho para desenvolver algo que pode dar dinheiro. Queremos dinheiro sem precisar desenvolver nada! Talvez o erro seja a visão limitada de muitos!

Mas como de costume, é apenas meu ponto de vista!

Comentários

  1. É falta de interesse mesmo, ganância como você cita no texto. E mais, totalmente desorganizado se você parar pra pensar, um jogador da base recém promovido ao principal é só fazer um gol, dá uma assistência que recebe propostas de outros clubes, conseqüentemente já se valoriza, e o clube atual já dá um aumento de salário.É uma mentira deslavada, hipocrisia desses cidadãos em falar que manter um clube feminino custa muito. Custa muito esforço pra eles que querem tudo rápido, que gostam de cortar caminhos para se obter lucros em cima dos outros. Falta de vergonha e respeito com os outros! Ótimo ponto de vista.

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