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terça-feira, 31 de maio de 2016

Futebol Feminino: Falta de oportunidade e preconceito?

Recentemente recebi a ligação do meu pai. Falávamos de muitas coisas. O neto, a família, como andam as coisas, entramos no assunto futebol quando falávamos sobre o nosso “sofrido” Botafogo, até que meu pai me disse algo que não é novidade, mas me deu um estalo:

“Meu filho, eu até tentei dar a oportunidade pro futebol feminino esses dias. Estava assistindo um jogo do Brasileiro Feminino, mas não dá. Jogo tecnicamente ruins. Depois as pessoas reclamam de falta de oportunidade, preconceito ou falta de visibilidade, mas se quando vai pra TV e apresenta algo ruim, como espera que as pessoas assistam? ”.

Foi um tapa na cara que já está ficando costumeiro, porque está virando rotina ouvir coisas do gênero. Amigos meus já me questionaram com “esse é o tal futebol feminino que você defende? ”.

Sempre questiono isso que meu pai levantou. Tanta gente dentro da modalidade abre a boca para falar sobre o preconceito, machismo, falta de visibilidade, falta de espaço na mídia, entre outros, para o insucesso do futebol feminino no Brasil. Mas quando temos espaço na mídia apresentamos um produto ruim, então, o que fazer? Por que não vejo ninguém dizendo que a modalidade está apresentando um produto ruim e que precisa melhorar?

O machismo ainda existe e as dificuldades em relação à estrutura também! É óbvio! Mas o que todo mundo faz de conta que não vê e não comenta ou questiona com a intenção de trazer à tona uma reflexão é que o nível técnico vem caindo a cada ano que passa e que a modalidade precisa apresentar algo melhor sim, e para ontem!

Raros os jogos do Brasileiro feminino que apresentaram um nível técnico digno de uma nota 7 ou 8, e olhe lá! A maioria esteve abaixo da média e a culpa é de todos os envolvidos. 

Vejo treinadores satisfeitos com jogos ruins, atletas que declaram nas redes sociais que fizeram bom jogo, mesmo quando o jogo foi difícil de assistir. 

Ter espaço na televisão e apresentar um futebol ruim afasta o telespectador, o potencial consumidor da modalidade, aquele novo público que a modalidade sempre diz que quer conquistar.

O maior problema hoje não é o preconceito e sim o produto futebol feminino mal apresentado, que infelizmente gera uma imagem negativa, afasta o público e possíveis patrocinadores, porque ninguém quer investir em um produto mais ou menos ou ruim.

Estamos rotulando o futebol feminino como algo tecnicamente ruim e depois a modalidade terá que fazer um enorme esforço para retirar esse rótulo e construir uma imagem nova.

Se faz necessário qualidade e consistência! Constância! Mais jogos bons do que ruins! Mais acertos do que erros!

E não pensem em educar e moldar uma base desde já pra ver que tipo de produto teremos daqui a 10 anos.

sábado, 21 de maio de 2016

Futebol Feminino: Clubes precisam entender que se for feito o mínimo básico, o resultado vem

Na noite de ontem, o Clube de Regatas Flamengo se tornou Campeão Brasileiro de Futebol Feminino 2016 e assim, assegura sua participação na copa Libertadores da América.

Claro que se trata de uma parceria onde a Marinha levou a camisa do Flamengo até esta posição, mas mostra que se o mínimo for feito, por qualquer clube, em um projeto de base ou projeto de equipe adulta, o resultado vem.

O título de um time fora de São Paulo e de tradição dentro do futebol masculino é sim interessante e importante para a modalidade desde que saibam aproveitar esse momento para alavancar, mesmo que um pouco, a modalidade no Rio de Janeiro e consequentemente no Brasil. E isso vale para todo e qualquer clube!

A comunidade do futebol feminino espera que o título sirva não apenas para o clube comemorar, mas para que a partir de então invista em categorias de base de futebol feminino no estado do Rio de Janeiro.

Que seja feito todo um planejamento e, com a força que a camisa rubro-negra possui, possa buscar junto a outros clubes como Vasco da Gama, Botafogo de Futebol e Regatas, Fluminense Football Club e tantos outros a possibilidade de trabalhar idéias junto à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro - Ferj e também de cobrar soluções para o que acham ser um problema. 

Os clubes do RJ e de outros estados, unidos, sejam de camisa ou não, já apresentaram juntos questionamentos e idéias à CBF?

Não basta ter time principal e disputar título, é necessário investir na formação de base! Essa é a engrenagem que fará o restante começar a se mover.

Passou da hora dos clubes, se querem mesmo fazer algo pelo feminino, se unirem e brigarem pelo esporte, por competições estaduais melhores, por profissionalismo dentro e fora de seus clubes e muito mais.

Os clubes femininos, se tiverem o esporte bem trabalhado, podem alcançar lugares que o futebol masculino não vai alcançar ou demorará muito para chegar! O masculino chega a competições onde fica pelo meio do caminho. No feminino eles tem a chance de voltarem com o título e dar expressão internacional à sua marca!

É comum ouvir frases como "Ah, mas futebol feminino não dá dinheiro"! Não dá dinheiro porque ninguém se preocupa em tornar a modalidade um produto rentável! É como abrir uma loja sem ter material pra vender, sem ter se planejado... o resultado será de DESPESA e sem retorno nenhum!

O futebol feminino é um produto de muito potencial e que precisa ser trabalhado para dar o retorno que os próprios clubes e dirigentes, muitas vezes por pouca visão e machismo, tanto utilizam como desculpa para não ter a modalidade!

Para o feminino render, financeiramente falando, e crescer no seu clube, clube/dirigentes precisam planejar, investir, trabalhar para ter o retorno. É igualzinho como acontece no masculino, porém hoje as cifras $ entre masculino e feminino são bem diferentes!

Se dentro da modalidade clubes e dirigentes forem mais unidos e inteligentes, a modalidade agradece, as atletas se dão bem, os clubes começam a se beneficiar e todo mundo sai feliz!

É difícil? Sim! 
É trabalhoso? Muito!
E os clubes que chegam que tanto reclamam das dificuldades? É porque ainda fazem muita coisa errada dentro de suas gestões e planejamentos e cada dirigente sabe bem do que eu estou falando aqui! Já vi clube saber que ia perder patrocinador 8 meses antes de acontecer e não fazer nada e depois ficar devendo atleta porque perdeu investidor! Então né...

Mas como de costume, é a minha opinião... só acho!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Futebol Feminino - DEVEMOS PENSAR MAIS PROFUNDAMENTE SOBRE O PODER DA FORMAÇÃO DE BASE

É necessário que pensemos na formação da base indo muito além da formação de novas atletas. As atletas não podem ser o único foco pois há muito mais a mudar através do esporte e essas mudanças podem tornar o futebol feminino melhor e mais desenvolvido.

Ter um futebol feminino (ou qualquer outro esporte) começando a ser desenvolvido à partir dos 13 anos (ou ainda mais cedo), por exemplo, auxilia na formação/aperfeiçoamento moral e motor do atleta, mas também auxilia na formação dos profissionais do esporte e de um outro público. 

Um fato que quase ninguém leva em consideração quando falamos em formação de base, e talvez um dos principais, é a FORMAÇÃO DOS PAIS e da COMUNIDADE que vive em torno do esporte. 

Os pais precisam aprender a respeitar e compreender o tempo e a evolução dos filhos, entender melhor o trabalho dos treinadores/professores e acima de tudo aprender a respeitar o adversário da mesma maneira como deve respeitar sua filha/familiar. 

Essa formação, caso existisse em melhor escala, evitaria que ouvíssemos tantos xingamentos lamentáveis à beira das quadras e gramados proferidos à jogadoras adversárias. 

Um pai, mãe ou familiar, que chama uma outra atleta de "vagabunda", "piranha", "safada" e tantos outros lamentáveis "nomes" dá margem e não pode ficar chateado no momento em que sua filha/parente for também xingada. Abre-se precedentes e se torna um círculo vicioso que não tem fim.

A formação de base precisa aprender a atrair os pais para perto do esporte e desenvolver neles valores importantes para o desenvolvimento do esporte e das futuras atletas. 

O esporte tem papel maior do que formar atletas. Ele tem o poder de mudar a sociedade, desde que seja trabalhado da forma correta. 

Precisamos pensar na formação de atletas, profissionais, pais e familiares e de toda uma comunidade. Assim mudaremos a modalidade! Mas quem fiscaliza e trabalha para isso?

É preciso aproximar os pais, fazer trabalhos conjuntos e educativos, melhorar a didática e o contato entre esporte e família bem como o contato professor e família.

Ainda pensamos o esporte e sua função social/capacidade de forma extremamente limitada!