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Marta se torna maior atleta da história do futebol, mas título não significa nada no Brasil

Futebol Feminino: Falta de oportunidade e preconceito?

Recentemente recebi a ligação do meu pai. Falávamos de muitas coisas. O neto, a família, como andam as coisas, entramos no assunto futebol quando falávamos sobre o nosso “sofrido” Botafogo, até que meu pai me disse algo que não é novidade, mas me deu um estalo:

“Meu filho, eu até tentei dar a oportunidade pro futebol feminino esses dias. Estava assistindo um jogo do Brasileiro Feminino, mas não dá. Jogo tecnicamente ruins. Depois as pessoas reclamam de falta de oportunidade, preconceito ou falta de visibilidade, mas se quando vai pra TV e apresenta algo ruim, como espera que as pessoas assistam? ”.

Foi um tapa na cara que já está ficando costumeiro, porque está virando rotina ouvir coisas do gênero. Amigos meus já me questionaram com “esse é o tal futebol feminino que você defende? ”.

Sempre questiono isso que meu pai levantou. Tanta gente dentro da modalidade abre a boca para falar sobre o preconceito, machismo, falta de visibilidade, falta de espaço na mídia, entre outros, para o insucesso do futebol feminino no Brasil. Mas quando temos espaço na mídia apresentamos um produto ruim, então, o que fazer? Por que não vejo ninguém dizendo que a modalidade está apresentando um produto ruim e que precisa melhorar?

O machismo ainda existe e as dificuldades em relação à estrutura também! É óbvio! Mas o que todo mundo faz de conta que não vê e não comenta ou questiona com a intenção de trazer à tona uma reflexão é que o nível técnico vem caindo a cada ano que passa e que a modalidade precisa apresentar algo melhor sim, e para ontem!

Raros os jogos do Brasileiro feminino que apresentaram um nível técnico digno de uma nota 7 ou 8, e olhe lá! A maioria esteve abaixo da média e a culpa é de todos os envolvidos. 

Vejo treinadores satisfeitos com jogos ruins, atletas que declaram nas redes sociais que fizeram bom jogo, mesmo quando o jogo foi difícil de assistir. 

Ter espaço na televisão e apresentar um futebol ruim afasta o telespectador, o potencial consumidor da modalidade, aquele novo público que a modalidade sempre diz que quer conquistar.

O maior problema hoje não é o preconceito e sim o produto futebol feminino mal apresentado, que infelizmente gera uma imagem negativa, afasta o público e possíveis patrocinadores, porque ninguém quer investir em um produto mais ou menos ou ruim.

Estamos rotulando o futebol feminino como algo tecnicamente ruim e depois a modalidade terá que fazer um enorme esforço para retirar esse rótulo e construir uma imagem nova.

Se faz necessário qualidade e consistência! Constância! Mais jogos bons do que ruins! Mais acertos do que erros!

E não pensem em educar e moldar uma base desde já pra ver que tipo de produto teremos daqui a 10 anos.

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