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quarta-feira, 29 de junho de 2016

Futebol Feminino: O que virá depois da carreira de Atleta?

Não é de hoje que venho pensando na importância do estudo e da preocupação com o durante e o depois da carreira de atleta. 

O futebol feminino no Brasil não oferece muito, mas é importante que as atletas tentem ao máximo retirar dos clubes aquilo que puderem!

Aproveitem suas carreiras e tentem cobrar de seus clubes oportunidades de estudo. Um salário mais "gordo" (se é que existe isso na modalidade) é atraente, porém mais importante que isso pode ser um salário modesto e uma bolsa de estudos para cursar uma faculdade de modo gratuito.

Parem e pensem: após a carreira de atleta, o que virá? 

Infelizmente a modalidade não lhe dá estabilidade e futuro financeiro garantido no dia em que você encostar suas chuteiras.

Claro que quem atua fora do país tem a oportunidade de ganhar um pouco mais e precisa também ter cabeça para saber investir aquilo que ganha para que se transforme em algo próprio, seu, quando chegar o dia de parar de jogar. Mas claro, que dadas as devidas proporções, é possível guadar uma graninha jogando no Brasil e se não for possível guardar, é possível estudar!

Futebol Feminino raramente dá carteira assinada, paga de forma equiparada à estrutura que possui, que é pouca!

Poder ter uma roupa nova é bacana! Ter um carro, curtir a vida com viagens, festas, tudo é bacana! Mas desde que seja feito com muita moderação!
Estudar é um dos maiores investimentos que uma atleta pode fazer pensando no seu pós carreira!


Lembrem-se que em 20 anos de futebol dificilmente vocês terão carteira assinada, recolhimento de INSS, Fundo de garantia, então a garantia para viver com dignidade será por meio do que você guardar e do que seus estudos lhe proporcionarão!

Não espere o fim da carreira para buscar  a chance de estudar, assim como não espere o fim da carreira para PAGAR SUA AUTONOMIA! 

A Marina Toscano Aggio (minha esposa) é um dos exemplos de atleta que aproveitou a chance que o futebol lhe ofereceu para estudar. Se graduou e pós-graduou através do futebol e ainda jogando, mas dessa vez com seus recursos, iniciou e concluiu seu mestrado. 

Ela, em 20 anos, nunca teve carteira assinada. Se não tivesse estudado, qual profissão teria hoje? Qual seriam seus planos de futuro? Não sei dizer, mas com certeza seriam limitados!

Conciliar estudos e futebol não é fácil, mas é possível!

Acredito até que os clubes de futebol feminino deveriam oferecer bolsas de estudos, no mínimo, a 30% do seu elenco. 

Acredito que os clubes também deveriam falar mais sobre futuro, carreira,  pagamento de INSS (Autonomia), mas já que não fazem, cabe a vocês atletas, se preocuparem com qual futuro querem pra vocês!


Que observemos alguns outros exemplos que temos como Isabela Vieira, ex- atleta, formada fisioterapeuta através do futebol, Priscila Rosseti e Daiane Bagé, empreendedoras que abriram seus negócios pensando no futuro e em aplicar seu dinheiro, Fabiane Nascimento, da academia F4 Fitness que estudou e abriu seu negócio com ajuda do que o feminino lhe ofereceu, dentre algumas outras atletas que aproveitaram o que o futebol feminino lhes deu para que o pós carreira fosse mais tranquilo.

Aproveite para estudar, aproveite para investir seu dinheiro! Depois que seu tempo no futebol feminino acabar, infelizmente não queira ficar vivendo apenas de passado e de seu nome, que aos poucos será esquecido pelo "país do futebol"!

sexta-feira, 24 de junho de 2016

CBF mais aberta ao Futebol Feminino

Foto de Rafael Ribeiro/CBF
Na última quarta-feira a CBF recebeu representantes do futebol feminino.


Representantes da CBF assistiram à apresentações de Ana Lúcia Gonçalves, do Valinhos FC, e Thaissan Passos, do Daminhas da Bola.


Ana Lucia falou sobre o projeto que desenvolve há mais de 20 anos na cidade de Valinhos-SP que tem foco no social até o alto rendimento.

Thaissan Passos, do projeto social Daminhas da Bola falou do seu projeto focado para meninas de 11 a 17 anos que são base da equipe sub-17 do Duque de Caxias-RJ.

Assim como declarou Thaissan na matéria no site da CBF, é bacana ver que a CBF está bem mais aberta para o futebol feminino e ouvindo o que representantes tem a falar. As pessoas do futebol feminino querem ver a modalidade crescer e nada melhor do que o interesse da CBF para incentivar ainda mais quem trabalha pelo esporte no Brasil.

O que todos esperam é que a CBF assuma com propriedade seu papel de Entidade máxima do Futebol Brasileiro e assim venha a cumprir seu papel de reguladora, fomentadora e investidora na modalidade (em tempo e recursos materiais/financeiros).

Todas as federações estaduais precisam ser cobradas, clubes,profissionais e dirigentes precisam ser ouvidos e também questionados/cobrados,

A CBF precisa também se aproximar do sindicado dos atletas e tentar resolver ou começar a pensar nas questões trabalhistas que são importantes e tão reclamadas pela modalidade.

sábado, 4 de junho de 2016

FALTA BASE: Futebol Feminino e as lesões de joelho

Nos últimos 3 anos foram aproximadamente 20 casos (depois tentarei enumerar) de atletas que tiveram sérias lesões de joelho no futebol feminino brasileiro. 

Eu acredito que isso é resultado de uma série de fatores, porém entre eles, o principal acredito ser a má formação de base, que sabemos ser praticamente inexistente no país. 
Meninas sem preparo chegam a equipes profissionais! O que acontece? 

Sobrecarga de trabalho em um corpo frágil que vem da ausência de trabalho adequado, alimentação ruim, dentre tantas outros detalhes que elas não tem. 

Uma menina de 15 anos muitas vezes já treina em equipe principal de muitos clubes até mesmo pela ausência de equipes de base, coisa que vem tendo certa melhora mas ainda está longe do adequado. 

Com a carga de trabalho nas equipes adultas e com um trabalho físico e avaliação não individualizado, somam-se estas "forças " ou "fatos" e o reflexo é esse: lesões e repetições de lesões graves que afetam mulher entre 20 e 35 anos. 

Nas equipes profissionais/adultas, não há como deixar de ressaltar a quantidade de atletas que tem reincidência de lesão em um curto espaço de tempo, o que sugere deficiência no processo de recuperação (fisioterapia e preparação física) e/ou necessidade de reavaliação e troca do profissional médico que realiza o procedimento cirúrgico.

Se fizermos um bom trabalho de base, não só amenizaremos os erros e consequentemente reduziremos o número de lesões, como possibilitaremos estudos de caso e produção de conteúdo científico sobre temas como a preparação física em todas as fases da atleta (da formação ao alto rendimento). 

O futebol feminino carece de base, de material científico e de profissionais que fiquem no estudo e desenvolvimento. 

A modalidade sem base é tão frágil quanto o joelho das atletas!