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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

MARKETING, FUTEBOL FEMININO E MULHERES NO ESPORTE

Em 2010, se não me falha a memória, tive a oportunidade de participar do meeting de responsabilidade social do Instituto Bola pra Frente (do ex lateral Jorginho, hoje treinador).

Na ocasião, junto com Ale Amaral treinador de futebol com quem trabalhava no time Cabuçu FC, durante um debate tivemos a oportunidade de questionar o diretor de marketing da Nike Brasil (o qual infelizmente não recordo o nome agora) sobre o mercado do futebol feminino e o que a Nike pensava ou pretendia sobre este mercado no Brasil.

Falamos de possibilidades, quantidade de mulheres no país segundo senso do IBGE, estimativa do número de mulheres praticantes futebol e outros esportes, a dificuldade de achar produtos femininos para a prática de esportes, entre outros pontos.

O diretor da Nike desconhecia tudo que foi dito, se mostrou extremamente surpreso com as informações e só respondeu gaguejando "não, a Nike pensa nesse mercado sim. Pensa sim... " saindo pela tangente as pressas para responder qualquer outra pergunta.

Seis anos depois, eis que se faz grande polêmica sobre o mercado de produtos esportivos para mulheres devido a ausência de camisas da seleção brasileira de futebol de Marta Vieira e companhia levantado depois de um menino ser flagrado na rua com a camisa do Neymar com o nome riscado e escrito e caneta abaixo da rasura o nome "MARTA".

Infelizmente, jà estamos em 2016 e este mercado ainda é muito ruim ao ponto de você não encontrar nem a camisa da seleção brasileira feminina de futebol nas lojas físicas.

CAMISA DA SELEÇÃO BRASILEIRA!!! Convenhamos que deveria ser algo mais fácil de encontrar já que Marta é nada menos do que 5 vezes a melhor do mundo eleita pela FIFA(Federação Internacional de Futebol).

No me ponto de vista, compreendo que a Nike não precisa do lucro que o mercado de artigos esportivos voltado para mulheres que praticam esportes poderia gerar para a empresa se observarmos a receita de 7, 4 bilhões de dólares em 2015.

Porém, hoje, seis anos depois, se a Nike ou qualquer outra empresa tivesse decidido investir e criar as oportunidades neste mercado, fazendo este dar certo no Brasil focando não somente no futebol feminino mas em MULHERES NO ESPORTE, não tenho dúvidas de que esse mercado arrecadaria hoje grandes cifras e teria mudado o marketing esportivo no país, a cultura e o pensamento sobre mulher e esporte aqui no nosso limitado e machista "país do futebol" e dos homens no esporte.

Mulher não joga apenas futebol. Apesar do Brasil não ser um país de investimento em esportes e foco neste mercado temos mulheres praticando vôlei(quadra e praia), basquete, rúgbi, handebol, corrida de rua, atletismo, judô, natação, futsal, futebol society, ginástica, e tantos outros esportes.

Vocês já viram no Brasil comerciais de marcas esportivas com mulheres esportistas e ícones de suas modalidades na TV?

Ou já viram um pôster de alguma atleta mulher em loja de artigos esportivos?

O marketing esportivo no Brasil é atrasado com a cultura do país. Ainda acham que estamos em 1950 e que lugar de mulher é na cozinha ou cuidando da casa e dos filhos.

Lugar de mulher é no campo de futebol, na quadra de vôlei, na aula de muay tay, no treino de rúgbi, na corrida de rua, na academia e onde mais ela quiser.

Estamos em 2016 e já passou da hora de entenderem e respeitarem que lugar de mulher também é dentro do esporte!

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