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Marta se torna maior atleta da história do futebol, mas título não significa nada no Brasil

Apesar de tradicional, brasileiros ainda desconhecem a Libertadores de Futebol Feminino


A Copa Libertadores da América de Futebol Feminino, mais conhecida como Libertadores Feminina, está em sua nona edição e ainda existe surpresa por boa parte das pessoas que acompanham futebol no Brasil pois muitos nem sabem que a competição existe.

A edição 2017 está sendo disputada no Paraguai e conta com o Corinthians/Audax como representante brasileiro na competição que conta com outros 11 clubes participantes: Deportivo Capiatá (PAR), Estudiantes de Guarico (VEN), River Plate (ARG) e Unión Española (EQU), Cerro Porteño (PAR), Colón (URU), Colo Colo (CHI) e Universitario de Deportes (PER), Sportivo Limpeño (PAR), Independiente Santa Fé (COL) e Deportivo Ita (BOL).

Algumas curiosidades:

  • 6 das 9 edições da competição foram disputadas no Brasil;
  • o Brasil é o país com o maior número de campeões da Libertadores Feminina (6 títulos);
  • Santos-SP (2), São José dos Campos-SP (3) e Ferroviária-SP já foram campeões da competição;
  • em 2012 o Brasil ficou com o 2º, 3º e 4º lugar com Foz Cataratas-PR, São José dos Campos-SP e Vitória de Santo Antão-PE, respectivamente;
  • na edição 2017, o Corinthians/Audax-SP é o representante Brasileiro.

BRASILEIRÃO FEMININO TAMBÉM É DESCONHECIDO DOS BRASILEIROS

Não é só a Libertadores Feminina que é pouco divulgada. Tanto as competições estaduais de futebol feminino quanto o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino tem pouca divulgação e chega ao conhecimento de algumas poucas pessoas.

Em um país onde ninguém se diz responsável pelo desenvolvimento da modalidade a nível de clubes, estados e regiões, é natural que não haja qualquer tipo de planejamento de marketing e logo que não exista nenhum trabalho de disseminação e massificação da modalidade.

Vale ressaltar que alterar formatos de competição e incluir premiações não significam desenvolvimento da modalidade como um todo.

Enfim, quando o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino foi retomado pelo Ministério do Esporte em 2013 e logo foi "assumido" como realizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o objetivo geral da competição era atrair público para a modalidade e disseminar o esporte, mas de lá para cá a divulgação da competição é praticamente inexistente.

Mas mesmo antes com a extinta Copa do Brasil de Futebol Feminino, a divulgação era ZERO.

O que acontece com o futebol feminino no Brasil é que esperam que a modalidade cresça e atraia público e patrocinadores sem que seja feito nenhum planejamento estratégico e também nenhum planejamento de marketing das competições.

Não se avalia o cenário da modalidade, onde ela está, onde quer chegar, qual o público alvo, quais as metas, objetivos, qual a visão que se espera ter da marca FUTEBOL FEMININO, da marca das competições, quais as forças e fraquezas, o cenário da modalidade, quais questões sociais e culturais interferem positiva e negativamente, o que se pode fazer em relação a elas, quais são os fatores concorrentes com o futebol feminino, dentre outras questões que são fundamentais para o desenvolvimento saudável e inteligente do negócio.

O maior problema da falta de visibilidade dada ao futebol feminino no Brasil não é a ausência de um apoio da mídia e sim a ausência de uma gestão adequada ou de uma entidade que faça a gestão da modalidade. É necessário alguém para planejar, executar, avaliar e corrigir, e claro, é preciso de alguém que fiscalize e cobre os envolvidos no processo (clubes, sindicatos, federações estaduais, outros).

A Confederação Brasileira de Futebol não gerencia o futebol feminino nacional e sim o futebol feminino da Seleção, que apesar de estarem relacionados, tratam de coisas diferentes.

A melhor saída seria a adoção de um modelo de gestão focado na modalidade como um todo começando com ações estratégicas em pilares fundamentais para o esporte ou então a chancela do futebol feminino nacional para uma Liga ou entidade que tivesse como objetivo desenvolver o esporte com um planejamento mínimo de 5 anos.

Hoje o problema é gestão inexistente do futebol feminino.

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