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Caso da atleta do Beach Soccer brasileiro indicada a melhor do mundo e casos de descaso com mulheres no futebol

Foto: Arquivo pessoal da atleta/facebook
Texto editado às 14:34h

A atleta Letícia Villar foi surpreendida há aproximadamente 10 dias quando descobriu que estava entre as 3 atletas indicadas a melhor jogadora do mundo na modalidade que foi realizado em Dubai no último dia 04/11/2017, sábado. Surpresa maior ainda foi descobrir isso através das redes sociais.

A atleta entrou em contato com a CBSB (Confederação de Beach Soccer do Brasil) teve o pedido de pagamento de sua passagem de ida e volta negado pois a instituição afirmou que não teria dinheiro para financiar tal ação, pelo que a própria atleta alegou em entrevista ao site ESPNW.com.br em matéria de Bianca Daga.

Letícia, graças a Deus e à compaixão de uma empresa norte-americana que custeou sua passagem, foi ao evento (ocorrido no dia 04/11/2017). A hospedagem foi por conta dos organizadores do evento e o visto foi custeado pela academia onde ela treina e o restaurante onde faz suas refeições, conforme publicado também no EspnW.

Os jogadores brasileiros indicados ao prêmio Bruno Xavier, Mauricinho, Mão e o treinador Gilberto Costa não precisaram se preocupar com a viagem pois já estavam em Dubai disputando a Huawei Intercontinental Cup 2017, mas se não estivessem lá teriam também que custear as próprias idas ao evento ou esperar com tal ação por parte da Federação Internacional.

De fato, a responsabilidade de tal custo deveria ser da Federação Internacional, então não cabem nesse caso críticas à Confederação de Beach Soccer do Brasil por não "custear as passagens" da atleta brasileira para o evento. A CBSB vem investindo na modalidade com Campeonato Brasileiro Feminino, jogos de seleções estaduais femininas e preliminares de competições importantes para dar visibilidade ao futebol de areia feminino e está preocupada com o desenvolvimento do esporte.

Casos de negligência com as mulheres do Futebol 

O caso de Letícia se encaixa apenas em uma situação onde algo além das responsabilidades poderia ter sido feito pela sua confederação, porém outros casos demonstram como o futebol feminino é tratado no Brasil, seja de quadra, de campo ou de areia.

Por algumas vezes e em situações onde a modalidade precisa ou precisou de apoio, seja de que qualquer forma, existe uma grande resistência ou descaso com as mulheres e o futebol delas. 

Se pegarmos pela memória vamos lembrar de situações como a Seleção Brasileira de Futsal Feminino que precisou fazer vaquinha e buscar apoio para ir ao mundial porque a Confederação da modalidade disse não ter dinheiro para  tal. Ou ainda podemos recordar da Seleção Brasileira Feminina de Futebol de Surdos que precisou também fazer vaquinha para tentar ir ao mundial.

Estes sim são casos graves onde não estamos falando de uma premiação individual e sim da maior competição do mundo para qualquer esporte, um "mundial".

É impressionante! Pode não ser a intenção dos envolvidos, mas o que as situações dão a parecer é que se trata de falta de boa vontade e de interesse quando se trata de futebol feminino. Já falei isso aqui, mas é necessário repetir! Parece que sempre pode ser feito algo mais!

Esse mesmo "aparente descaso" vale para quando falam que futebol feminino não dá dinheiro no Brasil ou que é muito difícil arrumar investidores para a modalidade.

Acredito que o que falta em muitos casos é interesse e vontade dos envolvidos, que com um pouco de esforço poderiam facilmente desenvolver parcerias e passar a tornar o futebol feminino mais atraente e comercializável.

Infelizmente ainda veremos muitos casos como os das seleções que precisaram de vaquinha para disputar um mundial, não pelo fato de faltar investidores ao futebol feminino e sim por haver muita resistência, falta de vontade e de criatividade das entidades que gerenciam o esporte em dar ao futebol das mulheres o respeito que merece.

Aí vocês decidem: seria machismo? Falta de vontade?

Se as confederações e dirigentes de futebol feminino se incomodam quando são questionados e criticados por esse "aparente descaso" deveriam então trabalhar e se preocupar em tomar ações para não dar qualquer margem para esses questionamentos.

Não estou aqui para julgar a CBSB, a CBF ou CBFS, apenas tento mostrar que acredito muito que é possível fazer mais pelo futebol feminino, porém vale ressaltar que de fora é muito mais fácil argumentar. Já dentro de uma situação, a coisa pode ser mais difícil do que aparenta ser!

Apesar disso, continuo convicto que dá pra fazer muito pelo futebol feminino e com o futebol feminino, só não conseguimos ver no Brasil muitas pessoas verdadeiramente dispostas a desprender força, tempo e investimento para que algo aconteça.

Colocar dinheiro no futebol feminino, ao contrário do que muitos dizem e pensam, é investimento e não gasto.

Não existe outra forma de alavancar a modalidade se não por meio de investimentos (de tempo, boa vontade e dinheiro) ou será que no Brasil as entidades que gerenciam o futebol feminino em suas diferentes "quadras" estão esperando um milagre de desenvolvimento da modalidade?

Infelizmente o Brasil, ainda é "apenas" o país do futebol masculino!

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