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Rumo à profissionalização - Lei Pelé regulamentará Futebol Feminino em 2018?


Com as mudanças no registro de transferência de atletas que será feito pelo FIFA TMS , a partir de 2018 clubes e atletas serão "obrigados" a terem relação mais profissional.


Em teoria, acaba a dança das cadeiras de atletas jogando em 10 clubes no mesmo ano e também é gerada maior confiança e segurança ao clube que contrata uma atleta.

Hoje é muito comum observar atletas jogando 2 meses em um time, 3 semanas em outro, mais 5 meses em mais outro clube.

Essa constante mudança de equipes em apenas uma temporada, empréstimos e retornos ao time anterior só  para jogar uma competição, provavelmente estarão com os dias contatos a partir de janeiro de 2018.

Toda essa dança das cadeiras acontece é exatamente pela falta de organização e profissionalismo do futebol feminino brasileiro, que é considerado "futebol não profissional" e então se permite número indiscriminado de transferências ao longo do ano.

Por não ser tratado como profissional, existe grande insegurança jurídica e trabalhista para as atletas e clubes, o que faz com que as atletas aproveitem tais lacunas para garantir um dinheiro extra para sobreviver do esporte e que clubes também se aproveitem para contratar como, quando e à quanto quiserem. É tudo justificável, porém, as atitudes de ambas as partes acaba sendo extremamente prejudicial à modalidade e aos envolvidos. 

Por vezes já vimos acontecer de atletas acertarem com clubes, acontecer "anúncio oficial" nas redes sociais e então a atleta nunca vestir a camisa do clube porque recebeu uma proposta melhor e simplesmente foi para onde era mais vantajoso para seu bolso.

Já vimos também clubes acertarem com atletas por acordos verbais por telefone, e de última hora, deixar de responder a atleta e não a contratar, ou ainda clubes que contratam atletas prometendo determinada estrutura e salários, porém não cumprir de acordo com aquilo que foi dito.

Culpas de ambas as partes que optaram por fazer um "contrato de boca" .

Não podemos isentar também a Confederação Brasileira de Futebol de culpa pela falta de fiscalização do futebol feminino brasileiro e sua condição amadora. A entidade, por algumas vezes, na forma de seus representantes, já deixou claro que compreende que o seu papel é meramente cuidar das seleções femininas e nada mais.

Em pleno ano de 2017, pensar que quem gerencia a modalidade não deve cuidar da fiscalização e desenvolvimento do futebol das mulheres é exatamente igual ao pensamento antigo e atrasado de quem ainda pensa que o melhor estilo de jogo para o futebol feminino é ligação direta entre zaga e ataque via chutão.

A realidade é que a partir do próximo ano clubes que quiserem garantir algum lucro na transferência de atletas precisará ter contrato devidamente assinado. Provavelmente as jogadoras passarão a ter também maior sentimento de profissionalismo.

Se passar a ser considerado como esporte profissional, atletas poderão ficar limitadas a atuar por apenas duas equipes por ano, fator que acredito não será problema uma vez que os clubes precisarão ter contratos melhor elaborados, com clausulas bem descritas e termos rescisórios de contrato muito bem definidos para casos de rescisão, unilateral (por parte da atleta ou do clube), bem como por rescisão bilateral (acordo entre as partes).

Se caminhar realmente para ser considerado profissional a partir de 2018, a modalidade, atletas e clubes muito ganham em maior segurança.

Talvez o próximo passo seja um respaldo maior por parte do Sindicato dos Atletas, da CBF, bem como a aplicação da Lei Pelé para regulamentação do futebol feminino, uma vez que é uma lei de regulamentação do futebol, sem discriminar o gênero envolvido, logo entendemos que é (e já deveria ser há muito tempo) também lei para o futebol feminino.

Aguardemos o que virá e a postura que a entidade máxima de administração do futebol brasileiro tomará em relação à sua postura e seu papel no desenvolvimento e transformação do futebol feminino brasileiro nessa possível transição de um modelo amador para um modelo profissional, melhorando as condições para quem vive do esporte e também para atrair novos investidores e desenvolver negócios em cima da modalidade.

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