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Com tantos patrocinadores como times de futebol não conseguem manter o tão barato Futebol Feminino?

Imagem meramente ilustrativa
É muito comum ouvirmos que o futebol feminino não dá dinheiro e que os clubes não tem condições de arcar com tais custos de montar e manter uma equipe.

Essas declarações beiram o absurdo, uma vez que os clubes recebem grandes quantias em patrocínio e direitos de TV, além de sabermos que se clubes abrirem mão de contratar um jogador de "nível C" para o time masculino facilmente terá dinheiro de sobra para investir no futebol feminino se formos pensar nos salários, premiações, luvas e direito de imagem que um jogador ruim costuma receber nos mais variados time do futebol brasileiro.

Os clubes de futebol, assim como a CBF, poderiam facilmente ter recursos para o futebol feminino se quisessem. Para isso bastaria que essas instituições  (clubes e Confederação) definissem quanto dos valores que recebem de patrocínios e direitos de imagem seria destinado ao departamento de futebol feminino, lembrando que o futebol das mulheres precisa de pouco para manutenção e obtenção de expressivos resultados, se comparado ao investimento necessário ao futebol masculino.

Um time feminino com custo de um milhão de reais por ano é capaz de figurar facilmente entre as principais equipes do país, chegar a finais, conquistar títulos, disputar e ganhar uma Copa Libertadores, ter jogadoras na seleção e alguns outros fatores que fazem com que o retorno em visibilidade/exposição seja muito mais rápido e mais barato (comparando o valor investido) do que o do time masculino do mesmo clube.

Claro que, para ter maior retorno financeiro e de exposição da marca/clube, cabe ao mesmo planejar ações de marketing que dêem ainda mais expressão à sua equipe feminina, aproxime a modalidade e publico/torcida/consumidores e crie uma imagem forte que vai gerar retorno tanto em curto como em médio e longo prazo.

Se os clubes quisessem realmente manter equipes femininas eles fariam com muita facilidade. Infelizmente sabemos da má vontade e preconceito de muitos clubes e seus dirigentes e também das federações, que aqui iremos chamar, por enquanto, de preguiça.

Se a desculpa for aquela da insegurança jurídica, basta o clube pegar seu departamento jurídico e fazer contratos de prestação de serviço desportivo e seguir todo trâmite legal para assegurar direitos das atletas e do clube,  impedindo assim aquelas migrações repentinas de atletas pro clube que paga mais ou evitando casos comuns de clubes que param de pagar do nada e fica por isso mesmo prejudicando atletas. Inclusive, a partir de 2018 fica ainda melhor para os clubes com a mudança no sistema de registro e transferência de atletas do futebol feminino porque clubes passam a receber pelas transferências desde que tenham contratos devidamente assinados, o que já será uma desculpa esfarrapada a menos a partir do ano que vem.

Se o problema é aquela sempre suposta e alegada falta de grana, basta estipular contratualmente com seus patrocinadores que 1 ou 2 por cento do valor total de cada patrocínio ao clube será destinado ao departamento de futebol feminino, bem como se pode estipular com o fornecedor de material esportivo cotas de material que serão destinadas unica, exclusivamente e com sobra ao futebol feminino. Lembrando que alguns patrocinadores principais(master) pagam de 4 a 30 milhões aos clubes de futebol brasileiro.

Ah, e se os patrocinadores não quiserem? Então vá atrás de outros patrocinadores que queiram, afinal existem centenas e milhares de marcas e empresas de produtos voltados para a mulher que podem ser contatadas e virem a se tornar patrocinadoras da equipe feminina.

Lembrando que o ideal ao futebol feminino é a existência do departamento de futebol feminino nos clubes e na confederação que sejam autônomos, recebendo e controlando toda sua própria questão organizacional e financeira para que o dinheiro não ganhe outra finalidade dentro das instituições.

O problema, meus caros, não é a falta de dinheiro!

Não precisa pensar muito para enxergar oportunidades e soluções que ajudariam facilmente a manter departamentos de futebol feminino nos clubes.

Seja nos clubes ou na Seleção,  equipes teriam dinheiro para o que quisessem fazer se os seus dirigentes realmente quisesse fazer e desenvolver o futebol feminino.

Vamos ver até quando irão durar as desculpas, porquê se não se trata de má vontade ou de falta de criatividade, possivelmente estamos falando de falta de competência e compromisso com o futebol feminino.

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