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E o juiz apita o fim do jogo: Este blog chegou ao fim.

Elas são mais de 107 milhões, mas ainda são deixadas de lado na prática e consumo do esporte no Brasil

Quase 2 anos após olimpíadas a dificuldade em encontrar
camisas femininas de times e da seleção ainda existe (foto: globo.com)
Em um Brasil de maioria populacional feminina, quando falamos de futebol e mulher no consumo do esporte vemos que esse detalhe é esquecido ou neglicenciado por quem comanda o futebol e todos os demais esportes no Brasil, fator que inclui também os governos estaduais e federal.

Dentre a estimativa de população de 208.458.719 milhões de habitantes feita pelo IBGE, as mulheres são, aproximadamente, 51,6% destes brasileiros, ou seja, elas representam apenas 107.564.699 milhões da população.

Apesar desse número expressivo as mulheres, em pleno ano de 2018, ainda encontram dificuldades na busca por espaço não só dentro do esporte, mas também dentro de todo o mercado do esporte no Brasil.

Venhamos e convenhamos que a realidade é que a mulher não é deixada de lado apenas no esporte e sim em toda sociedade onde ainda se busca igualdade, respeito e combate a toda violência simbólica contra a mulher que encontra-se enraizada em nossa pobre cultura,. E se na sociedade a mulher ainda busca seus direitos e espaço, no esporte isso se reflete e se intensifica ainda mais.

Será que no ano de 2018 as mulheres ainda encontrarão dificuldades em encontrar camisas de clubes, chuteiras e artigos esportivos em geral, seja para a prática de esporte ou para o uso casual? Infelizmente devemos acreditar que sim.

Só pra começar o mercado do esporte brasileiro precisa entender que o mercado feminino do esporte não se resume a roupas de academia. 

As mulheres querem camisas dos seus times e até mesmo da seleção brasileira de futebol feminino, coisas que são extremamente difíceis de encontrar no mercado de consumo do esporte. Elas querem um clube pra jogar futebol, uma escolinha, ou encontrar uma chuteira voltada ao gênero.

A verdade é que entramos em 2018, porém em um país de maioria feminina elas ainda são tratadas como acessórios e não como consumidoras potenciais do esporte.

Os números não mostram somente uma grande fatia de mercado que pode e deve ser explorada e que possui um grande potencial para todos aqueles que fabricam e vendem esporte no Brasil nas mais variadas formas e produtos. Esses números mostram também que o esporte e as políticas públicas para as mulheres precisam ser pensadas e repensadas e ganhar tanta intensidade quanto as dificuldades que as mulheres enfrentam na sociedade brasileira.

Dentre mais de 107 milhões de mulheres, quantas são amantes do esporte? Quantas sonham em jogar futebol profissional? Quantas sonham em não precisar sair do seu estado e migrar para grandes centros do futebol feminino no país para realizar seu sonhos? 

Quantas não sonham simplesmente em serem lembradas dentro do mercado de consumo do esporte e encontrar com facilidade uma camisa baby look do seu time do coração ou da seleção em qualquer data do ano? Elas querem camisas de seus clubes todo dia, bonitas e com cortes de fato femininos, e não apenas camisas comemorativas no dia das mulheres ou outras datas "especiais"!

Elas são potenciais consumidoras de um mercado que hoje as exclui. Mulher consume o esporte indo a estádios, assistindo jogos na TV, assinando um pacote de pay-per-view, comprando artigos esportivos (bolas, chuteiras, calças, camisas, camisetas), comprando ingresso, um chaveiro ou uma caneca do seu time do coração, e mais.

Vamos fazer uma brincadeira! É só uma hipótese, sem levantar outros fatores culturais e sociais que influenciariam na venda de camisas ou artigos de clubes para mulheres: Imagine que um terço da população feminina brasileira (aproximadamente 35.851.314 milhões) comprasse R$250,00 reais por ano em camisas/artigos de futebol (que daria uns R$20,83 por mês), por exemplo. Isso daria uma "merreca" de R$8.962.828.500,00 (8 bilhões, novecentos e sessenta e dois milhões, oitocentos e vinte e oito mil e quinhentos reais).

Onde está a gestão do esporte e o marketing esportivo quando o assunto é esporte e mulher? Elas são deixadas de lado por falta de visão, falta de coragem de investir(tempo e dinheiro) ou machismo do mercado e da sociedade brasileira que ainda precisa ser combatido? 

O que podemos pedir é que em 2018 o quadro mude e as mulheres ganhem mais espaço na prática do esporte e no consumo dele.

As mulheres, o mercado e o esporte agradeceriam mais atenção! 

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