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Marta se torna maior atleta da história do futebol, mas título não significa nada no Brasil

Após fim do barulho e movimento por melhorias, Formiga e Cristiane repensam aposentadoria e retornam à Seleção

Após Formiga ser convocada para período de "testes e convencimento" na seleção brasileira de futebol feminina, CBF e comissão técnica conseguiram demover da atleta aquele seu anúncio de aposentadoria da seleção e confirmou-se seu retorno, uma outra atleta anuncia retorno à seleção e  sua "desaposentadoria" da camisa amarelinha.

Em sua conta do aplicativo instagram a atleta Cristiane anunciou seu retorno à seleção após diversas tentativas de Vadão e sua comissão, bem como diversas mensagens de pessoas que pediam que ela também demovesse seu pensamento e retornasse ao ataque da Seleção Brasileira.

Não se sabe exatamente o impacto que isso pode ter, talvez não dentro do grupo, mas em diversas jogadoras que já tem a certeza de terem perdido suas posições como titulares ou até como reservas em uma possível convocação e futuras competições da seleção, nem entrarei nesses méritos.

O que podemos ver nas entrelinhas é que o retorno delas é uma tremenda força em jogada de marketing para a CBF que faz com que muitos compreendam tal retorno de atletas como uma CBF caminhando no rumo certo e focando em solucionar falhas da estrutura da modalidade e desenvolvimento do futebol feminino como produto que virá a ser independente financeiramente e quem sabe virá a ter patrocinadores próprios e investimento que, ao contrário dos últimos anos, será dissociado de migalhas que vem do masculino como se manter a modalidade fosse um grande favor feito pela instituição.

Talvez, em breve vejamos essa comissão promovendo o retorno de Rosana, Maurine, Andreia Rosa e outras, apesar de crer que isso não dependerá apenas do querer trazer essas atletas de volta à seleção brasileira, mas também de questões de afinidades e entendimentos que vão muito além de avaliações e questões técnicas.

Pela lógica, se "resgataram" Formiga e Cristiane, tem também por obrigação moral, fazer o mesmo processo com as demais. Não teria lógica trazer umas e não outras, mas o critério utilizado para tal reaproximação, bem como os critérios de convocações e outras questões, são algo que somente a comissão técnica e/ou a coordenação sabe como funciona.

A verdade é que sem dúvida agora veremos muitos questionamentos sobre a postura das atletas que retornam à seleção brasileira depois de todo o "barulho" provocado após demissão de Emily Lima do comando da seleção feminina principal e todo aquele discurso pregado de forma "firme" que agora se mostra "firme como areia movediça" e não estou falando de Formiga e Cris, mas sim DA CATEGORIA, de TODAS as jogadoras.

Entendam que não estou aqui para criticar a postura das atletas que retornam ou que retornarão. De forma alguma! Até porque me colocando no lugar delas e com a leitura que tenho sobre a modalidade ao longo desses muitos anos, até entendo seus retornos após o discurso pregado.
Também não vou focar em questionar a CBF. O foco é apenas colocar aqui minha reflexão de forma bem simples e curta sobre a questão.

Creio que o movimento de cobranças e reivindicações por melhorias da modalidade cai por terra quando não há união nenhuma da categoria. Entendam que nunca existiu e ainda não existe tal força dentro do futebol feminino!

Muito se falou no começo de todo o movimento e logo que a CBF "se abriu" para ouvir e receber atletas, ex atletas e suas opiniões, pensamentos e projetos, rapidamente toda a categoria colocou panos quentes sobre toda a questão acreditando piamente que as coisas a partir dali iriam melhorar somente porque começou a se desenhar um faz de conta.

Vamos questionar e pensar juntos: Vale a pena ficar fora da seleção, deixar de ganhar dinheiro e perder a vitrine por um movimento que não tem força alguma?

A resposta é simples e óbvia. Se não há união da categoria, não há motivos para continuar "tal embargo"  à amarelinha. Prejudicar-se por uma categoria que não briga por si, vale a pena?

Infelizmente, assim concluímos também que não adianta em nada a mídia alternativa expor os problemas e questionar na intenção de fazer pensar e ver surgirem melhorias para a modalidade. É desprender tempo, conhecimento, saúde e dinheiro em vão.

Posso estar equivocado, mas talvez seja mais fácil tentar fazer algo estando dentro da panela do que estando de fora dela. Ou talvez, dado todo o quadro de movimentação política da categoria ao longo dos últimos 30 anos onde a grande maioria opta por focar apenas na sua realização pessoal e construção de relações por interesse mesmo que bajular seja preciso, seja apenas mais cômodo estar dentro.

Não podemos negar que ao longo dos últimos anos algumas melhorias. São elas insuficientes e ineficientes pois não focam nos principais problemas da modalidade. Mesmo assim, ao fim de tudo, a realidade para o "sofrido" futebol feminino brasileiro, é que o movimento que vem de dentro dele é exatamente como o criticado movimento da grande mídia quando o assunto é futebol feminino.

As jogadoras "batem" muito na mídia e criticam a postura de aparecer somente de 4 em 4 anos ou em grandes eventos/acontecimentos da modalidade, mas não enxergam que o futebol feminino e a extrema grande maioria da classe tem exatamente este mesmo comportamento.

O choro na TV, os questionamentos e as reivindicações da categoria só aparecem em época de grandes eventos, quando o pódio não vem, quando a medalha escapa, quando a falta de estrutura da modalidade ao longo de anos influencia dentro de campo em vários pontos técnicos, táticos, físicos e psicológicos e como de costume, ficamos no quase.

Assim como o "Bom senso", o movimento proveniente da demissão de Emily e dos problemas internos do futebol feminino na CBF, foi mais um dos muitos fogos de palha que o futebol feminino acumula ao longo de sua existência.

Já há algum tempo a falta de questionamentos e críticas mostra que, para todas as atletas da modalidade, está tudo bem, existe estrutura, profissionalismo, renovação e planejamento.

Se um resultado inédito vier, como o ouro olímpico ou mundial, está tudo maravilhoso, somos os melhores do mundo e tudo que foi feito estava correto e perfeito. Mas se algo novamente der errado e batermos na trave por algum motivo, veremos Martas, Terezas, Cristinas e Sofias com lágrimas nos olhos, enroladas na bandeira do Brasil pedindo mais apoio para a modalidade. 

O futebol feminino tem a estrutura e todos os problemas que merece ter. A César, o que é de César!

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