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Futebol Feminino: Brasil entra na briga para sediar Copa de 2023

Algo que todos queriam há muito tempo parece que vai acontecer. 

O Brasil foi um dos dez países que demonstrou interesse em sediar a Copa do Mundo Feminina de 2023.

Além de Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Coreia do Sul e do Norte (candidatura conjunta), Japão, Austrália, Nova Zelândia e Austrália também demonstraram interesse. 

O número de países interessados é o maior da história, desde a primeira edição da competição em 1991 e nenhum destes países sediou a competição.

Agora as confederações tem até o dia 16 de abril de 2019 para registrar a candidatura e o anúncio do país-sede ocorrerá em março de 2020.

NÃO BASTA APENAS SE CANDIDATAR

Esse desejo brasileiro em sediar a competição é muito interessante, porém sempre existe "um pé atrás" quando falamos de futebol feminino no Brasil. 

O Brasil vem desenvolvendo pequenas ações que, teoricamente, ajudam no desenvolvimento da modalidade. Digo teoricamente porque muitas dessas ações parecem não ter bases sólidas capazes de fazer a modalidade caminhar sozinha, sempre precisamos de "um empurrãozinho". 

Clubes já sabiam da obrigatoriedade desde 2016
Este ano tivemos a obrigatoriedade de clubes do futebol masculino terem equipes femininas, o que "animou" alguns, mas que deixa evidente a falta de comprometimento que ainda existe com a modalidade, uma vez que muitos clubes só montaram suas equipes poucos meses ou poucos dias da competição de 2019, mesmo sabendo que há mais de 2 anos que essa obrigatoriedade aconteceria, e muitos nem montaram equipes e sim fizeram parcerias com equipes já existentes o que gera um desconforto e insegurança na continuidade destas equipes estarem com as mesmas camisas no próximo ano. 

Enfim, por um lado, sediar uma Copa pode ser muito interessante pois, supostamente, forçaria a Confederação Brasileira de Futebol a desenvolver um planejamento da modalidade como um todo, de modo que esse planejamento gere resultados para a Seleção Brasileira, até porque já vimos ao longo dos anos que não adianta montar seleção permanente, até porque o problema do futebol feminino não é a falta de títulos expressivos da seleção e sim questões que vão muito além.

Temos uma base que precisa ser trabalhada e também aproveitada nas categorias de cima da seleção, porque ao longo dos anos conheci dezenas de meninas extremamente talentosas que abandonaram o futebol por toda sua falta de estrutura e amadorismo, sendo necessário trabalhar para se sustentar e deixar o sonho de ser uma atleta profissional de lado.

Não podemos viver por mais 20 anos nos garantindo nas mesmas atletas, até porque isso tende a gerar atletas acomodadas que sabem que tem dificilmente "perdem" a vaga na Seleção Brasileira. 

Se realmente há a intenção de sediar a competição, teríamos 5 anos pela frente para desenvolver um "Plano Nacional de Desenvolvimento de Futebol Feminino" e implementar essas ações.

PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DE FUTEBOL FEMININO

Em 2014 montei um esboço desse planejamento que foi compartilhado com membros do Bom Senso FC.

Onde estamos, onde queremos chegar e como faremos para alcançar o objetivo?

Estas são três perguntas básicas que necessitam ser respondidas para o início de um planejamento, logo o PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) teria como objetivo definir de que forma e quais os pontos seriam trabalhados para tornar o Futebol Feminino brasileiro a nova paixão nacional, servindo de modelo de gestão e organização, que deveria ser repassado às Federações Estaduais de Futebol, tornando-as peças fundamentais na fiscalização e cumprimento de alguns dos objetivos, sendo estas passíveis de sansões pelo não alcance de metas e execução de ações ali definidas, criando uma modalidade forte capaz de produzir uma Seleção forte e capaz de brigar pelo topo do pódio nas principais competições de base e adulta pelo topo do Ranking da Fifa nos próximos 5 anos e com a meta de ser a melhor seleção do mundo em 10 anos.

Dos dados definidos na época, caímos da sexta posição no ranking da FIFA (2014)  para o décimo lugar em 2019, fato que por si só evidencia que algo não está correto no desenvolvimento do futebol feminino no Brasil. 

Hoje temos uma seleção que joga num esquema de 1980, com pouca organização tática, movimentação de linhas deficiente, parte física abaixo do esperado e quando precisa desesperadamente vencer, pensa naquele padrão "joga na jogadora tal que ela resolve".

Se olharmos nosso histórico, já fomos a seleção feminina segunda colocada no ranking FIFA e hoje, por incrível que pareça, temos a hegemonia ameaçada na América do Sul com o crescimento de outras seleções.

Outro fator que deixa evidente que não estamos evoluindo é que desde a primeira passagem do técnico Vadão pela Seleção Brasileira, a lista de convocadas permanece quase que INALTERADA! Faltam atletas capacitadas? A modalidade não está evoluindo? Ou estamos observando sempre o mesmo grupo de atletas? 

Em 2019 ainda somos "Martadependentes" e nosso processo de renovação é falho, não formamos novos ídolos e agora, 5 anos depois desse esboço do PND ter sido desenvolvido pouca coisa mudou. Algumas coisas melhoraram de forma tímida, e ainda existe muito o que melhorar pois em alguns momentos temos a impressão de que estamos "enxugando gelo".

O que quero dizer é que não basta querer sediar uma Copa, é preciso de planejar, se estruturar e tornar TODA A MODALIDADE em algo forte, para que consequentemente a Seleção seja forte, caso contrário teremos mais 10 ou 20 anos de "mais do mesmo".

Torço para que realmente essa vontade de ser um país sede da Copa de 2023 seja o reflexo de todo um planejamento e pensamento construtivo para o crescimento não da seleção, mas do futebol feminino brasileiro como um todo. Pegamos no pé e questionamos há mais de 10 anos não porque somos do contra, mas porque enxergamos muito potencial na modalidade e queremos ver sim ela se desenvolvendo de forma sólida e contínua!

Estaremos na expectativa e na torcida!

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