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Retomado desde 2013, Futebol Feminino não deslancha no Brasil pelo simples fato de que não é planejado

Desde o lançamento do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, em 2013, a proposta era de desenvolver a modalidade, atrair público e tornar a modalidade um produto atraente. 

Seis anos depois a modalidade ainda caminha sem ações coordenadas e sem alcançar os objetivos "básicos" determinados "de boca" no primeiro ano. 

A partir do momento que a competição foi para as mãos da entidade máxima de gestão do futebol nacional e sua parceira (tão logo que foi criada pelo Ministério do Esporte 2013), pouco se soube sobre a modalidade e sobre um planejamento estruturado de futebol feminino que pudesse propiciar o desenvolvimento da modalidade de forma concreta e significativa.

A falta de divulgação de um plano de ação adequado para a modalidade não é por uma questão de sigilo, mas na verdade pelo fato de provavelmente nunca ter existido.

Ao longo dos anos muito ouvi sobre a modalidade não dar retorno, a modalidade não dar dinheiro, futebol feminino não ser interessante e até mesmo a afirmação de que a Seleção Feminina de Futebol era apenas um "bônus" aos patrocinadores uma vez que o patrocínio que ia para a CBF, teoricamente, não patrocinava a seleção feminina.

SERÁ QUE O FUTEBOL FEMININO É TÃO RUIM?

Foto Site Oficial FA
Recentemente vimos o clássico espanhol entre Atlético de Madrid e Barcelona ter 60.739 mil pessoas presentes (e pagantes). agora vemos a FA - instituição que comanda o futebol na Inglaterra, fechar uma parceria de 49 milhões onde o Barclays Group será o principal (mas não o único) parceiro da competição neste acordo assinado até 2022.

Aqui no Brasil vemos jogos de clubes como Iranduba e Santos levando 20 mil ou mais torcedores aos estádios, e temos clubes campeões de Copas Libertadores da América e até Mundial de Clubes. 

Estes detalhes evidenciam que existe sim um público interessado. E se existe público, existem potenciais investidores, mas para que se invista em algo é necessário apresentar organização e um planejamento com ações estruturadas e palpáveis que tornem o produto interessante para quem investe. Poderia dizer aqui que também é necessário que alguém queira que esse produto aconteça, cresça e apareça. Alguém quer além de nós?

Ontem muito se falou do Brasil se candidatar como sede da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2023. Mas do que adianta trazer uma competição desse nível para cá?

Sem organização e boa vontade com A MODALIDADE a única coisa que uma Copa do Mundo trará é a visibilidade momentânea que qualquer outra Copa do Mundo ou Olimpíada traz para o futebol feminino nacional quando jogada em qualquer lugar do globo terrestre. 

Para trazer uma Copa ou para fazer o futebol feminino se desenvolver é necessário PLANEJAMENTO, algo que até então nunca vimos e se existe, nunca foi apresentado em SEIS anos... vou repetir... SEIS ANOS.

Em um país em que jogos de futebol feminino acontecem às 15 horas porque existem clubes que não querem gastar nem com o custo da iluminação noturna do estádio, e onde mesmo os clubes sabendo desde 2016 que teriam a obrigatoriedade de ter times femininos só os montaram poucos meses ou dias antes da competição começar, o que podemos esperar?

Eu, sinceramente, espero que a gestão do futebol feminino brasileiro uma hora aconteça, porque hoje o que vemos é simplesmente a ideia de fazer jogos e campeonatos, como se simplesmente ter clubes jogando fosse fazer a modalidade crescer do modo como ela precisa para ganhar autonomia, ser atraente e trazer investimentos de médio e longo prazo, sozinha.

Nosso futebol feminino é fraco porque é mal estruturado e a seleção feminina é "fraca" porque é reflexo da modalidade no país.

Um planejamento, por mais simples que seja, aumenta de forma significativa a possibilidade de sucesso na busca por determinados objetivos, dando mais clareza e melhor visão para tomadas de decisão, balizamentos e ajustes ao longo do processo. Teoricamente o sonho é ver o Brasil no lugar mais alto do pódio na Copa e na Olimpíada e até hoje não conseguimos até então.

Vale ressaltar que planejamento da Seleção brasileira não é planejamento da modalidade, e planejamento de seleção sem planejamento de modalidade é, como diria o professor Rene Simões, construir o telhado da casa sem paredes para sustentá-lo!

E para finalizar, digo que, se o planejamento não existe, sabemos o motivo da modalidade não caminhar. Se ele existe, muito provavelmente possui falhas e precisa ser reajustado ou refeito por pessoas que não só entendam da modalidade como queiram vê-la crescer como um todo.

Quem planeja, tem futuro, quem não planeja, no máximo tem um destino e precisa aceitar o que vier.



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