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Futebol Feminino: Associações de bairro não cometem erros tão básico de organização como a CBF

Após a Copa do Mundo de futebol feminino da França, o futebol feminino continua em pauta no Brasil. 

O ano é 2019, mas as cenas de descaso parecem de 1980. Atletas dormindo em saguão de hotel por conta de uma "logística" que envergonha quem trabalha com logística, excessos e sobrecarga em atletas sub-18 que jogam 90 minutos com intervalos de apenas 48 horas, acordos comerciais fechados com campeonatos em andamento e que prejudicam ou dificultam que clubes possam transmitir seus próprios jogos, partidas em horários questionáveis. Isso tudo apenas um brevíssimo resumo do tradicional que sempre acontece com o futebol feminino no Brasil. 

É curioso que no Brasil, onde o futebol masculino "dá certo" e não sofra com erros esdrúxulos de logística, sendo gerenciado pela mesma entidade de administração do desporto, o mesmo futebol jogado pelas mulheres sofra com tantos erros primários que muitas associações de bairro ou pessoas com boa vontade não cometem quando organizam campeonatos "de várzea" brasil à fora.

Se já existe todo o conhecimento prévio da gestão do futebol masculino, como é possível, já se tendo "uma fórmula" do que dá certo e do que é básico, o futebol feminino sofra tanto com erros?

A impressão que se tem é que aqui no Brasil, o futebol feminino é feito apenas por "obrigação" e para dizer que se faz algo. Ao longo de anos sempre questionei e defendi que, não basta criar campeonatos.

SERIE A2 FOI SOMENTE PARA AJUDAR CLUBES DO FUTEBOL MASCULINO

A criação da Série A2 no futebol feminino, por exemplo, não foi pensando na modalidade e sim por uma necessidade de cumprir obrigações e não prejudicar os clubes do futebol masculino quanto à exigência da CONMEBOL.

Isso é tão visível que foi permitido que clubes montassem equipes de qualquer forma e sem parâmetro algum às vésperas da abertura da competição feminina. Os clubes que "entraram" no futebol feminino não precisaram apresentar nenhum planejamento estruturado com metas de médio e longo prazo, tão pouco tiveram obrigações mínimas exigidas. 

Os clubes sabiam da obrigatoriedade 2 anos antes da implementação, mas a entidade máxima do futebol brasileiro deixou que tudo fosse feito de qualquer forma e por isso vemos clubes que nunca disputaram um campeonato estadual feminino, tendo uma vaga em um campeonato brasileiro, com meninas sendo vítimas de projetos sem estrutura alguma onde elas se submetem a jogar da melhor maneira que podem pela realização de um sonho de jogar futebol, mas acabam "pagando pra jogar" em clubes que não lhes dão nem o que seria mais básico, que é o RESPEITO.

O futebol feminino não é levado à sério!

ATLETAS SE POSICIONANDO CONTRA O DESCASO

Com recentes acontecimentos relacionados à má gestão do futebol feminino nacional, que é negligenciado há anos, como o caso das atletas do Santos que sofreram com uma logística pífia, declarações de meninas de Sport e Paysandu, além de questionamentos sobre o tempo de descanso do campeonato brasileiro feminino sub-18, muitas atletas vieram a se posicionar e cobrar melhorias pedindo que o descaso chegue ao fim para com a modalidade. Grandes nomes como Cristiane, Érika e Andressa Alves se posicionaram em redes sociais e muitas outras atletas já conhecidas de grandes clubes brasileiros tem aderido à essa postura de cobrar melhorias.


Como de costume o "maior nome" do futebol feminino brasileiro se cala! De grande tem apenas seus números dentro de campo, pois sua atuação fora dos gramados em prol de melhorias para tantas meninas que sonham em jogar futebol profissionalmente no Brasil continua sendo irrelevante. 

Infelizmente, meninas de 10 anos que vendem pizzas, balas ou fazem faxina com as mães para custear suas lutas e sonho de ser atletas profissionais, são maiores do que quem deveria ser sua maior referência. 



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